terça-feira, 19 de agosto de 2008

dos Mimos

_Agatha, você anda pensando em ter um filho?
_Claro!
_Tá vendo, são os hormônios!
 
A Jordana que me alertou pra isso. Sempre adorei bebês e crianças, mas essa simpatia tem aumentado nos últimos tempos. Tanto é que venho me divertindo fazendo as crianças alheias sorrirem. Não precisa ser de amigos e conhecidos... Bastou encontrar um bebê no shopping pra não me importar com o mico e fazer caras e bocas até ganhar aquele sorriso como prêmio. Num desses domingos, tive a capacidade de achar mesmo que ganhei meu dia ao arrancar gargalhadas de um tímido bebê que relutou em sorrir. Só que isso me pareceu tão natural que só conversando com a Jordana percebi o grito do relógio biológico.  
 
Hoje, no caminho pro trabalho, pensei em várias coisas que queria escrever aqui. Política, sociedade, uma história engraçada... Daí recebo esse email bomba: animais e bebês. Tal correspondência eletrônica me chega justo neste momento de domínio hormonal e, somado à minha paixão por cachorros e gatos, derrubou qualquer pretensão de escrever algo cult ou politizado.
 
Cara leitora (e caro leitor, discretamente): esqueça que o mundo nos cobra uma maior consciência da sociedade e se permita exclamar com as imagens: Ai que fofoooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

* BIZARROS

  • Homem é condenado por simular sexo com uma bicicleta
  • Empresa lança filtro antipum para usar na cueca
  • Gêmeos de 8 anos inventam cueca à prova de puxão
  • Spa atrai clientes com massagem feita por cobras em Israel
  • Bebê de um ano é intimado por dar calote em 'massagista'

Definitivamente, a sessão "Planeta Bizarro" do portal G1 é a melhor página da internet. http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,6091,00.html

(ou eu sou mesmo muito à toa...)

 

* COTIDIANO

Ontem, meu carro estava estacionado em frente à academia onde faço fisioterapia na água (não gosto do nome hidroterapia). Na hora de sair, um outro carro fazia uma manobra complicada para entrar na garagem da academia e, vendo aquela confusão, um motoqueiro esperava sua vez pacientemente. O problema: a moto impedia a saída do meu carro.

Mas eu estava realmente zen e esperei na boa, na paz. Até que eu já tinha ligado o som, ajustado o cinto e os retrovisores e resolvi ligar o motor pra dar uma "dica" que eu queria sair.

Eis que o motoqueiro fala: _Oi! Já tá querendo sair?

Eu: _É né... já!

Motoqueiro: _Tá cedo uai...

Eu apenas sorri e saí com o carro.

O cara estava de preto, de óculos escuros e capacete. O que me deixou na dúvida: será que ele me conhecia? Será algum colega de fisioterapia? Ou só um motoqueiro abusadinho?

Até agora não sei se fui seca com um conhecido ou dei moral demais pra um motoqueiro sem noção.

domingo, 10 de agosto de 2008

Morreu a minha paixão
Causa incerta
Talvez foi fraqueza
Parecia forte e robusta nos primeiros passos
Mas as pernas eram de vidro

Talvez inanição
Com a abrupta interrupção da fonte f'ácil do cotidiano
O que vinha crescendo tropeçou e caiu no chão

Quem sabe foi choque
Quando os sonhos encontraram a realidade
A distância entre eles pareceu infinita
E nenhuma flor me convidava a percorrer o caminho

Minha paixão morreu e me deixou saudades
Não de quem eu queria
Mas da força de querer
Dos sonhos bonitos e das poesias que poderiam ter nascido

Se posso pedir algo
E se posso ser sincera
Queria mesmo esterelizar esse terreno fértil que chamo de coração
Que a última que morre não mais nasça

Eu sei que é bonito acreditar
Até recomendo... aos outros
Mas confesso que estou cansada
Tudo que não vivi só me deixou velha

O pior da morte dessa paixão não é o desperdício de algo puro e bonito
Não é a cegueira de uma parte
Nem a fantasia que se rasgou
É essa conclusão insistente que o bom senso me sopra nos ouvidos:
Foi bom morrer o que nem deveria ter nascido

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O Espelho de Ciça

"Espelho – Dois espelhos no quarto, um para se ver de frente e outro refletindo as costas, garantem uma visão privilegiada do look que vai às ruas."
Coluna SPOT, do Jornal O Popular 30/07/2008
 
"Entendo que, muitas vezes, os colunistas ficam sem inspiração e sem material de divulgação, mas a impressionate dica de Ciça Carvello hoje em seu Spot mostra uma falta absoluta de pesquisa ou de amigas para trocar uma idéia. Cara Ciça, que preguiça é essa de virar de costas e girar um pouco o pescoço? Se é pra ter uma visão privilegiada, então vou montar um closet com quatro espelhos: frente, trás, direita e esquerda. Assim, minha visão do "look que vai às ruas" vai ser de 360 graus. Uau!"
 
 
Tem dias que eu sou super chata :P
 
 

 

 


 

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Multicor

Estava aqui pensando em como responder de uma maneira divertida, sexy, provocatica, alegre, tranquila e bem-humarada. Mas daí lembrei que a maioria dos homem só lê mesmo o que está escrito. Talvez eu escreva em letras gigantes:
 SIM! 

terça-feira, 22 de julho de 2008

Goiânia, 22 de julho de 2008

 

Eu queria ter tirado uma foto do céu hoje para te mandar, mas na última hora acabei não colocando a câmera na bolsa. Você uma vez comentou que, no Brasil, não se via céu como se vê na Europa: de um azul límpido e uniforme, que fica lindo nas fotos. Mas só hoje reparei que nesses tempos que a secura assola o Cerrado, o céu é igualzinho ao cenário europeu.

 

Saudades daí. Saudades dos dias em que tudo era encantamento e novidade. Dos dias que eu me perdia e ficava feliz com as novas descobertas dos caminhos inusitados. Saudade de querer ir mais longe para ver mais, para viver mais. Por que por aqui eu só gosto dos atalhos? Em casa, perco o gosto por longas caminhadas. Caminhos conhecidos ficam menos interessantes. Sei que é injusto, mas é assim ou, pelo menos, tem sido assim.

 

Saudades de você. Do seu jeito direto de me mostrar que eu tô fazendo drama com coisas à toa e esquecendo os dramas reais. Você faz falta nos dias que eu só quero reclamar que a vida tá foda e pronto. Reclamar um pouco e rir muito de qualquer coisa absurda que aparecer. Saudade das guloseimas sem culpa que você me convida pra comer. De cantarolar Muse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Dos refrões de músicas desconhecidas que você sempre prega na minha cabeça. Do narguile, seja lá como se pronuncia isso. Saudade, saudade e pronto. Você sempre faz falta por aqui.

 

Já peço desculpas antecipadas por tornar essa carta pública. Aproveitei a inspiração que o céu me deu para te escrever e para alimentar essa insistente mania de ter um blog. Usei essa fonte cursiva (e nem sei se a configuração vai se manter) pra dar ao email/post o clima de carta. É mais difícil de ler, mas é mais poético.

 

Agora tenho que justificar (um pouco) o meu (pouco) salário e trabalhar (mas só um pouco). A última comunidade que entrei no orkut foi "Poupo-me", e ela serve principalmente para o trabalho. Deixo para me gastar com intensidade nas viagens, encontros com amigos, músicas dançantes, shows enlouquecedores, camas elásticas, trilhas ecológicas, cachoeiras geladas e tantas outras coisas mais interessantes que o expediente obrigatório de quem bate ponto. Por hora, vou fazendo o necessário.

 

Beijos pra você!

