quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Purificação

Não nos procure mais, estamos mortos
Eu, a mulher sonhadora pela qual você se apaixonou um dia
O filho que tentamos, mas nunca foi fecundado
A casa no campo muito maior que nossas contas bancária poderiam suportar
Já morremos, acabamos
Sobrou de mim uma senhora pragmática cuidando de muitas vidas, menos da sua
Sobraram fotos de piadas que você esqueceu e eu já não acho graça
Ficaram os amigos em comum, divididos entre a velha triste e o jovem senhor animado
Ficou um terreno estéril de onde nada mais virá
Não venha nos dizer adeus
Eu, o apartamento no centro da cidade, o cachorro manco, os vinhos guardados... envelhecemos todos esperando uma grande celebração, um dia ao sol, uma alegria plena e um lugar nos seus sonhos
Talvez estejamos mesmo melhor sem você
Mais dignos, com um olhar endurecido menos desconfortável que os ares de pedinte de outrora
Vá, viva o que lhe resta do seu corpo encarquilhado queimado de sol
Gaste dinheiro com novas flores
Corra o que lhe permite o doutor
E, por favor, se esqueça de tudo até o fim
Até que o tempo apague as mais formais recordações de que um dia estivemos juntos
e cometemos o ato ridículo de sonhar em sermos felizes

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Independência com vassouras


Na última terça-feira, minha faxineira me deu o bolo. Marcou, não apareceu, não ligou nem atendeu meus telefonemas. Ultimamente, achei que ela andava de má vontade comigo. Não fazia mais graça, reclama um pouco do serviço, enfim, com o bolo desisti e resolvi arrumar outra. 
Liguei pro meu amigo que tem uma faxineira ótima, levemente sonsa e que cobra barato. Como era de se esperar, ela não tem vaga. Segunda tentativa, conversei com uma faxineira que, claramente, não quer trabalhar. Falou que era pouco o que eu ofereci, falou que não faz isso, não faz aquilo, perguntou quantas malas minhas roupas pra passar dariam. Como eu não estou afim de converter baldes de roupa limpa em mala, desisti de convencê-la a fazer uma faxina. Falei com mais meio mundo de gente, mas nenhuma possibilidade apareceu ainda.
Aí o espírito da super mulher que faz release, abençoa casamentos,  debate com médicos, instala internet, conserta roupas e mais algumas proezas, resolvi limpar a casa eu mesma. Descobri que meu sistema imunológico está incrível, minhas células de defesa montaram fortalezas no meu corpo. Com esse clima seco do Cerrado e a falta de uma vassoura por semanas, é inacreditável eu não ter ficado ao menos resfriada com o tanto de poeira acumulada. 
Varri, passei pano, separei lixo, troquei roupa de cama, lavei varanda e só não ponho roupa na máquina pra lavar porque: 1 - não tem espaço pra guardar roupa limpa; 2 - já é quase meia noite (fazer faxina sob a luz do sol é pedir demais pra uma notívaga); 3 - animação pra passar roupa é outro estágio de vida que ainda não alcancei. 
Agora, com a casa limpa, vem o cheirinho de limpeza e a satisfação de um trabalho bem feito, né? Não!
Espírito de Amélia eu não recebo. Mesmo bem disposta, eu mesma jamais me contrataria pra faxineira. Apesar de limpo, meu chão não ficou radiante como merece. Sobrou sujeira nos cantos que não consegui tirar com a vassoura. Ainda não limpei a cozinha e quero chorar só de olhar pra lá. Amanhã procuro minha faxineira com flores na mão, peço perdão por qualquer ofensa, dobro seu salário e canto: "Não me abandone jamais!"

domingo, 28 de agosto de 2011

Ressaca


Depois de toda a rejeição, dramas exagerados e afetos não compatíveis, ela lhe escreveu uma carta definitiva:

"Espero que você encontre o amor e seja feliz. Uma vida assim, sem amor, é muito triste e não desejo isso nem para você, que me abandonou." 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Soprando a poeira

Oi, eu sou a Agatha e tem quase 4 meses que não escrevia nesse blog. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Viajei para a Cidade de Goiás (que é pertinho de Goiânia) para trabalhar na assessoria de imprensa do 13º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental - Fica, um dos eventos mais importantes e bacanas desse estado e, quiça, desse país e desse mundo. Considero o ponto alto da minha carreira jornalística, e o irônico é que fiquei mais famosa por um divertimento que, infelizmente, nem cometi. Alguém muito parecida comigo beijou um índio ganhador do Festival, o fato foi fotografado e testemunhas afirmam com veemência que era eu. Não era. Estou pensando em ir atrás desse cineasta para acertar nossas contas, talvez seja melhor eu fazer jus à fama.
Equipe de Imprensa do XIII Fica


Depois do Festival, voltei correndo pra Goiânia pra dançar no Wardah Festival, espetáculo lindíssimo de danças árabes promovido pela minha professora de dança do ventre, Natália Barreto. Deu tudo certo, estava tudo lindo, fui prestigiadíssima por um público recorde, mais uma vez comprovei como é bom dançar!
Camarim do Avançado, dá licença.

