Cotidiano das Cidades
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Purificação
Eu, a mulher sonhadora pela qual você se apaixonou um dia
O filho que tentamos, mas nunca foi fecundado
A casa no campo muito maior que nossas contas bancária poderiam suportar
Já morremos, acabamos
Sobrou de mim uma senhora pragmática cuidando de muitas vidas, menos da sua
Sobraram fotos de piadas que você esqueceu e eu já não acho graça
Ficaram os amigos em comum, divididos entre a velha triste e o jovem senhor animado
Ficou um terreno estéril de onde nada mais virá
Não venha nos dizer adeus
Eu, o apartamento no centro da cidade, o cachorro manco, os vinhos guardados... envelhecemos todos esperando uma grande celebração, um dia ao sol, uma alegria plena e um lugar nos seus sonhos
Talvez estejamos mesmo melhor sem você
Mais dignos, com um olhar endurecido menos desconfortável que os ares de pedinte de outrora
Vá, viva o que lhe resta do seu corpo encarquilhado queimado de sol
Gaste dinheiro com novas flores
Corra o que lhe permite o doutor
E, por favor, se esqueça de tudo até o fim
Até que o tempo apague as mais formais recordações de que um dia estivemos juntos
e cometemos o ato ridículo de sonhar em sermos felizes
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Independência com vassouras
domingo, 28 de agosto de 2011
Ressaca
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Soprando a poeira
quinta-feira, 5 de maio de 2011
5 de maio
terça-feira, 22 de março de 2011
Luzia e os Dragões de Komodo
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Agatha Couto <agathacouto@gmail.com>
Data: 31 de agosto de 2006 16:45
Assunto: Luzia e os dragões de komodo
Para: agathacouto@gmail.com
Dia novo, emprego velho. No meio da poeira do escritório em reforma, Luzia se sentia mofando. Sentia a poeira das paredes derrubadas como partículas da sua pele se desintegrando. Poderia jurar que seus pés criavam raízes do chão naquele momento. Raízes grossas que perfuravam o chão e atrapalhavam o preguiçoso início de expediente no andar de baixo. Imaginou as raízes surgindo do teto e enroscando nas mesas, cadeiras, ofícios, planilhas, grampeadores e funcionários, que nem se incomodavam com a intromissão. Foi acordava do devaneio pelo "bom dia" gritado do Doutor Lustrosa, seu chefe há dez anos, chefe de toda a empresa há três dias. As paredes derrubadas eram o primeiro sinal dos grandes planos que tinham convencido o Armandinho, herdeiro mimado que não queria trabalhar, a lhe dar a presidência.
Luzia fez cara de desdém, respondeu bom dia mal movendo os lábios e entregou a agenda do dia e recados. O chefe saiu e se trancou no seu escritório, lugar paradisíaco com paredes e ar condicionado. "Selva, selva, selva!", Luzia pensava em fugir, viver com os macacos, caçar, lutar com feras, dormir nas árvores. Mas levantou e foi pegar uma xícara de café e um chocolate para agüentar o dia inteiro que tinha pela frente.
Carpete
Eu sinto muito
Porque não te quero mais assim, tão pouco
Você me faz bem e me dá conforto
Mas eu preciso de alguém que me incomode
Que me transborde os poros
E me tenha como vício
Ou que não se importe
Pra eu lembrar do que realmente preciso
Pra me mostrar que essa sala com carpete não nos leva ao quarto nem à saída de emergência
Você nem me promete as emoções que mereço
Não há descida ou subida nesse nosso dia morno
E quem foi que derrubou as pontes e fez esse muro de proteção?
Não sei, isso agora nem importa
Porque está tudo tão bem que só me resta uma bomba
Um rompimento brutal e doloroso
Pra libertar nossas asas, arrancar a grama e liberar nosso grito mais proffundo
Essa máscara envelhecida de gente civilizada não convence mais
Somos animais no cio
sexta-feira, 11 de março de 2011
Os transtornos passam, os benefícios ficam.
Reforma. Não uma, mas várias. Brad, antes de ter tantos filhos para cuidar e uma esposa mais sexy symbol ainda pra se preocupar, tinha uma mania insuportável de reformar suas muitas mansões. Então, imagine Jen (apelido carinhoso para resumir) chegando em casa depois de um dia exaustivo de gravações, comerciais e bajulações. O mestre de obras vem e fala:
_Dona Jennifer, tem que comprar mais três caixas do revestimento de ouro do banheiro do terceiro andar.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Emagreça agora e só comece a malhar em 2014!