Saudades mil

 

Agatha

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Narinha

Nunca a chamei pelo apelido. Não sei o que ela gostava de comer, o que a fazia rir, que frase mais falava. Mas a conhecia e, mesmo de longe, gostava dela. Nada mais clichê do que a morte. Nada mais natural que pensar em todos os clichês em um velório.
A que horas foi? Ela sofreu? Ela soube? O que importa agora? Ela morreu. Era muito querida, muito amada, uma profissional competente, uma mulher apaixonada, mas morreu. E eu quis falar pra família e para o namorado que sentia muito, que imagino que ela vá mesmo para um lugar melhor, que ela deve estar em paz agora, que vai ficar tudo bem, mas não falei nada. Pra que? Fui lá e senti muito, fiquei quietinha, foi o que consegui.
Pensei em tanta coisa pra escrever, mas saí do velório mais abalada do que imaginava. A efemeridade da vida, as coisas que nos matam e nos fazem viver, a correria do dia a dia, a valorização do trabalho em prol da vida afetiva, a mulher contemporânea... Tudo fica pra outro dia. Hoje eu só quero mesmo que a Nara descanse em paz.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O melhor item adicional do seu carro pode ser seu filho

Se tem algo capaz de tornar meu dia, qualquer dia, especial, é uma criança acenar pra mim no trânsito. Não precisa ser um tchauzinho com um sorriso. Pode ser uma careta. Uma gracinha. Um simples olhar curioso.
A criança que acena no carro me lembra da criança em mim. Das brincadeiras no carro do meu tio com minha prima Danielle. Das risadas que eu e meu irmão dávamos (e continuamos dando) ao ver as expressões estranhas, as poses de mau, as pichações obcenas. Meu pai competindo com o sinal vermelho, minha mãe me protegendo nos freios bruscos... É, eu tenho a sorte de poder ter boas lembranças em relação a carros. As batidas que sofri ou causei me deixaram apenas as lições de prudência e paciência.
Na correria do dia a dia, no trânsito caótico, os horários apertados, as obrigações e desejos que nos pesam ao volante, a criança que tem o interesse pela outra pessoa ali do outro carro confirma minhas verdades: corremos de mais e nos encontramos de menos, empatia é natural do ser humano e, se cada um saísse um pouco do seu mundinho (seja o carro, a casa, o clube de vips, a comunidade reliosa...) e olhasse pro outro como um igual, o mundo seria simplesmente mais bonito.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ai como dói ser adulta!
Ficar arrasada por uma bobeira e ter que levar a vida adiante, não conseguir ligar o mundo da imaginação com o mundo real, não querer ir pro trabalho e não poder falar pra mãe que tá com febre, esquecer de pagar uma conta e encarar o carão sozinha, ver a ansiedade foder a vida e saber que não existe remédio milagroso, ter problemas que são realmente seus, ver que conseguiu realizar um monte de coisa, menos a principal.

Tem dias que a idéia de outro aniversário me dá pânico.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Lançamento de Salsichas

Cain cain é quando eu piso no rabo da Belinha ou a chuto sem querer. Belinha tem uma mania estranha e nada esperta de se postar deitada no meio do mini corredor escuro, passagem do meu quarto para qualquer lugar do mundo caso eu não saia voando pela janela.
Ontem, dei um ultra chute nela porque estava correndo pra não perder Pushing Daisies. Caso não fosse tão pesada, sairia voando, certeza. E o mais incrível é que, mesmo atordoada com a pancada, foi deitar ao meu lado como se nada tivesse acontecido, delicadamente apoiada na mesma perna que a chutou.
Nunca conseguirei entender as pessoas que não amam cachorros.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Mais seis dias de junho

Se eu quebrasse a perna, tenho certeza de pelo menos dez pessoas que me dariam socorro sem pestanejar. Se eu realmente precisar de dinheiro, alguns se esforçariam e raspariam o cofrinho pra me ajudar. Se eu estiver à beira da morte, que Deus me livre por agora, sei que muita gente estaria no leito chorando e me pedindo pra não ir. O caso não é tanto drama. Nada grave aconteceu.


E mesmo nas pequenas coisas, eu tenho muita ajuda, sempre. Sou muito amada. Minha família me ama. Meus amigos. Até gente que não me conhece direito gosta de mim por motivos que nem sei. E não que eu deixe de ser feliz ou agradecida por tudo isso, mas tem dias que isso não basta.


Eu quero alguém pra mim.

Não precisa mudar de cidade por minha causa. Não precisa mudar de vida, revolucionar o mundo, pintar o cabelo, falar mais baixo. Só quero uma pessoa que se dedique um pouco a mim, que me dê atenção e um pouco de carinho. Só isso.


Porque eu to carente e essa maldita data comercial que se aproxima me faz pensar demais nisso. Faz eu me sentir mal sozinha. Talvez isso ataque 10 entre 10 solteiros do mundo, mas não quero ser compreensiva com os outros que sofrem do mesmo mal, hoje não.


De tudo que eu sempre desejei na vida, essa é realmente a única coisa que nunca tive. Por mais que já teve (e tem, ainda bem) gente querendo me comer, nunca tive ninguém pra mim.


E o mistério insondável do meu universo é: Por que?

Por que eu não tenho alguém comigo? O que faço de tão errado? Se eu sou até bonita, inteligente, limpinha, cheirosa, depilação em dia, inteligente, culta, bem humorada, condições psicológicas normais na loucura desse mundo, tenho um emprego fixo, danço bem, tenho bunda grande... Já sei, já sei, vão dizer que são qualidades demais para uma pessoa só. Os homens se assustam com uma mulher como eu (BU!). Bem, não é isso. Não sou a melhor nem a pior mulher do mundo.


Sei que os tempos estão difíceis, ta ruim pra todo mundo, a solidão no ser humano na sociedade contemporânea, o El Nino, a Globalização... E duas amigas (muito amigas, pessoas excepcionais) já concordaram: não há realmente uma explicação lógica para o que tem sido minha vida sentimental até o segundo passado (vai que a coisa muda agora!).


Andei mais calma e tranqüila esses meses (talvez tenha mais de um ano), me convencendo que tudo tem sua hora e não há nada de errado comigo. Mas toda vez que eu me interesso por alguém (e piro, pra variar) e a coisa parece não fluir em instantes (ta, eu sou ansiosa), me revolto com essa condição social/do momento/ do destino/ de merda.


Fico perguntando pros meus amigos se estou louca ou estou mesmo recendo sinais de que ele ta me querendo. Dessa vez, todo mundo concordou que sim, as atitudes dele são, no mínimo, suspeitas. Não vou citar por medo dele ler isso aqui por algum acaso da vida (e era disso que eu não estava falando no último post). Não quero que ele saiba que causa tamanha comoção (caso ele não tenha notado minhas mãos suando quando estou perto dele).

Droga, já estou falando sem parar nele de novo!


Enfim... nem gosto muito de falar nisso, mas hoje deu vontade. E como disse a Cacau, falar cura. Mas ainda não tenho mesmo a menor idéia do que fazer pra resgatar minha paciência e serenidade ou, melhor seria, mudar minha vida sentimental. Já fiz tantas apostas... mas agora só queria alguém que apostasse um pouco em mim.



terça-feira, 3 de junho de 2008

Por esses dias, o que ando pensando é impublicável.
Daí o silêncio aqui.

domingo, 25 de maio de 2008


De repente é assim: ao invés da vista feia das garagens eu vejo o mundo da minha janela. Morar no 2º andar nunca me impediu de ter ótimos momentos contemplativos. Por isso eu queria fumar, pra justificar o ato de ficar parada vendo o mundo seguir seu rumo. Mas levei em conta o amor aos meus pulmões e assumi a cara de boba. Tô só olhando, e daí?!

É como de faltasse ar no meu quarto e a janela me aliviasse a sensação. Não dá pra ver o sol se pondo, mas posso ver o céu mudando de cor. Posso ver os pássaros e suas coreografias. Posso alcançar com a vista lugares que tenho preguiça de ir a pé. Tudo tão simples. O mundo parece tão organizado assim... De todos os poderes dos super heróis, eu quero poder voar. Mas aí terei que ficar invisível pra não causar espanto e inveja. Talvez me concedam os dois poderes, eles devem ser pessoas bem legais.

Hoje, uma visão me trouxe de volta dos meus devaneios: uma moça em uma janela distante. Não consegui identificar mais detalhes que o tom claro de sua blusa, não sei se era menina ou mulher. Mas vi que ela tinha passado da cortina pra olhar a vista. E estava ali, olhando o tempo como eu. Ela ficou pouco, mas sua presença me foi imensamente valiosa. Entre tantas janelas, entre o céu que mudava, entre o vento a me fazer carinho no rosto, foi aquela menina que quebrou minha solidão. Não estou nem nunca estarei sozinha nesse mundo. Muito obrigada!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Lanche de sábado à tarde
Fernanda: _Essa sanduicheira já perdeu o... o....
Eu: _O Glamour?
Fernanda: (?!) - Não, Ágatha, a anti-aderência! Tá doida?!
 