E depois do Wardah, completei 30 anos, viajei para o Peru, tive visões, voltei pra casa, assinei internet em busca de dignidade, tiveram visões comigo, preguei meus adesivos de parede e agora estou desbravando o interior de Goiás viajando a trabalho. Três amigas minhas estão de casamento marcado. Não vou pensar nisso agora. Hoje criei uma mini vergonha da cara e fui fazer caminhada/cooper/corridinhamarota, mas Belinha tá gorda e não é mais tão jovem, então não acompanhou meu incrível ânimo de suar a camisa. Preciso reabilitar Belinha para o atletismo, correr sem ela não tem a mesma graça e não ganho nem metade da simpatia dos rapazes que sorriem para cachorros (uón).

Estou com grandes planos, grandes sonhos, com pressa tentando manter a calma e a serenidade. Nesse mês de poeira, só um bom umidicador pra conseguir dormir em Goiânia. Amanhã vou pra Anápolis, que é aqui do lado, espero voltar a tempo e com ânimo de fazer outra caminhada/cooper/oqueder.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

5 de maio

Acordei hoje um uma saudade imensa, mas sem direção certa. Talvez tenha encontrado alguém querido nos sonhos e, no despertar, me fugiu a memória e ficou a falta. Talvez esteja com saudades daqueles dias de glória, quando tive o que precisava, ou da daqela esperança boba e bonita de uns dias atrás. Mas pode ser tudo junto. Saudade de beijo, desejo, de praia, luar, vento nos cabelos, caminhar ao sol, dinheiro pra gastar, suor, sussurro e daquela animação frenética das boas surpresas. Andando numa estrada segura, ainda me falta levitar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Luzia e os Dragões de Komodo

É como pegar um texto de alguém que eu conhecia, mas perdi o contato. Achei por acaso esse texto meu, que mandei para mim mesma (faço isso para não perder arquivos, uma fé cega no gmail). Tem quase 5 anos. Mesmo que eu não tenha virado uma grande escritora até agora, posso ver que mudei muito. Acredito que escreva melhor, que tenha mais fé, que veja mais beleza no cotidiano, embora escreva menos e nunca mais tenha criado um título tão legal. Vou aproveitar a descoberta de um email antigo (o novo páginas de papel amareladas) e publicar aqui, com o compromisso ético de não alterar nada, nem os erros de concordância. Vai aí:


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Agatha Couto <agathacouto@gmail.com>
Data: 31 de agosto de 2006 16:45
Assunto: Luzia e os dragões de komodo
Para: agathacouto@gmail.com

Dia novo, emprego velho. No meio da poeira do escritório em reforma, Luzia se sentia mofando. Sentia a poeira das paredes derrubadas como partículas da sua pele se desintegrando. Poderia jurar que seus pés criavam raízes do chão naquele momento. Raízes grossas que perfuravam o chão e atrapalhavam o preguiçoso início de expediente no andar de baixo. Imaginou as raízes surgindo do teto e enroscando nas mesas, cadeiras, ofícios, planilhas, grampeadores e funcionários, que nem se incomodavam com a intromissão. Foi acordava do devaneio pelo "bom dia" gritado do Doutor Lustrosa, seu chefe há dez anos, chefe de toda a empresa há três dias. As paredes derrubadas eram o primeiro sinal dos grandes planos que tinham convencido o Armandinho, herdeiro mimado que não queria trabalhar, a lhe dar a presidência.

Luzia fez cara de desdém, respondeu bom dia mal movendo os lábios e entregou a agenda do dia e recados. O chefe saiu e se trancou no seu escritório, lugar paradisíaco com paredes e ar condicionado. "Selva, selva, selva!", Luzia pensava em fugir, viver com os macacos, caçar, lutar com feras, dormir nas árvores. Mas levantou e foi pegar uma xícara de café e um chocolate para agüentar o dia inteiro que tinha pela frente.