Uma idéia meio maluca, mas.. já pensou? Se a gente pudesse mudar de vida AGORA e pagar a prazo?
Por exemplo: você precisa de um fogão e não tem dinheiro. Então você vai lá, pega o fogão e paga um pouquinho todo mês. Um dia, você pagou tudo e o fogão é seu por direito! Se não pagar, alguém vai lá e te toma o fogão (vamos esquecer do Serasa e SPC, fiquemos simples).
Então eu podia emagrecer e ficar gostosa hoje e ir pagando todo mês, aos poucos. Malhando e comendo pouco pra não perder um bem tão precioso quanto um corpo bonito.
Sim, é claro que se eu malhar e comer pouco por X meses/anos/séculos vou conseguir. E estou tentando. Mas acaba que esse aos poucos vai parecendo nunca. Uma amiga fez uma lipo. Foi caro, sofreu, chorou, se perguntou porque fez aquilo. Mas hoje tem muito mais disposição de malhar pra manter o corpo que tem e não quer de jeito nenhum perder. É differente de malhar pra atingir um estado que sabe-se lá se é mesmo possível. Nunca estive lá, não sei como é. Em um dia de tanto cansaço como hoje, depois de enfrentar 45 minutos de ergometria pesada e pensar que tenho que fazer isso pelo resto da minha vida, começo a sonhar com um sistema menos cruel e mais acessível aos reles mortais.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Comer, dançar e morar
sábado, 15 de janeiro de 2011
Back to fitness
Mas... no meio do caminho tem uma pedra, tem uma pedra no meio do caminho. E se chama "força lombar". No primeiro dia, o instrutor me passou um agachamento x porque "você não tem força lombar". Ora, ora, como não tenho? Vou provar que tenho sim. Fui lá fazer o exercício que usa essa tal força e... Bem, amigos, não tenho mesmo. Quase morri pra completar a série. Não era cansaço do dia. Na segunda tentativa, o mesmo desempenho vergonhoso.
Tem sido tão difícil fazer uma flexão lombar que me pergunto como vivi todos esses anos com esse músculo praticamente sem força. Como consegui dançar, rebobar, andar ou olhar pra trás virando o corpo? É tão difícil exercitar esse músculo na academia que me pergunto como ele sobreviveu esquecido no meu corpo, sem uma tarefa importante pra fazer.
Queridos leitores, bem vos digo, desenvolvam sua força lombar. Dores nas costas, espinhela caída, falta de postura, insônia, falta de emprego, zica... desconfio que tudo vem da falta de força lombar. É por puro assombro com minha incapacidade que vou insistir no exercício. Imagino que minha vida vai mudar com minha fortifficação lombar. Sigam o caminho da luz, amém!
(pra quem não tá cansado do papo fitness)
Então... Com a graça de nosso senhor, exercitar meu corpo também exercita a mente e venho pensando nesse corpo que chamamos humano. E acho que há uma clara desconexão entre o classe média way of life e o nosso organismo. Se passarmos um tempo apenas vivendo normalmente (trabalhando, comendo, dormindo, saindo de vez em quando, arriscando umas caminhadas aqui e ali, com o diferencial que faço Dança do Ventre uma vez por semana), o corpo vai amolecendo por fora e endurecendo as articulações, tornando tudo flácido e entrevado. Meu estilo de vida não exige do meu corpo sua real necessidade e isso cria vários problemas com o tempo.
Então, qual seria o estilo de vida ideal para não precisar nunca de uma academia? Montanheses sem eletricidade que comem o que plantam e caçam e vão buscar água todo dia no rio lá embaixo? Senegaleses que fogem dos leões para sobreviver? Guerrilheiros da selva? Dançarinos de axé em turnê o ano inteiro?
Olha, porque é meio chato lembrar que sua vida confortável de carro, escada rolante, sofá macio e restaurante por quilo deixa seu corpo decrépito. Não é injusto que todas as benesses que vieram facilitar a nossa vida acabem nos deixando feios e doentes? É claro, tem a alimentação, a cultura e muito mais coisas entre o céu e a Terra, mas, na verdade.. não seria mais legal um corpo que não precisasse de tanto ajuste? Se rolar um programa de Avatar na vida real, sou uma séria candidata.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Uma pequena mágoa de infância
A dentista, a mãe e uma platéia imaginária riram da menina e alguém respondeu: "Ora, comida!". Como se fosse óbvio e pode até parecer hoje, depois que a menina já viu tanto comercial de creme dental e já conheceu outras tantos médicos de dentes.