Mais tarde, na balada
Eu - Bosta, essa liguinha estragou. Perdeu...
Fernanda: _O Glamour né?!
 
(só a Fernanda me entende)
 

domingo, 11 de maio de 2008

Confessionário


Em um dos dias mais clichês do ano, o tal do Dia das Mães, eu acabei sem dar o presente que pensei e ela desistiu do café da manhã que ofereci. Mas gostaria mesmo de dizer que um dos meus maiores desejos de vida é ser mãe, e espero ter a mesma capacidade de amor incondicional, dedicação, esforço e carinho que minha mãe tem. Tenho muito orgulho de ser filha de quem sou e, mais que isso, sorte de ter uma mãe exatamente assim.

Te amo demais!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

do Mirar

Por um instante fulgaz, achei que tivesse um arco-íris no céu, mas era só uma sujeira no vidro do carro. Aí pensei: "Cara, eu estou pronta para dar cursos de como ver a vida pelo lado positivo!".

terça-feira, 22 de abril de 2008



Escolhi tanta roupa bonita que nem usei. Outras, usei mais do que planejava. Tracei roteiros e fui por outros. Pensei em pessoas e encontrei outras. As horas se arrastaram e, é claro, correram no final. Perdi muito tempo e nem deu tempo de fazer o que pensei. Fiquei triste e alegre, pra depois concluir que estou feliz por ter ido. Essa é a história de uma viagem recente, mas pode ser de uma vida inteira. Porque altos e baixos, surpresas e decepções, erros e acertos só me parecem a descrição do que é a vida, com a ressalva de que sempre vai valer a pena.

sábado, 19 de abril de 2008


Acho que todo mundo, mesmo que nao confesse, tem um pouco de medo e desejo de se tornar como os pais. Eu, pelo menos, sempre tive. Os acertos viram modelos, mas alguns erros me fizeram temer: será que eu vou ser assim? Como se fosse algo obrigatório, uma metamorfose da qual eu náo poderia escapar por ser filha de quem sou.
Hoje, adulta e vacinada, posso me perdoar por náo ter herdado as super qualidades e posso me parabenizar por vencer o determinismo dos genes e náo, náo ser igual. Ufa!

terça-feira, 8 de abril de 2008


Tem dias que eu me sinto rasa, não tenho nada a dizer. Nem escrevo aqui. Não é falta de inspiração, é só... vazio, seco. E me preocupo um pouco, mas nem tanto. Sei que essa tal "expressão da alma" é algo inevitável pra quem tem. Uma hora ou outra vem. E no meu caso, vem como uma avalanche, como se fazer isso fosse a coisa mais importante do mundo. E é. Toda forma de expressão verdadeira que eu encontro é a maneira mais clara de me sentir viva, vibrante. Pode ser um belo texto, uma idéia, a nova disposição dos móveis, um conselho bem dado, um afago, o suheil na ponta do pé (ok, é um passo da dança do ventre).

E foi por isso que parei o carro em locais não apropriados hoje, sozinha e com uma máquina digital nas mãos. Não sei se era muito indicado. Mas eu não podia perder esse pôr do sol.

ps: recomendo clicar ali no link da legenda da foto.

quarta-feira, 2 de abril de 2008


Peço perdão aos outros, mas hoje o dia é meu. Nem aniversário nem mudança de vida. Um dia comum, como outro qualquer, que eu peguei pra ser meu. Hoje eu não vou me importar com a quantidade de água que eu preciso pra fazer aquela massagem esfoliante deliciosa. Não quero saber mais detalhes daquele caso sórdido de uma criança morta. Também não vou me preocupar se estou sendo injusta em bater o pé e me recusar a fazer isso ou aquilo. Hoje não, dá licença.

Declaro que hoje é o dia de amor a mim. Cuidado a mim. Mais que todos os outros. Dei sorte! O pessoal aqui de casa soube antes de mim que o dia é meu e me deixaram espaço. Música alta. Sapatos jogados. Incenso e perfume sem alergias.

Mesmo com a obrigação de passar um pouco do meu dia com os outros, não darei a mínima chance. O mau humor de um e outro é problema deles. O trânsito caótico, as cotações do mercado, a burocracia e atraso da sociedade podem me afetar, mas nunca me atingir. Porque passarei flutuando sobre o cotidiano cinza que o mundo insiste em instituir. Com minhas cores e flores, vou viver esse dia sem a obrigação de ser paciente com quem encontra motivo pra só reclamar e nunca fica admirado com aquela nuvem no céu.

E quem sabe, no fim do dia, eu esteja um pouco mais perto de descobrir como se faz para acordar todos os dias com essa facilidade em ser feliz.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Notas Rápidas

* Um caminhão saiu da pista e tombou. Os dois ocupantes, feridos, foram socorridos por uma ambulância do Samu. Poucos metros depois, a ambulância sai da pista e capota. Agora os feridos são três. Isso aconteceu aqui em Goiás e fiquei matutando sobre o caso. Imagine só, vc sofre um acidente e fica aliviado quando chega o socorro. Daí o socorro precisa de socorro? No máximo da expressão popular: Fala sério! Ninguém merece!

* Acho um absurdo álbuns e scraps do orkut bloqueados. Afinal, muito mais interessantes que os bobos que a Globo escolhe, o orkut serve pra gente dar uma "espiadinha" nos nossos amigos, amores e paqueras. Quem não quer ter sua vida "invadida", não faça orkut, ora mais!
Sempre gostei do orkut por ser um hall dos exibicionistas assumidos, aí vem essa onda de "respeito e privacidade"?! Não, não concordo!
Eu tenho orkut porque gosto de aparecer, sim senhor! Mentira de quem disser o contrário, todo mundo quer ser visto, ser lido, ser desejado, por que não? O orkut é um belo portfolio, um cartão de visitas que pode te abrir portas. Claro que sempre vão aparecer uns malas sem alça, mas é o preço que se paga pela fama.

* Juntem-se à minha corrente de orações para a Globo desistir de fazer Big Brothers e investir em séries fantásticas como "Queridos Amigos". Hoje estou caindo de sono, mas não posso perder um dos últimos capítulos da última semana!

terça-feira, 25 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Do que alaga

Chuva de manhã = sono e preguiça de levantar da cama e ir trabalhar, estudar etc.
Não que tais fatores estejam ausentes se tiver aquele solão, mas, entre 100 pessoas, 99  concordam que a vontade de ficar quietinho sobre os lençóis aumenta nos dias de chuva (e a pessoa que discorda é só pelo prazer de ser do contra).
 
Tal fenômeno sob o comportamento humano não é apenas uma idéia cultural; vem da nossa memória ancestral. Os homens da caverna viviam mesmo uma vida dura, árdua, difícil e qualquer outro sinônimo. Mesmo sem enfrentar trânsito, impostos e o Faustão no domingo, a vida na Idade da Pedra não era bolinho. Para garantir a sobrevivência, eles precisavam caçar as feras mais temíveis e, ainda, fugir da morte quando eram caçados por feras ainda mais temíveis.
 
A rotina desses incansáveis trogloditas começava antes do raiar do sol, pois alguém já tinha rabiscado nas paredes da caverna que "Deus ajuda quem cedo madruga". Dia a dia, lá ia o homídio com seu tacape com a tarefa de levar comida pra casa. Os pesquisadores não sabem ao certo se foi nessa época que definiu-se que cabia à mulher cavernosa limpar caça, acender a fogueira e, quem sabe, temperar com aquele matinho gostoso que crescia ali por perto. Depois de ser conquistada com um tacape na cabeça, imagina-se que a mulher das cavernas não tinha muita inspiração pra ser rainha do lar.
 
Nesses tempos das cavernas, a chuva impossibilitava a caça, já que os animais, que nunca foram bobos, não saiam de suas tocas e ficavam bem escondidinhos. Os mais animados dos homens até sugeriam ir caçar os animais lá nos esconderijos, mas sempre tinha o mais sensato que lembrava da visão limitada no ser humano e o quão longe estava do veículo 4x4 ser inventado. Assim, o dia de chuva era, inevitavelmente, um dia de folga.
 