Carpete

Terminamos por aqui
Eu sinto muito
Porque não te quero mais assim, tão pouco
Você me faz bem e me dá conforto
Mas eu preciso de alguém que me incomode
Que me transborde os poros
E me tenha como vício
Ou que não se importe
Pra eu lembrar do que realmente preciso
Pra me mostrar que essa sala com carpete não nos leva ao quarto nem à saída de emergência
Você nem me promete as emoções que mereço
Não há descida ou subida nesse nosso dia morno
E quem foi que derrubou as pontes e fez esse muro de proteção?
Não sei, isso agora nem importa
Porque está tudo tão bem que só me resta uma bomba
Um rompimento brutal e doloroso
Pra libertar nossas asas, arrancar a grama e liberar nosso grito mais proffundo
Essa máscara envelhecida de gente civilizada não convence mais
Somos animais no cio

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os transtornos passam, os benefícios ficam.

Quer uma dica valiosa sobre reforma? Não faça. É só isso. Não faça reformas, nunca. A não ser que você tenha uma vida muito vazia, tenha muito dinheiro e queira algo para sofrer. Siga meu conselho: não faça reforma. Sua casa é velha? More nela o máximo que puder. Quando as paredes não aguentarem mais, imploda a casa, faça um estacionamento e fique rico.

Seu apartamento é velho? Espere uma alta do mercado, venda e compre um novo, mesmo que seja menor. Vai valer a pena. Você pode achar um exagero e o meu exemplo não é dos mais dramáticos. Pois vamos pensar em alguém com uma vida fantástica: Jennifer Aniston, a eterna Rachel de Friends.


Voltemos um pouco no passado de Jennifer: bonita, milionária, famosa, dona do cabelo mais bonito de Hollywood (não esse da foto), um corpo maravilhoso, 1 milhão de dólares a cada episódio da série. Aí ela se apaixona e casa com quem? Quem? Brad Pitt. Meu Deus! Brad Pitt! Com dinheiro, fama e beleza, o que poderia atrapalhar esse cenário dos sonhos?

Reforma. Não uma, mas várias. Brad, antes de ter tantos filhos para cuidar e uma esposa mais sexy symbol ainda pra se preocupar, tinha uma mania insuportável de reformar suas muitas mansões. Então, imagine Jen (apelido carinhoso para resumir) chegando em casa depois de um dia exaustivo de gravações, comerciais e bajulações. O mestre de obras vem e fala:

_Dona Jennifer, tem que comprar mais três caixas do revestimento de ouro do banheiro do terceiro andar.
Ela vira e fala que isso é problema de Brad, mas ele está em algum país distante gravando o próximo sucesso de bilhereria. Ou, caso tenha alguém pra cuidar disso (o que é provável), Jen não podia andar de calcinha pela casa, porque sempre tinha um seu Zé quebrando uma parede, ou a coitada não podia nem se afeiçoar às mansões, já que elas viviam sendo montadas e remontadas pela fúria reformista de Brad. A mania de reformas, dizem os fofoqueiros de Hollywood, desgastou a relação dos dois muito antes de surgir o furação Jolie na vida de Brad.

Por isso, amigos, muito cuidado com reformas. Todos aqueles clichês são verdade. O orçamento estoura, o prazo final é sempre adiado e, no final, você considera seriamente morar no reboco, sem pia nem chuveiro elétrico, só para acabar logo com a obra. 

Sobre a minha reforma, perdi totalmente a esperança de que um dia termine. Belinha, a cachorrinha que eu costumava criar, está hospedada com um cuidador há mais de um mês. A dívida passa de trezentos reais e eu não tenho como pagar. Se ela valesse isso, eu vendia. Mas como não vale, vou ter que pagar e resgatar a bichinha antes que o cuidador me processe por calote e abandono de incapaz. Talvez meu apartamento fique pronto antes da decisão judicial.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Emagreça agora e só comece a malhar em 2014!

(eu juro, juro que sei falar de outra coisa que não seja malhação, juro! Qualquer dia aí consigo provar!)

Uma idéia meio maluca, mas.. já pensou? Se a gente pudesse mudar de vida AGORA e pagar a prazo?
Por exemplo: você precisa de um fogão e não tem dinheiro. Então você vai lá, pega o fogão e paga um pouquinho todo mês. Um dia, você pagou tudo e o fogão é seu por direito! Se não pagar, alguém vai lá e te toma o fogão (vamos esquecer do Serasa e SPC, fiquemos simples).
Então eu podia emagrecer e ficar gostosa hoje e ir pagando todo mês, aos poucos. Malhando e comendo pouco pra não perder um bem tão precioso quanto um corpo bonito.
Sim, é claro que se eu malhar e comer pouco por X meses/anos/séculos vou conseguir. E estou tentando. Mas acaba que esse aos poucos vai parecendo nunca. Uma amiga fez uma lipo. Foi caro, sofreu, chorou, se perguntou porque fez aquilo. Mas hoje tem muito mais disposição de malhar pra manter o corpo que tem e não quer de jeito nenhum perder. É differente de malhar pra atingir um estado que sabe-se lá se é mesmo possível. Nunca estive lá, não sei como é. Em um dia de tanto cansaço como hoje, depois de enfrentar 45 minutos de ergometria pesada e pensar que tenho que fazer isso pelo resto da minha vida, começo a sonhar com um sistema menos cruel e mais acessível aos reles mortais.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Comer, dançar e morar