Surpresa e ofendida, ela aceitou a resposta sem mais questionamentos. Hoje é capaz de entender um pouco mais sobre o mundo adulto e como seria difícil alguém ali reconhecer talvez seu primeiro momento de interesse pelas ciências e por todos os outros mistérios. Porque ela não se surpreende mais de se perguntar tanto sobre tanta coisa, de buscar muitas respostas, de achar algumas e encontrar cada vez mais perguntas. Ela sabe que é bom viver assim.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Olhar não tira pedaço
Pensei isso essa semana quando um cidadão viu um pedaço da minha calcinha e exclamou em tom safado: "Humnm, sua calcinha é salmon."
Gente, não era. Minha calcinha era bege. Sim, aquela cor sem graça que, se estiver em calcinhas, é condenada por uma grande parte do público masculino. Já ouvi falar que é quase um método anticoncepcional. Mas é que esse cidadão, apesar de sua vida certinha de compromissos e atenções, sonha em passear aqui em casa e me fazer companhia numa noite solitária. Acostumada com seus comentários atrevidos, apenas ri e arrumei a saia. Apesar de nunca ter dado meu endereço pra ele, um dia vou lhe agradecer pelas altas doses de ânimo na minha auto estima. Fazer sucesso até de calcinha bege é mesmo muito bom.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Bad Hair Day
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Nem cinza nem surdo
Não dá uma vontade de usar mais o corpo que o teclado, de falar mais alto, de sambar nos corredores do supermercado?! Alguém aí já guardou o divertido no bolso e, na hora da festa, não sabia mais onde estava? Algo assim já aconteceu com você? Comigo já.
Sushi, sexo, dança maluca, 12h de sono, uma temporada inteira do seriado favorito, um bom livro, uma nova paixão. O que você quer agora, nesse exato momento? O que poderia acender seus olhos e deixar seu corpo e alma deleitados de prazer? O que tem gosto de vida plena? O que dá crise de riso? O que arrepia?
Eu sei, eu sei, não dá pra fazer tudo agora. Tem o emprego, o trabalho pra entregar, aquela conta pra pagar, não se pode magoar tanta gente, não tenho saúde, não tenho idade nem coragem. Mas, por um só minuto, não se esqueça do que é estar vivo.
domingo, 24 de outubro de 2010
Assaltos
Achei engraçado seu ar de abusado desprezando meus mil agradecimentos por aquele favor. Eu sei, você sabe, não é educação e polidez que construíram nossa admiração e respeito um pelo outro, nem é isso que faz você sempre voltar.
domingo, 10 de outubro de 2010
SAI DAQUI, ANGÚSTIA!
Sei das tuas garras, que ainda me pegam, mas não sufocam como antes
Agora eu tenho pulmões mais fortes pra gritar, pra te expulsar ou, na falta de forças
pra ficar quieta e esperar que você seja delicada e vá embora deixando meu dia menos esquisito
Porque eu cuido de plantas e cultivo alegrias amenas
Como aproveitar o domingo na piscina semi suja, mas usável
Vencendo o desafio da lâmpaga queimada
Hesitando em ligar para os amigos porque eu não quero que você se meta nas minhas conversas
Então, cai fora!
Se manda
Meu domingo é de paz e eu confio em coisas infinitas
Sei que noite me alivia, pare de atrapalhar meu pôr do sol
A falta dele não deveria abrir espaço pra você
Esse vazio não pertence a ninguém e pode ficar tomando um ar por ora
Coração fresco, cabelos bem cuidados, contas pagas
Talvez não ainda nesse feriado, mas um dia
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Pequeno stress da vida inteira
terça-feira, 14 de setembro de 2010
De tarde
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Melissinhas
Obrigada
domingo, 22 de agosto de 2010
Pulos cegos em abismos
Tenho umas manias chatas. Uma delas é me apaixonar perdidamente antes de qualquer coisa real acontecer. Real digo física, beijar e afins. Muita gente fala que é meio loucura se apaixonar por alguém que eu nem beijei, talvez seja, não sei... Depois da última paixonite crônica, jurei pra mim que ia ser mais prática e nunca mais ia querer casar e ter filhos com alguém que só me dá oi. Anda funcionando (mais ou menos, mas anda).