O pessoal aproveitava para tirar aquela soneca, colocar o papo pré-histórico em dia (acredita-se que o desenvolvimento da linguagem de acelerava nesses momentos), pintar paredes, inventar música, fabricar novas armas (naquele tempo era justificável) e uma série de outras atividades que fugiam da estressante rotina do dia-a-dia (se vc acha que ficar num computador o dia inteiro é difícil, experimente caçar um búfalo).
 
É por isso tudo que nós, homo sapiens conteporâneos, temos arraigada a crença de que o dia de chuva é dia para ficar em casa. Fique à vontade para usar os dados dessa importante pesquisa científica para justificar sua ausência para seu patrão, professor, pai, mãe e consciência. Para que eles te levem a sério, diga que leu na Veja e é uma tese de doutorado de Havard em parceria com Sorbonne. Caso funcione, por favor me avise; não é todo dia que consigo justificar minha preguiça com uma história tão mirabolante.
 
 

quinta-feira, 6 de março de 2008

Joguei papéis e promessas antigas fora.
Alívio!
A verdade é que afetos e memórias não se solidificam mais ou menos se aquela carta, o convite de formatura ou o bilhete engraçado ficam acumulando poeira e ácaros.
 
Pendurei no ar os pássaros que dobrei. Pra enfeitar, pro vento ter com quem dançar.
Poesia de papel colorido.
 
Abri pastas, rasguei contas antigas. Me perdoei por desistir de rascunhos dos artigos que nunca escreverei. As opiniões e revoltas mudam, graças a Deus!
Do material guardado, tirei o agradecimento por todos os processos de dor e alegria que passei. Enfrentei, recuei ou esqueci, agora nem importa. Mudei, cresci.
 
Na filosofia de lá de longe, o que fica guardado estagna a energia. E agora quero por tudo em movimento. Que eu dance, que eu corra, que eu caia e aprenda que joelho ralado que é bom.
 
Limpei a janela e vou pendurar os cristais daquela cidade bonita onde fui tão feliz. Um convite para entrar a luz, para os anjos e sonhos virem bater asas por aqui. Sejam bem-vindos!
 

segunda-feira, 3 de março de 2008

Só lá em casa...

_Mãe, tô com fome. Tem almoço aí em casa?
_Tem, filha. Comprei uma alface tão bonita!
(pausa para exclamação)
 
Esse diálogo não é um trecho de um livro infantil contando a História da Lagarta. Nem dos Coelhinhos ou Tartarugas. Aconteceu comigo, ser humano dito carnívoro e, no momento, faminto. Felizmente, cheguei em casa e tinha, além da alface bonita, arroz, feijão, carne e tomate. Ah bom! 
 
ps: mãe, não adianta reclamar da história. Oferecer alface como atração principal de um almoço merece um post no blog.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A explicação que Newton não deu

Viver em sociedade é uma enorme responsabilidade, mas há quem sabiamente nem pense nisso. Você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas. Pode até achar que tem, mas não. O seu "olhar 43" pode ter funcionado nas horas que você precisou dele, mas não dá pra saber se aquele "alvo" foi conquistado com seu melhor olhar ou com aquela frase idiota que escapuliu na hora errada.

Aquele elogio que você fez pode ter deixado sua amiga neurótica tentando alcançar a perfeição e aquele fora monumental no chato feiosão deu o estímulo necessário pra ele querer provar seu valor. Hoje ele tá super feliz com uma pessoa muito mais legal e bonita que você.

Você nunca vai saber se fulano e fulana se apaixonaram naquele jantar romântico ou depois daquele tropeção no tapete de uma festa chique. Quem de nós não estranha, vez ou outra, um inesperado tratamento super simpático ou aquela grosseria vinda do além?
 
Te amam, te odeiam ou nem notam sua existência, e você nunca vai saber porquê. A roupa certa, o melhor vocabulário e uma dose extra de charme treinado na frente do espelho. Uma piada de mau gosto naquele boteco sujo. Uma crise histérica. Um sorriso. Uma música que tocou no rádio naquela hora de tédio. Um cheiro no pescoço. Aqueles segundo da sua atuação podem ficar pra sempre na memória de alguém ou serem esquecidos pra sempre, até mesmo por você.
A única certeza é que jamais haverá uma fórmula certa para ação e reação nas relações humanas. Mas esse mistério nunca vai deixar de me fascinar.

 

Top 5 - Coisas que não me arrependi de gastar dinheiro

 
1 - Melissa Doc Dog R$ 135,00 (mesmo modelo, mas vermelha)
Na verdade, essa eu ainda nem paguei. Mas ela provou todo o seu valor quando eu saí de casa muito (muito) poderosa com meus super sapatos (mesmo que oficialmente seja uma sandália). Dói o pé, é muito alta, é ruim de andar na calçada, mas me faz feliz.
 
2 - Um ano de Dança do Ventre
Foram 12 mensalidades + o lenço pra treinar + a roupa pra dançar no teatro + o véu + a gasolina e paciência de encontrar a loja para comprar o véu + ingressos pro teatro + ingressos pra ver outras pessoas dançando + etc.
Se eu somar tudo, capaz de ter gastado uma pequena fortuna. Mas não vou somar os valores. É algo que compensou e continua compensando. Tá ficando mais difícil, exigindo mais dedicação e cada vez mais dinheiro, e eu cada vez mais feliz!
 
3 - Viagens
Europa (wow), Porto Seguro, Argentina (wow), Recife, Goiás Velho, Pirenópolis... Não me arrependo de nem um centavo (nem da falta de mais dinheiro). Espero que meus financiadores também não se arrependam da ajuda fantástica que me deram.
 
4 - Kit engabelator de ladrão - Som para o carro
Mudou minha vida! Nada como dirigir feliz com minhas musiquinhas! Melhor ainda é descer do carro sem medo de voltar e não encontrar o som.
 
5 - Promoção Ponto Frio: Secador + Chapinha
Recuperador de auto estima e kit emergencial para saídas glamourosas não planejadas com a devida antecedência. 

domingo, 24 de fevereiro de 2008

É, andei sem postar esses dias. Mas é que ando mesmo desiludida e nenhuma fantasia inspiradora tem passado por mim. Acho que sou uma pessoa criativa e sonhadora, mas a realidade estéril me contaminou e fiquei assim, chata e reclamona. Tento não ficar falando disso, pois isso é chato pra caramba. E se não falo disso, não resta muito mais o que falar...

Estou cansada dos meus problemas e até hoje não sei como resolvê-los. Claro, na teoria a solução pra tudo é bem simples, mas eu me perco na prática, me embaralho dos fios da minha mente e sei lá por onde me perco. No fim, nada se resolve e continuo atolada no mesmo lugar, na mesma poça d'água que criei pra me afogar. Ninguém é culpado, não há vilões, a vida não é cruel. E já que é assim, não tenho direito a gritar por ajuda. Mas juro que sozinha eu não consigo mais.

Mais uma segunda-feira está pra começar e eu só me sinto cansada.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O DIA QUE ELA ADMITIU 2*


No telefone: _Oi Lu! É o Cris!
_Oi. (seca)
Pausa pensativa dele (o que será que aconteceu dessa vez?).
_Escuta, o pessoal marcou de ir lá no Arpoador. Tá afim?
_Que hora?
_Fim da tarde.
_Fazer o que?
(putz, ela tá muito chata hoje)
_Ver o pôr do sol, conversar... essas coisas.
_Humn, vou não.
_Por que?
_Porque a Ludmila está com trinta e dois anos, Cristiano. Ela já cansou de ver o sol se pôr e nem tem mais idade pra ter "turma" (esse turma bem irônica).
_Ué, você adorava há uns anos atrás.
_ Há sete anos eu adorava mesmo. Mas ia lá só pra te beijar.
_O que?! (engasgo)
Suspiro. Ela, na verdade, está tão desiludida com a vida que até confessou um segredo de anos. Ia só pra beija-lo, mas só acontecia de vez em quando e ele nunca levou a sério. Ela acabou se casando com outro cara que nem gostava tanto e se acostumou a ser só amiga do Cristiano. Com os anos, se afastou da turma, mas continuou falando com ele de vez em quando. Há seis meses, ele está mais presente tentando ajuda-la a superar o fim do casamento.
Quebrando o silêncio, ele falou: _Escuta, aí do teu prédio dá pra ver o pôr do sol, não dá?
_Subornando o porteiro pela chave da casa de máquinas do elevador, dá sim.
_Então eu vou aí ver o pôr do sol do seu jeito, tá?
E ela se lembrou que sabia sorrir sem doer.