Recomendo que você faça algo que te dá prazer e faça só por isso. A dança do ventre pra mim e a capoeira para o meu irmão, por exemplo. Pode até ser que você gaste tempo e dinheiro demais, que receba críticas injustas e conselhos sobre outra atividade mais benéfica, cool ou modinha. Mas fazer algo com brilho nos olhos, ficar encantada/o, ter aquela empolgação estranha lá no fundo, frio na barriga... Como você aceita viver sem isso?

Por falar em dança do ventre, sabia que é bom pra curar cólica, prisão de ventre e dor de estômago? Juro por Deus. Experiência própria.

* (falta uma foto aqui da varanda que eu deixei)
Essas semanas têm sido difíceis e confusas e não tô me desculpando por não ter escrito aqui nem reclamando. Estou só contando as novidades. Saí do ap que morava no Setor Bela Vista e, enquanto meu palácio não fica pronto, estou morando na casa da minha mãe. Tem sido bom, ótimo, ruim e horrível, dependendo do que, de quem, de que hora e do meu cansaço. Estar com a família, ótimo. Comida pronta, casa arrumada, fantástico. Cheiro de banheiro dos outros, horrível. Em 2 anos e meio morando sozinha, impossível não ter enjoeiras e manias que batem de frente com a coletividade. Mas agora o cansaço da mudança está passando e posso aproveitar as delícias da vida em família. Afinal, eu não gosto de morar sozinha, ou gosto?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Back to fitness

Cumprindo uma resolução de ano novo bem clichê, porém muito linda nessa vida, voltei a malhar. Me matriculei, enchi o peito de coragem e vesti minhas roupinhas puídas de tanto vai e volta da academia. Se passar de seis meses, monto um guardarroupa fashion fitness, mas, no momento, isso não importa muito. Na hora de montar a ficha, a espertalhona aqui sempre impressiona os instrutores por discutir de igual pra igual as vantagens do triceps no pulley ou testa, adução, abdução e um monte de outros nomes pros músculos despreparados do meu corpo. E, naturalmente, fico me sentindo um tantinho superior àqueles inicantes que quase choram quando tentam ler uma ficha. Outro motivo da minha imaginária superiodidade é que tenho uma certa facilidade e, como não estava de todo sedentária, encaro numa boa a puxação de ferro e sou capaz de pegar um pouco mais de peso (meu corpo, infelizmente, tem essa tendência de pegar peso).
Mas... no meio do caminho tem uma pedra, tem uma pedra no meio do caminho. E se chama "força lombar". No primeiro dia, o instrutor me passou um agachamento x porque "você não tem força lombar". Ora, ora, como não tenho? Vou provar que tenho sim. Fui lá fazer o exercício que usa essa tal força e... Bem, amigos, não tenho mesmo. Quase morri pra completar a série. Não era cansaço do dia. Na segunda tentativa, o mesmo desempenho vergonhoso.
Tem sido tão difícil fazer uma flexão lombar que me pergunto como vivi todos esses anos com esse músculo praticamente sem força. Como consegui dançar, rebobar, andar ou olhar pra trás virando o corpo? É tão difícil exercitar esse músculo na academia que me pergunto como ele sobreviveu esquecido no meu corpo, sem uma tarefa importante pra fazer.
Queridos leitores, bem vos digo, desenvolvam sua força lombar. Dores nas costas, espinhela caída, falta de postura, insônia, falta de emprego, zica... desconfio que tudo vem da falta de força lombar. É por puro assombro com minha incapacidade que vou insistir no exercício. Imagino que minha vida vai mudar com minha fortifficação lombar. Sigam o caminho da luz, amém!


(pra quem não tá cansado do papo fitness)
Então... Com a graça de nosso senhor, exercitar meu corpo também exercita a mente e venho pensando nesse corpo que chamamos humano. E acho que há uma clara desconexão entre o classe média way of life e o nosso organismo. Se passarmos um tempo apenas vivendo normalmente (trabalhando, comendo, dormindo, saindo de vez em quando, arriscando umas caminhadas aqui e ali, com o diferencial que faço Dança do Ventre uma vez por semana), o corpo vai amolecendo por fora e endurecendo as articulações, tornando tudo flácido e entrevado. Meu estilo de vida não exige do meu corpo sua real necessidade e isso cria vários problemas com o tempo.
Então, qual seria o estilo de vida ideal para não precisar nunca de uma academia? Montanheses sem eletricidade que comem o que plantam e caçam e vão buscar água todo dia no rio lá embaixo? Senegaleses que fogem dos leões para sobreviver? Guerrilheiros da selva? Dançarinos de axé em turnê o ano inteiro?
Olha, porque é meio chato lembrar que sua vida confortável de carro, escada rolante, sofá macio e restaurante por quilo deixa seu corpo decrépito. Não é injusto que todas as benesses que vieram facilitar a nossa vida acabem nos deixando feios e doentes? É claro, tem a alimentação, a cultura e muito mais coisas entre o céu e a Terra, mas, na verdade..  não seria mais legal um corpo que não precisasse de tanto ajuste? Se rolar um programa de Avatar na vida real, sou uma séria candidata.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Uma pequena mágoa de infância