Acho um tanto canalha pensar apenas em "pegar" um cara, mas foi necessário. Porque tenho tendências românticas. Gosto de escrever bilhete, sonhar acordada, suspirar de amores e imaginar como serão nossos filhos. Todo mundo gosta, não é? E não teria nada de errado se eu não fizesse isso sozinha, sem esperar pra saber se a outra pessoa está na mesma "vibe". E o resultado de entrar nessa loucura sozinha é sofrer um bocado, me decepcionar, perder tempo e jogar energia fora.
Esses dias identifiquei um momento que seria o começo de mais uma idealização. Foi um olhar com música que me emocionou até os ossos (não sei se seus ossos se emocionam, os meus sim). Até agora, confesso, estou meio bamba. Não sou lá tão forte, um segundo ataque desses seria fatal. Mas guardei esse primeiro como um momento bonito e não dei a ele a obrigação de se repetir e evoluir até onde eu gostaria. Me pareceu mais saudável.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Retrovisor
Que roupinha mucho louca
Nela é tudo remendado
Não vale nenhum centavo
Mas agrada a quem olhar."
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Ah, habib!
_ É assim mesmo, a gente senta numa mesa separada, mas a conta vai só para a mesa das mães. Daqui a alguns anos seremos nós, que vamos sentar na mesa dos mais velhos e nossos filhos vão mandar a conta pra gente.
_E ainda vou reclamar que os meninos sáo folgados!
Então ali eu vi, mais uma vez, a magnitude que minha família tem pra mim. Ter filhos, viajar para Pirenópolis e reclamar da conta me parece um plano de vida bom demais, desde que eu continue com os que adoro chamar de meus.
*
Depois de morrer de rir de umas batatas photoshopadas na tv e ainda contar a história, um amigo de longa data e infinita estima comenta:
_A Agatha e o Pedro se divertem até com comercial de supermercadom é incrível.
Também acho.
*
Depois de meses ensaiando pra levar uma saia à costureira, eu levantei mais cedo e costurei eu mesma o pequeno furo. Ser capaz de consertar uma roupa, mesmo que meio desajeitada, é uma das pequenas infinitas coisas que se somam nos dias bons e me fazem ter muito orgulho de mim mesma.
*
Depois de meses ensaiando, dia 13 está chegando e não me aguento de nervosismo. Não sei se vai dar certo, vou tremer, vou suar, vou implorar pra me ajudarem, vou tentar ajudar quem precisar e, se Deus quiser, vou conseguir dançar direitinho e fazer o tal cambret que me assombra (e vou postar fotos magníficas dessa vez, prometo). Me desejem sorte sorte sorte sorte sorte, toda a sorte do mundo. Não sei se acredito nessa de "merda" ou "break a leg", prefiro um belo "boa sorte" mesmo.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Momento Pânico Total, A Casa Caiu, Corre Mermão, Run to the Hills
Foi assim:
Em um surto de responsabilidade, fui renovar minha carteira de motorista (oito meses depois de vencida, mas isso não vem ao caso). Por sorte, um dos postos de atendimento no Detran fica num shopping bacana da cidade. Beleza, lá vou eu pagar por estacionamento sem reclamar, coisa muito rara. Deixei meu carro bonitinho lá na garagem e fui resolver minha vida. Passadas 3 ou 4 horas, volto para o carro. Mas quem disse que consigo entrar no possante?
Não, queridos, não estava batido, arranhado, ninguém fechou minha vaga. Tinha uma barata lá. Dentro. Sim, dentro do meu carro, passeando pelo vidro do lado da motorista.
Se eu fosse milionária, ou só rica mesmo, teria deixado ele lá e comprado outro. Mas não, eu ainda precisava do carro e tinha que enfrentar o problema. O medo de paralisava, o suor descia pelo meu rosto. Olhei para os lados e ninguém pra me ajudar num momento tão difícil.
Uma coragem mágica se abateu sobre mim e consegui abrir a porta, convidando a intrusa (ou seria residente???) a se retirar pacificamente. Fiquei uma meia hora rondando o carro, sem conseguir me aproximar. Uma dondoca gentil que passava até se compadeceu e perguntou eu tinha batido, eu falei que não, que tinha uma barata ali. Ela, é claro, fez cara de pânico e correu pra longe.
Depois de um tempo, a barata estava na lateral da porta, pensei em ser cruel e fechar com força a porta, mas no pânico de qualquer movimento fazer ela se aproximar de mim só consegui fechar a porta e, por Deus, o bicho caiu no chão.