* O número 2 é porque eu já usei esse título num outro texto ainda não publicado.
* Ilustração chumbrega by me, modelo by me e foto by Ana Paula.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vou casar com o André

Uma viagem pra Recife serviu pra aumentar meu amor por Brasília. Pois é! Impossível não se apaixonar pela banda inteira e, principalmente, pelo vocalista da banda Móveis Coloniais de Acaju (DF). Eu e Ana Paula, que concorre comigo e com outras mil fãs ao cargo de primeira-dama da banda, apostamos que ele se chamaria Roberto. Hoje, minha primeira tarefa aqui no trabalho foi pesquisar o nome real do meu futuro marido. No site, ele avisa: "Não se enganem, André Gonzales é uma farsa". Por enquanto, pretendo pagar os ingressos dos shows pra ver...

Mudando de assunto...
Cheguei de Recife ontem (domingo) e tava super cansada. Foi impossível sair do sofá pra telefonar ou mandar emails/scraps pra alguém, ainda mais que porque na estava passando "Um Lugar Chamado Notting Hill", que eu nunca canso de ver. Hoje devo voltar à vida real e prometo tornar o processo de readaptação um pouco menos lento que o usual (e isso pq passei uma semana fora, imagine um mês...). Ah, e a viagem pra Recife/Olinda foi boa demais!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Habib

Aumentou o preço. Diminuiu o tempo. Agora, também posso pagar por aulas extra aos sábados. Mas acho que vou reclamar muito pouco. Ontem voltei à aula de Dança do Ventre. A técnica, as amigas, a música, tudo estava lá, no mesmo lugar, mas parecia melhor.
 
Estou um tanto desengonçada pelos meses sem prática. Meu "twist" (uma viradinha com o quadril) está um horror. Mas tudo bem, peguei umas variações novas sem dificuldade. Saí da aula tão empolgada que demorei a ter sono. Como é bom encontrar uma coisa que dá ânimo! Além de prazeroso, é lindo!
 
Volto aos palcos em junho (ha ha). Me aguardem!
 
 
Ps: Alguém em explica, como, meu Deus, como os melhores estúdios de design não estão me disputando aos tapas? Que ilustração fantástica feita em poucos minutos! Uau pra mim! hehehehehehe

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008





Ele chegou e disse enérgico: É hoje. Já pensei em tudo.
_O quê? Hoje!?
_É.
_Mas... você pensou bem?
_Pensei em tudo.
_Mesmo?
_Em tudo, cara! Pensei em tudo! Não há nada que possa acontecer que eu não tenha pensado.
_Se der errado?
O resoluto sorriu desdenhoso. _Ora, meu caro, pode dar errado, pode dar certo. Não me importa mais. Qualquer coisa que acontecer eu já pensei, e nada poderá me surpreender.
Impressionado com tamanha certeza, o amigo deu de ombros. _Que seja!

Pouco mais tarde, ele chegou e disse de uma vez:
_Mariana, estou apaixonado por você.
E ela não fez cara de surpresa ou espanto, não achou ruim, não fez cara de quem já sabia, não achou estranho, não pôs a mão no coração e achou lindo, não disse oh, não me diga, não saiu correndo, não disse que já tinha outro, vamos ser amigos e nem caiu em seus braços dizendo que seria sua pra sempre. Ela sorriu.
Sorriu!
De uma maneira tão nova, tão pura e bela que fez as pernas dele tremerem.
Sem saber o que dizia, ele falou: _Na verdade, eu te amo.
E isso ele não tinha pensado.

É certo que ninguém gosta, mas eu detesto me sentir burra. Não sei o que é gateway padrão, não sei a diferença entre um modem homologado e outro não homologado. Sei que existe, mas não sei mesmo como funciona o tal do IP, que é como o RG do computador (acho). E ontem desligaria o telefone xingando até a avó do atendente que me tratou mal, mas fiquei mesmo desoncertada por ser tratada como estúpida. Eu, que costumo me sentir o máximo em informática porque resolvo dois ou três problemas aqui da redação, tive minha "auto-estima tecnológica abalada". Sorte que meu computador sabe que fazer feliz, apesar de ser um idoso caquético. Reiniciei e tudo voltou ao normal. O tal atendente burro da GVT pode continuar com sua estupidez: eu ainda tenho minha boa fé e meus santos bites protetores.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Procurem a cabeça de burro!

Não sei se essa expressão existe fora de Goiás. Por aqui, costuma-se falar que um local deve ter uma cabeça de burro enterrada quando ele, de alguma forma, dá errado. Seja em diversas falências comerciais, seja pela vida de quem mora lá ou qualquer outra zica. Pode-se culpar a tal cabeça de burro por tudo que é ruim por ali.

Há anos morando no Setor Oeste, passo sempre em frente ao condomínio Porto Ferrara, na mesma rua onde moro. Esse prédio foi um dos muitos edifícios que ficaram inacabados na massa falida da Encol, aquela construtora que foi a maior da América Latina e deixou milhares de pessoas na rua da amargura, literalmente. O Porto Ferrara passou anos com as obras paradas. Os compradores esperaram em vão por uma solução da Justiça. Perderam muito dinheiro, já que o apartamento é de luxo, e quase perderam a esperança e paciência. Por fim, os já lesados cidadãos desenbolsaram mais uma fortuna para terminar a obra do prédio, que andou devargazinho, mas foi concluída.

Passando sempre pelo local, notei que a ocupação foi tímida, mas, por fim, o prédio parecia ter entrado nos eixos e deixado o passado amargurado pra trás. Mas esqueceram da cabeça de burro por ali.

Infelizmente, 2008 começou de uma forma muito triste no Porto Ferrara. Na noite de 04 de janeiro, uma criança de apenas 3 anos morreu ao cair do 12º andar do edifício. Parece que foi uma simples olhada curiosa na varanda do apartamento que causou a tragédia. Não sei como os moradores reagiram, não passei por lá no dia do acidente. Acompanhei a notícia pelos jornais e não me interessei em repercurtir o caso na tv. Não tinha muito mais o que falar. Uma criança cair de uma varanda é realmente muito triste.

A história ficou na minha cabeça e hoje pensei na cabeça de burro. Vasculhem as fundações, deve ter alguma coisa. Um prédio que deveria ser celebrado pela sua ótima localização e pelo maravilhoso apartamento de luxo não deveria ter tanta tristeza reunida em sua breve história.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Post chato de uma doninha de casa

Ontem, fui ao supermercado e levei meu companheiro mp3 player. Sem ele, fica muito difícil fazer compras em paz, principalmente naquele antro. Estava eu escolhendo cenouras quando vi uma pequena aglomeração em torno de um home theather: Celine Dion berrava a plenos pulmões "I´ll be waaaaaaaaiting for youuuuuuuuuu". Eu, com Arnaldo Antunes no ouvido, olhei para os que assistiam ao show de Celine e pensei "pobre humanidade"!
*
Por falar em supermercado, estou quase me convencendo que o Extra não é caro. Pelo ambiente que se encontra lá, talvez seja até barato. O problema é que eu não topei pagar, então fui no Moreirinha (Gente da Gente, 100% Goiano - que maravilha se slogan!). Olha, podem me chamar de fresca e preconceituosa, mas aquilo ali é tétrico, um horror!
 
Para se chegar às verduras e frutas, você atravessa jeans, dvd´s, perfumaria e um tantão de coisas promocionais amontoadas e pega uma escada rolante que, apenar das placas de "sobe" de um lado e "desce" do outro, tem um funcionário pra controlar o trânsito. As verduras estavam sofríveis, mas isso quase não me incomodou. Nas outras seções, uma coisa não se liga à outra com muita facilidade, e achei meu queijo cottage graças à plaquinha que indicava "Gordurosos".
 