No consultório da dentista, depois de uma bronca pelas cáries, a menina se perguntou: "O que será que dá cáries?" Não era uma pergunta para a dentista, para se precaver do problema, muito menos uma ironia, afinal, era tão novinha. "O que será que dá cáries", como até hoje se pergunta "o que será que causa o câncer, como surgiu a humanidade, exise vida após a morte?".
A dentista, a mãe e uma platéia imaginária riram da menina e alguém respondeu: "Ora, comida!". Como se fosse óbvio e pode até parecer hoje, depois que a menina já viu tanto comercial de creme dental e já conheceu outras tantos médicos de dentes.
Surpresa e ofendida, ela aceitou a resposta sem mais questionamentos. Hoje é capaz de entender um pouco mais sobre o mundo adulto e como seria difícil alguém ali reconhecer talvez seu primeiro momento de interesse pelas ciências e por todos os outros mistérios. Porque ela não se surpreende mais de se perguntar tanto sobre tanta coisa, de buscar muitas respostas, de achar algumas e encontrar cada vez mais perguntas. Ela sabe que é bom viver assim.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Olhar não tira pedaço

Apesar do mundo inteiro achar que sabe as regras e os caminhos, acho tesão uma coisa muito doida. Porque você é preparada pra ficar excitada com um homem forte saindo da água, com beijos no pescoço ao som de música romântica etc, mas, de repente, se pega observando com interesse incomum as mãos de um cara que não te despertou nada de início ou fascinada pelo espreguiçar daquele amigo que você se acostumou a achar normal todos os dias.
Pensei isso essa semana quando um cidadão viu um pedaço da minha calcinha e exclamou em tom safado: "Humnm, sua calcinha é salmon."
Gente, não era. Minha calcinha era bege. Sim, aquela cor sem graça que, se estiver em calcinhas, é condenada por uma grande parte do público masculino. Já ouvi falar que é quase um método anticoncepcional. Mas é que esse cidadão, apesar de sua vida certinha de compromissos e atenções, sonha em passear aqui em casa e me fazer companhia numa noite solitária. Acostumada com seus comentários atrevidos, apenas ri e arrumei a saia. Apesar de nunca ter dado meu endereço pra ele, um dia vou lhe agradecer pelas altas doses de ânimo na minha auto estima. Fazer sucesso até de calcinha bege é mesmo muito bom.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bad Hair Day


Eu sou contra.
Contra gente magra.
Porque eu estou grilada de estar gorda e fazer regime é um sacrifício imenso, caso você (magro) queira saber.
E também sou contra gente do cabelo liso e naturalmente bonito.
Meu cabelo, por ele mesmo, é sem graça e despenteado.
Tem pichains na frente.
Se eu não fizer nada, fico sempre com cara de desarrumada.
"Ah, mas você pode fazer luzes, escova, chapinha... não custa nada".
Custa sim.
Eu tenho um sono mortal de manhã, sou enrolada, preguiçosa, cabelo escovado suja rápido e me dá coceira.
E luzes sai mais de R$ 200 nos salões razoáveis.
Então, hoje, eu sou contra gente magra e do cabelo facilmente bonito.
É o meu dia de revolta, dá licença.
Caso você seja magro e com cabelão lindo, você vai entender que eu tenho inveja.
E você também tem direito de ser conta o que quiser.
Talvez você quisesse ser inteligente, por exemplo.
Ser branca.
Ser negra.
Ter pernas mais grossas.
É claro que você pode ser feliz sem isso.
Eu também posso.
Mas hoje eu não estou feliz com meu corpo e nem com meu cabelo.
E comecei um regime, vou voltar a malhar, vou tentar resolver meus problemas capilares.
Mas eu tenho todo o direito de não gostar de ter esses problemas.
Não é que eu não tenha outros, tenho, inclusive, vários outros.
Uma coleção repleta de problemas chatos e difíceis, de toda ordem que você possa imaginar.
Físicos, psicológicos, sociais, sentimentais, astrais... Problemas à vontade!
Mas são todos meus e vou levando como posso.
Peço ajuda ou não, empurro com a barriga ou resolvo, enfim, me viro.
É bem provável que eu evolua com o tempo e me torne uma pessoa melhor. Mais madura, mais segura.
Quem sabe, até lá, eu consiga ter uma relação mais saudável com meu corpo e cabelo.
Talvez eu esqueça as cobranças externas e consiga chegar ao nirvana de agradar só a mim mesma e mais ninguém.
E passear livre pelas casas de massa exibindo orgulhosa minha massa de fios desordenados na cabeça.
Mas, até lá, vou sofrer ao desistir do sorvete, do cheddar e de gastar uma fortuna nos salões.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nem cinza nem surdo