Mas aí veio a paranóia. Tem outras lá dentro? Elas moram no meu carro? Tem um ninho lá dentro??? É, por pouco eu não chamei a polícia. Era uma invasão, podia ser uma máfia, o que podiam estar tramando contra mim? Admito que sou relapsa com a higiene do carro, que deixo papel, bolacha, roupas suadas, sapatos e etc jogados lá. Tá bom, eu sei, eu mereci. Mas ainda precisava voltar pra casa naquele carro. Depois de um tempo esperando a líder do movimento aparecer e fazer exigências pra devolver meu carro, nada aconteceu. Entrei no carro, fui pra casa e, graças a Deus, nada saiu da obscuridade pra me assustar. No outro ia, levei o carro pro lavajato imaginando o pior. Mas, aparentemente, aquela do shopping era uma barata solitária, que aproveitou minha carona pra invadir um espaço da elite e tirar onda de inseto burguês.
Em agradecimento por ter sobrevivido sem maiores traumas, prometi a mim mesma que lavaria o carro sempre. Não toda semana, porque é caro, viu? Mas juro que, todo mês eu faço esse investimento pela minha segurança sanitária e metal.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Drops
* Pessoa anônima, nem sei se é menino ou menina, homem ou mulher e/ou etc e afins pra agradecer sua visita tão atenciosa. Li e reli seu comentário, prestei bastante atenção. Sobre "Dos Ares", doeria mesmo cortar, e mesmo pq ele é um dos únicos textos com grande sucesso de público e crítica por aqui ;)
* Meu aniversário foi ótimo. Ganhei presentes e um monte de beijos, abraços, palavras, pensamentos e afagos de todos os tipos (nem todos, mas vá lá). Muito obrigada a quem me viu, me ligou, escreveu ou só pensou em mim com carinho, mesmo de longe.
* Cambret, meu povo. Preciso aprender a fazer um cambret. É um movimento de dança (de várias danças, não só da árabe) onde vc dobra a coluna pra trás e vai com a cabeça pra baixo, braços quase lá no chão. Não precisa entender. É só, por favor, mandar energias positivas do cambret pra mim. Prometo postar uma foto assim que conseguir. Obrigada!
domingo, 4 de julho de 2010
Blablablá
Sou otimista só enquanto vai tudo bem, aí começa a dar errado e eu desanimo, desespero, igual nossa seleção no segundo tempo com a Holanda (se bem que eles brigaram para dar certo muito mais que eu). Antes eu era uma boa amiga, agora tenho tanta preguiça das minhas proprias confusões que fico sem graça de não ter nada de novo pra contar, não ter glórias pra compartilhar, tenho vergonha do que ando fazendo com minha própria vida (que pode até se resumir a nada).
Eu tenho um suposto talento nas mãos e não tenho idéia do que fazer com ele, já que meus planos fracassaram e eu deixei vários bloqueios pequenos virarem Muros de Berlim, dividindo a alegria de tentar da atitude derrotada dos que acham que nada vai adiantar.
Eu pensei que pudesse, mas não consegui até agora abrir mão dos meus vícios, que tanto me prejudicam e confortam. É como se me cortasse pra passar o tempo, pra não ver tão de perto o que sai pelos olhos e não pelos poros.
E confesso que estou apavorada de fazer outro aniversário, como esse julho chegou tão rápido? E estou celebrando o que? Todas as chances que perdi? Tudo que sonhei e tão fácil desisti de conquistar? Sim, posso agradecer por várias e várias bençãos que recebi, pelo menos ingrata e não sou. Mas me falta aquela sensação que esse número da minha idade é só o tempo que levei pra chegar até aqui, o lugar onde estou, que não deveria ser tão distante de onde deve ser o meu lugar.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Um ato de amor
Não compre animais, adote!
Mais informações: 3524 3130
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Elétron
Tem que saber usar a força de forma contínua, pra que ela seja construtora e não destruidora. E se for pra destruir, que sejam os vícios, os muros altos, os medos e a cegueira. E deixar ir esse passado pesado, as mágoas encardidas, o que não foi nem mais será.