Gente, alguém me explica como um supermercado coloca uma plaquinha de "Gordurosos"???? Ok, a manteiga, queijo e etc são mesmo gordurosos, mas precisa lembrar o cliente? Não sei como venci o preconceito e entrei mesmo assim no temido corredor.
 
Os caixas ficam expremidos e quase não se encontra-os, já que no meio do supermercado tem uma lojinha de presentes (expremida, é claro). Não sei se é minha memória induzindo as coisas, mas tenho a impressão que a iluminação ali é péssima. Quando chegou minha vez de passar as compras, três crianças brincavam na barra de ferro que separa os caixas. Pedi licença pra passar o carrinho e fui solenemente ignorada. Minutos depois, passei o carrinho por cima de pés e esbarrando naquelas mãozinhas, mas ó, a tia avisou. A mãe achou ruim, mas não fez mais que me olhar feio.
 
Chegando no estacionamento, as rodas do carrinho faziam um barulho infernal pelo atrito com o piso, que era tanto que meus braços tremiam. Quando finalmente (ufa!) guardei as compras no carro, uma grata surpresa: o guarda do estacionamento prontamente pegou meu carrinho para guardá-lo.
 
Não sei se os 60 reais que gastei no Moreirinha seriam 80 no Extra (meu preferido) ou 70 em outros supermercados da capital. Talvez ficasse a mesma coisa, não sei e não quero comprar. Mas tenho certeza que não volto no supermercado onde "meu dinheiro não sai de Goiás" tão cedo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Por que o leão é considerado o rei dos animais?

Procurei no Google e não encontrei uma resposta satisfatória, mas acredito que o Leão mereça esse título porque: 1 - O Leão macho não caça nem cuida dos filhotes: sua maior função é defender o território; 2 - Apesar de serem capazes de caçar muito bem, raramente vão a luta porque a juba superaquece seus corpos, o deixando exaustos em pouco tempo (ufa, mona!); 3 - Em um grupo que pode chegar a até 40 membros, a maioria é de fêmeas subservientes a um único macho; 4 - a maior parte das vezes que vemos um leão macho ele encontra-se relaxado, se não estiver a dormir. (fonte: Wikipedia)
 
Tudo isso me parece bastante com a vida real dos monarcas que conheci nos livros de História e nas páginas de Caras.
 
(assunto bobo né? Essa dúvida me passou pela cabeça ontem a noite... Ando sem tempo/oportunidade pra escrever porque estou sem meu quarto e, consequentemente, sem meu computador.)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Lá de lá

Hoje o dia teve um sentido absurdo de irrealidade. De repente, é como se meu passado nunca tivesse acontecido. E não pude lembrar o cheiro ou gosto das pessoas que beijei. Não lembrei o timbre exato da voz da minha melhor amiga de tempos e tempos atrás. Eram imagens em preto e branco que alguém me deu, mas não fui eu que colecionei. E assim meu amor aos que estão distantes se tornou maior, do tamanho do universo. Eu sou o mundo. Eu sou o amor.


Minha irmã mais nova, querida Faena, tornou-se uma arquiteta. Meu primo tá se formando em Fortaleza. Minha prima vai casar. Outros dias ficaria triste por estar tão longe, mas hoje tenho certeza que sobreviveremos a distância e nossas vidas não se perderão umas das outras. Temos o orkut, temos as fofocas de família, temos as voltas que o mundo há de dar. O tempo certo vem.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Ele simplesmente não está a fim de você


"Doeu? É para doer mesmo. Foi forte demais? A intenção era essa."

Nunca li esse livro. Não sei se é bom, não tenho a intenção de comprá-lo. Mas sua capa me ensinou muito (vejam que desastre de marketing, o consumidor aprende ao ler a capa e não compra o produto!). Toda vez que me interesso por um carinha, fico armando mil estratégias pra encontrá-lo, traduzo os sinais (dos mínimos aos óbvios) como provas do interesse dele, me encho de esperança e... bem, na maioria das vezes, nada acontece. O "Sr. Fulano Bola da Vez" simplesmente não faz nada, ou continua fazendo pequenas gracinhas, sem o tal passo "a mais".

Para as moralistas de plantão que me conhecem, afirmo que o "Sr. Fulano Bola da Vez" não é aquele que faz-gracinhas-mas-tem-namorada. E também não vou dizer quem é porque não há nada pra dizer. Hoje, a frase título desse post caiu como uma luva para responder a falta de notícias dele. E, é claro, como percebi isso, eu o odeio.

Ok, odiar é forte demais. Eu não o odeio e nem me odeio por ter me interessado por ele. Mas o desperdício de energia, tempo e pensamentos é algo a se lamentar. Se eu pudesse pedir algo ao cosmos, pediria pra só me interessar por sujeitos que valessem a pena. Tá... sei que é demais. Mas queria mesmo não me interessar pelo primeiro que me trata bem e me dá um quê de atenção especial. Eu, que sou uma mulher razoavelmente inteligente, não entendo como posso sempre entender tudo errado. Então aquele abraço não significou nada? Aquelas perguntas sobre um assunto que só eu gosto, aquele sorriso ao me ver, aquele aperto brincalhão, as especulações sobre o que se passa no meu coração... Tudo era nada? Não consigo entender.

Será que interesse mútuo é algo raro demais pra acontecer comigo? Quais sinais realmente indicam que ele "tá querendo"? Como separar uma brincadeira inocente de um comentário com segundas intenções? Juro que trocaria algumas de minhas habilidades (são muitas) para entender um pouquinho mais desse assunto. Estar sempre perdida nessa área é realmente cansativo e o pior: nada produtivo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Por esses dias...

Humpf. Hoje vou ter que ficar o horário todo no trabalho. É engraçado como uma coisa tão normal há poucos dias já parece martírio. Há quase um ano, eu trabalho por aqui de 8h às 17h. Mas há pouco passei a trabalhar só até as 14h. Hoje tenho que substituir uma amiga e o fim do expediente nunca me pareceu tão longe. Mais café, por favor.
 
#
 
Essa semana foi muito especial pra mim. Terça e quarta, mostrei o resultado de quase um ano de dança do ventre no palco do Teatro Goiânia. Estive tão envolvida com isso que agora estou com saudades. Estava cansada, mas fiquei muito feliz. Meus amigos queridos foram me aplaudir e meu irmão ficou todo orgulhoso. Como eu mesma comentei ao ver o vídeo: Eu danço demais, uhu!
 
Além de cumprir direitinho uma tarefa que me propus: aprender e apresentar uma coreografia, foi interessante fazer parte da preparação do espetáculo. Ver um micro cosmos todo voltado à dança é algo bonito de se ver. Participar, então, é quase uma honra, se eu não lembrasse o tempo todo o quanto cada aluno paga para ter o título de dançarino. Ano que vem pretendo fazer tudo de novo.
 
#
 
Ontem quis ser Chuck Norris. Fui estacionar o carro na garagem e um reluzente Classe A preto (placa JGN-6629 Brasília) impedia minha passagem. Depois de um tumulto para estacionar em outro local, fiquei de plantão ao lado do invasor e resolvi escrever um bilhetinho desaforado. Mas, mal acabo de pegar caneta e papel, chega o belo condutor e me olha torto. Segue-se a cena:
Eu: _Esse carro é seu?
Belo condutor: _É.
Eu, apontando para a garagem bloqueada: _Olha, fiquei sem entrar aqui por sua causa.
Belo condutor com óculos escuros: _Ah, isso aqui é uma entrada? 
Eu (mão na cintura e braço estendido, de revolta): _É uma garagem, não deu pra perceber???
Belo condutor abre a porta do carro, senta, põe o oculos no alto da bela cabeça e exclama: _Ai ai ai... (traduzindo: ai ai ai... tenho que aguentar essa plebéia irritante questionando meu nobre direito de estacionar onde bem entendo!).
O Belo foi fechando a porta e eu: _Olha, eu te desculpo, apesar de você não ter pedido.
E a beleza foi embora, sem dizer nada, sem ao menos me falar um nome feio. Como se pudesse mesmo ignorar minha existência.
Ah se eu fosse Chuck Norris...