E se, de repente, desse vontade e a gente seguisse? Se tirássemos as travas, a prudência? Como seria nossa tarde pulando em piscinas limpas, desarrumando camas, contando piadas sujas e antecipando o happy hour? E se o proibido for melhor? E a moral for só uma chatice que te manter infeliz?
Não dá uma vontade de usar mais o corpo que o teclado, de falar mais alto, de sambar nos corredores do supermercado?! Alguém aí já guardou o divertido no bolso e, na hora da festa, não sabia mais onde estava? Algo assim já aconteceu com você? Comigo já.
Sushi, sexo, dança maluca, 12h de sono, uma temporada inteira do seriado favorito, um bom livro, uma nova paixão. O que você quer agora, nesse exato momento? O que poderia acender seus olhos e deixar seu corpo e alma deleitados de prazer? O que tem gosto de vida plena? O que dá crise de riso? O que arrepia?
Eu sei, eu sei, não dá pra fazer tudo agora. Tem o emprego, o trabalho pra entregar, aquela conta pra pagar, não se pode magoar tanta gente, não tenho saúde, não tenho idade nem coragem. Mas, por um só minuto, não se esqueça do que é estar vivo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Assaltos

Do hálito quente ao cansaço, lembro de cada detalhe. Só me esqueço das ausências, dos pecados, do não recomendado, de tudo mais que é chato. Daquela noite em sussurros inocentes até que o peso do seu corpo me tirasse o ar. Aquela sua constatação cínica de quem já sabia que tinha ganhado o jogo, quase fico com vergonha se não fosse o riso fácil que suas piadas bobas me provocam. Aquele primeiro beijo tinha eletricidade para acender uma cidade na noite de Natal, com luzes e luzes piscando até que todos se fartem.
O teu suor manchou meus lençóis amarelados pelo tempo, lavou meus preconceitos tolos, inundou minha alma e é por isso que, mesmo hoje, ainda sei o que é suspirar plena. A sua presença é luz guardada que invade meu céu nublado, tira minha memória pra dançar e incita meu dedo a discar seu número em um fim de tarde qualquer.
Achei engraçado seu ar de abusado desprezando meus mil agradecimentos por aquele favor. Eu sei, você sabe, não é educação e polidez que construíram nossa admiração e respeito um pelo outro, nem é isso que faz você sempre voltar.

domingo, 10 de outubro de 2010

SAI DAQUI, ANGÚSTIA!

Eu te reconheço, mas não te aceito
Sei das tuas garras, que ainda me pegam, mas não sufocam como antes
Agora eu tenho pulmões mais fortes pra gritar, pra te expulsar ou, na falta de forças
pra ficar quieta e esperar que você seja delicada e vá embora deixando meu dia menos esquisito
Porque eu cuido de plantas e cultivo alegrias amenas
Como aproveitar o domingo na piscina semi suja, mas usável
Vencendo o desafio da lâmpaga queimada
Hesitando em ligar para os amigos porque eu não quero que você se meta nas minhas conversas
Então, cai fora!
Se manda
Meu domingo é de paz e eu confio em coisas infinitas
Sei que noite me alivia, pare de atrapalhar meu pôr do sol
A falta dele não deveria abrir espaço pra você
Esse vazio não pertence a ninguém e pode ficar tomando um ar por ora
Coração fresco, cabelos bem cuidados, contas pagas
Talvez não ainda nesse feriado, mas um dia

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pequeno stress da vida inteira

Agatha. É tão difícil assim? Á Gê Á Tê Agá Á. Não dá mesmo pra entender? Não tem Y, não tem LL, W, Ü... Só tem um Hzinho ali, singelo. Um simples H. Ainda quero ser neurocientista e provar que a letra H trava o cérebro das pessoas. Não coloquem em seus filhos nomes com essa letra. Se bem que Hommer fica legal...
Eu convivo com as confusões com o meu nome desde que me deram essa alcunha, e até hoje me irrito. Sim, porque quando eu falo e a pessoa não entende, ok. Devo pronunciar meu nome errado. Mas quando eu mando um email e a pessoa responde para: "Aghata", isso me tira do sério. Meu email tem meu nome e sobrenome, e eu ainda assino no final. Mesmo assim, a pessoa responde com o GH. Por que? Será que TH é brega? Aí o pessoal acha mais glamouroso conversar com a Aghata que comigo, Agatha? 
A folha de ponto do meu trabalho vem todo mês para a Aghata assinar. Se ela levar falta, espero que não descontem do meu salário.