Deixa fluir tudo, mesmo que o choro ainda não tenha acabado, mesmo que a frustração ainda impere, transforma tudo em raiva e grita, bate bem forte até sangrar os punhos. Aí a vitória vai ser sua e não mais da sorte. Aí você vai poder, sim, ser um tantinho esnobe e muito orgulhosa de ter lutado por você. E ser seu prórpio prêmio, sua própria luz, cidadã reconhecida do planeta alfa que pisa macio sobre a Terra.
domingo, 6 de junho de 2010
Das tarefas e dos presentes
Depilar a perna, comprar filtro solar, decidir sobre o plano do celular. Pagar contas, entrar no vermelho. Decidir sobre o caminho espiritual. Abrir a cabeça na terapia. Manter o joelho saudável e a bunda pra cima com musculação. Correr pra emagrecer e ter fôlego. Levar Belinha pra tomar banho. Arrumar um jeito de ganhar mais dinheiro. Animar de estudar pra concurso. Alimentar um amor platônico, uma amizade colorida ou sexo por sexo. Aprender a rolar no chão equilibrando uma espada na cabeça. Pagar meus pecados. Criar intimidade com música árabe. Esquecer de ligar pra amiga com problemas. Ser abandonada a qualquer momento. Hormônios, problemas, angústias e tantas outras coisas que me enlouquecem. E você, que achava que minha vida era fácil.
Esquentar no sol num dia frio. Ter momentos de iluminação com livros, conversas, sonhos ou só de olhar pras nuvens. Ganhar atenção inesperada. Amar e ser amada. Esperar com calma o que ainda vem. Fazer viagens fantásticas. Descobrir a melhor sorveteria do mundo. Ser desejada de calça jeans, de biquíni ou com nada. Deixar saudades. Ter talento de verdade. Morar na mesma cidade que uma das melhores bandas do mundo. Rir muito de muita coisa. Nunca ficar doente (e desconsiderar os "de vez em quando"). Nascer numa família fantástica. Ser filha da minha mãe. Ser irmã do Pedro. Olhar pras árvores da imensa janela do trabalho. Ter ido num show do Muse. Ter carro. Amigos bobos, cults, divertidos, inteligentes, sumidos, chatos, estranhos, mas todos verdadeiros e incríveis. Conhecer a Europa e o universo paralelo do interior do Piauí. Ter esperança. Belinha. Músculos facilmente alongáveis. Ter uma fã número 1. E um fã número 1 . Ver a lua nascer da varanda. Estar em paz, mesmo que nem sempre. E eu, que pude ver o quanto minha vida é maravilhosa.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Segunda-feira
É a vida normal, mas são quatro piscinas maravilhosas, de água azul, e nenhuma criança nadando. Ninguém batendo os pés na água e refrescando um pouco os dedos do dia puxado, do sapato apertado, da falta de prazeres simples. Tanta gente ainda de ressaca dirigindo seus carros, acendendo os faróis, comprando pão pro lanche, que já não se faz mais jantar em família. E é só um dia normal, uma segunda-feira com contas e compromissos e o peso da semana inteira pela frente. O final de semana está muito longe, aqueles dias que todo mundo é obrigado a vestir uma roupa melhor e aproveitar horrores, cair na farra, tropeçar de bêbado e pegar a maior quantidade de saliva dos outros possível. Os dias programados pra máxima diversão.
É engraçado na sexta e sábado, mulheres enfurnadas em salões queimando os cabelos e sangrando as cutículas, ansiosas para não caberem em vestidos de luxo e esperando na esquina por homens que não fazem a gentileza de dar a volta no quarteirão pra buscar as namoradas que se sacrificam em saltos pontiagudos. É, não é engraçado.
Aí eu vejo aqui do 11º andar as piscinas, o fim de tarde, o céu e sei lá, fico com inveja das pombas, aquelas acusadas de sujarem a cidade e espalharem doenças. Mas são elas que tem acesso aos terraços dos prédios. Pra que pagamos tão caro se os terraços não são visitáveis? Eu queria ser pomba nessas horas. Comer pipoca nos parques e voar pelo planejamento desfuncional da cidade. Queria finais de semana mais longos ou dias da semana menos chatos.
E não é que estou reclamando. Grande parte da minha ocupação de hoje fui eu mesma que escolhi, faz parte das buscas pessoais para ser um ser humano mais completo ou, simplesmente, uma mulher mais feliz. Mas quis o destino que eu morasse num lugar alto, e uma pessoa contemplativa com uma varanda para contemplação vai sempre questionar o vai e vem ali de baixo como se não fizesse parte dele.
(foto tirada agorinha, pra mostrar a vista que estou falando. O céu é assim mesmo, não tem outro truque de edição além de uma boa câmera e uma boa fotógrafa)
