domingo, 28 de outubro de 2007

O shampoo que eu sempre uso acabou. Faltou tempo, disposição e, confesso, dinheiro pra ir ali comprar outro (ele não é caro, mas...). O fato é que lavei o cabelo com outro shampoo e meu cabelo ficou uma bosta. O fato corriqueiro é fácil de corrigir, basta ir comprar o de sempre e pronto, posso voltar a ser feliz (parcialmente, pq é difícil uma mulher realmente feliz com seu cabelo). Mas o que me incomoda é que meu cabelo, do jeito que eu conheço e gosto, não é meu! Ele é daquele shampoo e creme, que agem em conjunto e dão o aspecto que eu gosto aos meu conjunto de fios. E só eles, até agora, conseguem fazer isso sozinhos, sem o auxílio de secador, creme de pentear, chapinha e mil outros recursos. Não é revoltante que uma única marca de shampoo detenha o poder exclusivo sobre mim? O outro shampoo que tenho é superior ao outro em marca, qualidade e preço, mas simplesmente não serve! O cabelo que eu gosto não é meu, é daqueles dois imperadores! Dependo da presença deles para não me preocupar demais e deixar pra semana que vem aquele banho de creme ou qualquer outro tratamento salvador. Isso é anti a liberdade de escolha! Protesto! Mas vou já ali comprar o conjunto que se apoderou da minha identidade capilar. Afinal, antes presa a uma coisa boa que ter a liberdade de escolher os efeitos ruins.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Acordo

Ela se olhou no espelho do elevador e retocou o batom. Precisava parecer um pouco mais alegre, precisava tornar a máscara da mulher bem resolvida convincente. "Sem ressentimentos, Marco Aurélio, sem ressentimentos. Claro, podemos ser amigos", repetia mentalmente a frase para ver se poderia se tornar um pouco mais verdade.

Mas era impossível não ver que Nara estava triste. Subir de novo naquele elevador era doído demais, e não fazia idéia de como seria ir até o sétimo andar, parar em frente ao 704 sem chave e tocar a campainha. Lembrou-se do dia em que ele lhe deu a cópia da chave, lembrava de ter entrado ali nos braços dele, das sacolas semanais de supermercado, da reforma interminável, dos jantares românticos, lembrava de tudo.

Parou à porta e pensou em descer correndo as escadas, mas respirou fundo e tocou a campainha. Nada. Tocou a segunda vez desejando ardentemente que nada continuasse, mas ele veio correndo e abriu a porta de toalhas. Ficou surpreso ao vê-la. "Você?", a expressão de total desentendimento era pior que uma surpresa desagradável.

_Você esqueceu?

_Ah, desculpe Nara, a gente tinha marcado?

Aquilo doeu mais que a separação. Marcaram há uma semana o encontro para assinar os últimos papéis que diziam deles marido e mulher. Ela passou a semana se preparando para isso, duas sessões de terapia, conversas de apoio com os amigos, artigos de revista e até um programa de tv que achou encorajador. E ele esqueceu.

Falando muito baixo para não demonstrar a confiança desmoronando, ela disse muito baixo: _Os papéis.
Ele bateu na testa e pediu mil desculpas: Entre, entre.

Sentou como visita naquele sofá que ela comprara enquanto ele se apressou para vestir uma roupa. Devia estar entrando no chuveiro quando ela chegou, pois estava suado e com o cabelo em rebeldia.

Voltou pouco depois com uma bermuda e camisa amassada. Sempre tão desorganizado, como estaria se virando sozinho? Olhou ao redor e viu que a sala estava impecavelmente arrumada. Tinha um cheiro bom. Seus objetos estavam nos mesmos lugares. A decoração era exatamente a mesma e Nara imaginou que ele sempre gostou mesmo daquilo tudo e por que desmancharia uma sala tão bonita? Devia servir para encantar as mulheres que ele levava para lá. Seu apartamento virou um matadouro. Vacas, piranhas, cachorras... as imaginava entrando ali e aceitando um drinque. Ele falava qualquer coisa que ela não estava ouvindo, separando os papéis de uma pilha... a rescisão de contrato com o banco, a transferência do carro que ficara para ela, o acordo sobre o apartamento, algumas correspondências sem importância, um financiamento de uma chácara que ela agora iria assumir... enfim, o fim.


Ele juntou a pilha e colocou na mesinha na frente dela. Saiu para buscar uma caneta, ainda tão desconcertado com a presença dela ali que não achava nada com facilidade. Ela perguntou, tentando ser casual:

_Não está trabalhando hoje?

Ele ficou ainda mais perdido. _Me atrasei agora à tarde, daqui a pouco vou lá.

Ela nem se perguntou o motivo do atraso dele, estava mais ocupada em sofrer no momento. 
Quando finalmente tinha a caneta e Nara se preparava para assinar os papéis, ouve uma voz lá de dentro: _Amor, viu meu celular?

E uma jovem estonteante entra pela sala seminua e ainda suada. Pior que o choque de ver o motivo de um atraso para o trabalho foi ver a intimidade que ela tinha na casa. Procurava nas gavetas e por cima da mesa, quando entrou na sala, viu Nara e fez aquela cara de "Ué?". Marco Aurélio perdeu a cor. A moçoila pediu perdão, que não sabia que ele tinha visitas, que voltaria ao quarto, com licença, até logo, tchau.

Nara estava estática. Teve medo de começar a chorar, mas não precisou se controlar. Era um baque surdo que atingia seu estômago e a deixou paralisada. Levantou devagar e andou pelo ambiente. Não tinha notado os porta-retratos com o novo casal. Foi à cozinha e a comida era toda light diet naturella. Dela. Um batom jogado, uma bolsa ao acaso. Ela morava ali.

 _Me desculpe, Nara, eu não queria que você tivesse visto isso. Não queria magoar você, poderia ter sido mais sutil.

Ela escorregou numa cadeira e falou: Tudo bem.

Ele se apressou: _Toma uma água, vai te acalmar, me desculpe.

Deu a ela o copo gelado e correu ao quarto, não para brigar pela inconveniência, mas para falar desculpa amorzinho, pensei que fosse ser mais rápido, te deixei esperando, beijinho, beijinho, já volto, te amodoro princesinha.

 Encontrou Nara de pé no meio da sala de estar. Tinha uma faca na mão.

_Calma, Nara! O que é isso! Você não vai fazer nenhuma loucura, não é?

Ela indicou com a faca uma poltrona: Senta aí.

Trêmulo, ele obedeceu.

Ela pegou um objeto na estante. Caro, refinado, de bom gosto.

_Eu comprei isso aqui.

E pá, no chão. Ele tremeu e falou: Narinha, o que é isso?

_Narinha é sua avó e você vai ficar calado.

Pegou outro objeto e de novo pá. Pá pá pá pá pá. A estante inteira.

Ele quis correr, mas teve medo.

_Você deu uma desculpa esfarrapada de crise existencial pra acabar um casamento de oito anos e tem uma vagabunda da minha casa? Desfrutando da decoração que eu fiz? Do conforto do meu lar?

E destruiu a sala numa velocidade assustadora, quase ninja. Marco Aurélio correu pra acalmar seu benzinho assustado e pensaram em ligar para a polícia, mas ela tinha cortado o fio do telefone. O porteiro, mas o fio do interfone também.

O celular dele estava mais perto de Nara, era muito arriscado. O dela ela não achou.

Nara encarou  o casal e mandou: Sentem aqui e fiquem quietos. Suas vidas não correm perigo.

Em pânico, obedeceram.

Correu o resto do apartamento e quebrou tudo o que pode lembrar que ela mesma comprou, os pratos que lavou durante anos, a panela de fazer a farofinha do maridinho virou aço inox pela janela! Quebrou tudo que ela tinha posto ali para decorar e ser útil ao lar feliz que achava ter construído.

Deixou o resto porque estava mesmo velho, e ela não queria mais os lençóis que dormiram abraçadinhos e não queria mais nada além do dinheiro dele. Uma viagem, uma lipo, um amante. Ele ia pagar tudo, jurou.

Voltou à sala ele estava explicando para o 190 o que estava acontecendo. Ela pegou o celular dele e jogou pela janela. Ainda viu de relance que a foto na tela era dos dois juntinhos.

_Escute aqui, imbecil: eu não assino papel nenhum e você agora fala com meu advogado. Prepare o bolso. Quero até o último centavo.