Eu gosto do meu nome. É bonito, é forte, e é simples, não? Três síladas, todas com a letra A. E tem um H ali só pra fazer um charme, pra não ficar "a gata" (que seria pretensioso, né?). Mas esse stress com o nome me faz bem. De tanto errarem o meu, eu tento ser mais atenciosa com o nome dos outros, solidária com todos que não se chamam Patrícia, Pedro, Fernanda, Luís etc. Presto atenção no n drobrado de Yasminn, no FH de Rafhael, no Z do Luiz e em todas as criatividades que nossos pais tiveram no cartório. Um dia o universo reconhecerá o meu esforço e abrirá a mente dos seres humanos para Agatha, com TH.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

De tarde

Eu demoro. Pra decidir o que fazer, pra esquecer uma mágoa, um amor, um aborrecimento. Demoro até chegar a uma certeza, mas, quando chego, sei que ela é bem minha. Aprendi a comer rápido demais porque era criticada na infância, mas agora não vou deixar me apressarem mais do que já me atropelaram. Inspira, expira, espera. Calma aí que eu ainda não sei. Vou vendo, depois... Porque eu já tenho que dar conta de muita coisa muito rápido. Pisar no acelerador, fazer maquiagem no carro, torcer para que o sinal feche pra ouvir minha música favorita de novo. Aceito o que acontece, pode passar por cima, vai lá. Daqui a pouco eu vou saber o que aconteceu e me resolvo, não se preocupe. Porque sentimentos não obedecem prazos, horário comercial, dias úteis, demilitações. Aparecem e desaparecem no seu próprio tempo encantado, que vai de milésimos à toda a eternidade. E são sempre esses senhores que vão me governar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Melissinhas

Vivemos esperando um sinal, um aviso ou uma sensação forte de que estamos prontas para ter filhos. O meu sinal foi um email: Melissa lança Minimelissas. Sim, uma coleção infantil. Ok, universo, estou pronta para ter filhas. Pode mandar o pai e um pouco mais de dinheiro que eu aceito. Agora, se for pra ter um filho, menino homem, aí tenho que pensar mais um pouco. Mas manda o pai que a gente negocia, ok?

Obrigada

domingo, 22 de agosto de 2010

Pulos cegos em abismos

Tenho umas manias chatas. Uma delas é me apaixonar perdidamente antes de qualquer coisa real acontecer. Real digo física, beijar e afins. Muita gente fala que é meio loucura se apaixonar por alguém que eu nem beijei, talvez seja, não sei... Depois da última paixonite crônica, jurei pra mim que ia ser mais prática e nunca mais ia querer casar e ter filhos com alguém que só me dá oi. Anda funcionando (mais ou menos, mas anda).

Acho um tanto canalha pensar apenas em "pegar" um cara, mas foi necessário. Porque tenho tendências românticas. Gosto de escrever bilhete, sonhar acordada, suspirar de amores e imaginar como serão nossos filhos. Todo mundo gosta, não é? E não teria nada de errado se eu não fizesse isso sozinha, sem esperar pra saber se a outra pessoa está na mesma "vibe". E o resultado de entrar nessa loucura sozinha é sofrer um bocado, me decepcionar, perder tempo e jogar energia fora.

Esses dias identifiquei um momento que seria o começo de mais uma idealização. Foi um olhar com música que me emocionou até os ossos (não sei se seus ossos se emocionam, os meus sim). Até agora, confesso, estou meio bamba. Não sou lá tão forte, um segundo ataque desses seria fatal. Mas guardei esse primeiro como um momento bonito e não dei a ele a obrigação de se repetir e evoluir até onde eu gostaria. Me pareceu mais saudável.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Retrovisor

Por certo que há muitas maneiras de se ganhar o dia. Mas o que me aconteceu ontem é uma superação no quesito originalidade. Vamos aos fatos:
 
Local: Marginal Botafogo, Goiânia, Goiás (engarrafada).
Horário: 9h20 a.m (aproximadamente).
Personagens: Eu, um menino de rua e outros motoristas figurantes.
 