 Saiu batendo a porta e teve uma crise de riso no elevador. Foda-se a terapia, foda-se o consolo dos bons amigos. Ela agora era vingança, ganância e sede de viver. Isso merecia um Bloody Mary. Libertador.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Reflexão

De repente ela está ali
Parada
Me olhando
Essa mulher não é de todo mal
Só me parece um tanto infeliz ou cansada, nem sei
Não tenho nada contra ela
É só que ela deveria se parecer um pouco mais comigo
Mas nem a conheço
De modo algum a imagem que vejo é proxima a que sempre imagino
E ela, parada, me olha de volta
Parece alheia ao que sinto
Não lhe causa estranheza me olhar daqui? pergunto
Ela se entristece
Não sendo eu, não pode ser ela
Porque ela sou eu no espelho
Mas eu não sou ela
 
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Segunda-feira

* Meu despertador estava programado para 6h45
 
* Passei 15 min na "soneca".
 
* Nos últimos 5 minutos da soneca, meu cérebro e corpo, cansados e precisando de umas horinhas a mais de sono, me fizeram sonhar que eu já tinha perdido a hora e não adiantava mais me apressar.
 
* Convencida pelo sonho, desliguei o despertador.
 
* Acordo meia hora depois achando que já eram umas 08h30. Mas o relógio marcava 7h26. Deve ter sido uma parte responsável do meu cérebro. Tive que me arrumar em 5 minutos para não perder o ponto.
 
* Agora estou aqui, no meio da manhã, cansada, sem produtividade alguma, com cara de sono e mal humorada. Mas o ponto, parâmetro absoluto do bom trabalhador, foi "batido" às 8h06 da manhã.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Tédio na Hora do Almoço

Primavera

8h05 da manhã, uma gordinha entra na cantina com cara de desanimada e suspira. A "tia do lanche" pergunta:
_Uai Fulana, o que foi com você?
A gordinha responde: _Ah, fiz 30 anos né? Vou fazer o que?
E outro suspiro.
 
Eu, que estava no cantinho aproveitando meu café com pão, respondi em pensamento:
 
_Uai filha, vai continuar vivendo, né? Ou se mata, porque aí vão dizer que você morreu jovem!
 
É cada uma que eu escuto, vou te contar...
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Resumo

É minha cara. Tem dias que eu concordo com você: Tá foda! Ou, como dizem os espertinhos de plantão, se fosse foda pelo menos era bom!
Seu emprego é um saco, mas nem é esse emprego. Você já cresceu o suficiente pra aprender que saco mesmo e ter que trabalhar. Mas pior ainda é ficar desempregada. "Deuzulivre"! Você ganha uma merreca, sabe que a merreca é alta em relação ao salário da maioria dos brasileiros e vê os afortunados com Q.I.s e costas-quentes dançando felizes, dando cambalhotas, fazendo estripulias e palhaçadas na sua cara. Deve ser pra rir, você que não entendeu.
Pra sair dessa merda, você tem que ser otimista, obstinada, ter força de vontade, muita garra e fibra. Acredite em você! E estude, rache a cara de estudar. Não importa o quanto você está cansada ou sem a menor paciência pra decorar um código que ninguém segue. Só que você precisa disso pra ser mais feliz, você acha, ou pelo menos aposta que isso te deixaria mais rica e, consequentemente, mais feliz. Você já gastou dinheiro, pagou a primeira parcela (e tá fazendo falta esse valor), mas ainda tem outra parcela mês que vem. Respire...
E quando chega o fim de semana, você não tem ninguém esperando pra ficar o dia todo com você ou pra, finalmente, passar mais de quinze minutos na sua companhia. Você ficou animada com um convite, mas era brincadeira daquele cara que você sempre foi afim. Engraçado ele né? Tão espirituoso...
E pra completar tudo você se lembra que não tem tempo de malhar e não tem ânimo pra fazer um regime. Você não tem força de vontade. Você é fraca e tem fixação na fase oral (seu futuro começou a ser arruinado na tenra infância, sinto muito).
Resumindo, você deve lembrar na sorte que tem por estar viva e com saúde. Você mora em um país sem terremotos, tsunamis ou vulcões. O que é um deslize aqui, outro ali, dos seus governantes, aqueles caras que distribuem de forma esquisita os (muitos) impostos que você paga. A população fica na miséria e você pode ser assaltada, estuprada e morta porque é burra e não tomou cuidado.
E você nem tá pedindo arrego... Só quer que não te encham muito o saco hoje (pq você pode estar menos realista amanhã). Na verdade, você queria uma mãozinha do mundo, do destino, dos céus, dos outros, seja de onde for, pois você realmente acha que se esforça bastante e não merece as coisas desse jeito. Mas você não pode admitir isso, afinal, seria covardia e comodismo não admitir que tudo isso é apenas um resultados das suas ações e, é sim, tudo culpa sua.
Infelizmente, cara amiga, não nada de animador pra te falar e nem tenho bons conselhos (até mesmo porque sei se você está cheia deles). Só queria falar, se é que isso ajuda, que eu te entendo. Mesmo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O que me faz falta não é o teu corpo ou voz. É a presença do sublime. Na vida, as pessoas profundas precisam de conexões, ainda que raras, com algo de superior e mágico, e todo mundo sabe que você tem a sua chave. Te vi de longe semana passada e quis ir te cumprimentar mas não, deixa pra lá. Sabia que num breve "oi" eu não te daria o tempo incerto de deixar escapar ao menos uma minúscula porção daquela mágica que é rara, e, talvez por isso, seja tão capaz de me alimentar por completo.
Por esses dias rasos, me consolo com meus suspiros e com a certeza de que ainda seremos intensos juntos, não sei como, nem onde, mas sei.
Cotidiano das Cidades... peguei isso de um filme, e não vou saber citar o nome do diretor para dar créditos certos, mas recomendo o filme (que nem sei se foi distribuído, minha amiga pode já ter perdido a fita que ganhou).
Percebi esses dias que nunca vou me acostumar com o cotidiano de fazer a mesma coisa todos os dias. Vou aguentando aqui e ali, pois preciso, mas é certo que a regularidade me incomoda. Hoje estava planejando alterar uma rua do meu trajeto pra me livrar de um pequeno congestionamento (pq dos grandes eu já desviei). Calculava se valeria a pena alongar ainda mais o caminho e, de repente, percebi que qualquer rua que eu seguir vai fazer parte do mesmo caminho para o mesmo lugar. Não é tempo que eu quero economizar. É tédio.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sobre a escopeta


Ontem fui contar pro Fafá sobre minha sonhada escopeta (post anterior) e ele falou que eu não ia conseguir manuseá-la. Eu disse que treinava, mas ele respondeu que os puliças do Rio treinam e, mesmo assim, não conseguem. Acho que a força do tiro deve me jogar pra trás, se é que eu consigo disparar o tal tiro. Acho que vou ter que trocar de arma (ou estratégia) em busca da paz no trânsito...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Paz no Trânsito

"Só Buda seria capaz de dirigir nesse trânsito sem se estressar!"
Irritada com várias barbeiragens dos outros e um engarrafamento enorme no caminho de casa para o trabalho, cheguei à conclusão acima. Sim, eu sei que a cidade cresce desordenadamente, que nunca se vendeu tanto carro zero como atualmente, que o transporte público é uma merda, que as regras do trânsito são complicados, que somos muitos e as vias de acesso são poucas etc etc etc, mas... puta que pariu! Tudo seria menos caótico com o mínimo de bom senso e/ou habilidade de dirigir. Até hoje me pergunto se as pessoas dirigem mal por desleixo, falta de conhecimento ou pura sacanagem. Em muitos casos, tenho certeza, é sacanagem.

Quando eu tiver mais dinheiro, não pretendo trocar de carro imediatamente. Vou comprar uma escopeta para a paz. Um cara me fecha?! Estouro o pneu de trás. Um louco andando a 200 km/h perto de escolas? Os dois pneus. Playboy na Landhover (como se escreve essa p.?) que passa com som estourado disparando os alarmes dos carros estacionados? Quatro pneus, aí espero ele descer do carro e estouro o carro todo (pois é, sem mais mortes no trânsito, por favor!). Além de fazer um favor para a cidade, tenho certeza que estarei bem mais perto de atingir a tão sonhada paz interior.