Um calor sufocante, o ventilador do carro não me aliviada em nada. Pela secura do ar, sei lá porque o ar-condiconado me dá uma sensação estranha. Então abri a janela do carro, incomoada com o trânsito parado que me atrasava ainda mais para o trabalho. Pouco depois, vejo que vem andando por ali um menino de rua. Minha primeira reação foi medo, quase fechei o vidro do carro. Mas ando me policiando, tentando ser melhor, mais caridosa, mais legal com quem não tem tanta sorte como eu. Então me preparei e esperei ele chegar pedindo moedas pra tia. Ia sim dar uns trocados que não me fariam falta, me convenci. Mas o moleque passou por mim com um sorriso maroto cantando: "Que bonita a sua roupaaaaa...".
 
Para quem não se lembra, é uma musiquinha do Chaves (amigo Chaves, Chaves...). Pra quem é amiga do Luiz Felipe, como eu, é imposível escutar essa música sem lembrar dele e rir. E o menino seguiu cantando, passando pelos carros e batucando na lataria de um ônibus. Depois sentou a sombra, não pedindo nada pra ninguém. Um motorista até buzinou estendendo a mão, mas ele nem ligou. O sinal abriu e eu passei por ele, sorrindo e fazendo sinal de legal, em agradecimento à alegria primeira do meu dia. Eu, que ia dar umas moedas, ganhei um presente bem mais valioso que alguns centavos. Obrigada, menino!
 
 
"Que bonita a sua roupa
Que roupinha mucho louca
Nela é tudo remendado
Não vale nenhum centavo
Mas agrada a quem olhar."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ah, habib!

Estávamos em família (grande e confusa) comendo crepe em Pirenópolis. Aí minha prima Roberta comenta:
_ É assim mesmo, a gente senta numa mesa separada, mas a conta vai só para a mesa das mães. Daqui a alguns anos seremos nós, que vamos sentar na mesa dos mais velhos e nossos filhos vão mandar a conta pra gente.
_E ainda vou reclamar que os meninos sáo folgados!

Então ali eu vi, mais uma vez, a magnitude que minha família tem pra mim. Ter filhos, viajar para Pirenópolis e reclamar da conta me parece um plano de vida bom demais, desde que eu continue com os que adoro chamar de meus.

*
Depois de morrer de rir de umas batatas photoshopadas na tv e ainda contar a história, um amigo de longa data e infinita estima comenta:
_A Agatha e o Pedro se divertem até com comercial de supermercadom é incrível.
Também acho.

*
Depois de meses ensaiando pra levar uma saia à costureira, eu levantei mais cedo e costurei eu mesma o pequeno furo. Ser capaz de consertar uma roupa, mesmo que meio desajeitada, é uma das pequenas infinitas coisas que se somam nos dias bons e me fazem ter muito orgulho de mim mesma.


*
Depois de meses ensaiando, dia 13 está chegando e não me aguento de nervosismo. Não sei se vai dar certo, vou tremer, vou suar, vou implorar pra me ajudarem, vou tentar ajudar quem precisar e, se Deus quiser, vou conseguir dançar direitinho e fazer o tal cambret que me assombra (e vou postar fotos magníficas dessa vez, prometo). Me desejem sorte sorte sorte sorte sorte, toda a sorte do mundo. Não sei se acredito nessa de "merda" ou "break a leg", prefiro um belo "boa sorte" mesmo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Momento Pânico Total, A Casa Caiu, Corre Mermão, Run to the Hills

Esse Cotidiano nunca foi dado a histórias de terror, mas essa aconteceu de verdade, e não foi com a amiga da cunhada da vizinha da minha prima, não, não! Foi comigo. Se você tem nervos fracos, leia com cuidado.

Foi assim:
Em um surto de responsabilidade, fui renovar minha carteira de motorista (oito meses depois de vencida, mas isso não vem ao caso). Por sorte, um dos postos de atendimento no Detran fica num shopping bacana da cidade. Beleza, lá vou eu pagar por estacionamento sem reclamar, coisa muito rara. Deixei meu carro bonitinho lá na garagem e fui resolver minha vida. Passadas 3 ou 4 horas, volto para o carro. Mas quem disse que consigo entrar no possante?
Não, queridos, não estava batido, arranhado, ninguém fechou minha vaga. Tinha uma barata lá. Dentro. Sim, dentro do meu carro, passeando pelo vidro do lado da motorista.
Se eu fosse milionária, ou só rica mesmo, teria deixado ele lá e comprado outro. Mas não, eu ainda precisava do carro e tinha que enfrentar o problema. O medo de paralisava, o suor descia pelo meu rosto. Olhei para os lados e ninguém pra me ajudar num momento tão difícil.
Uma coragem mágica se abateu sobre mim e consegui abrir a porta, convidando a intrusa (ou seria residente???) a se retirar pacificamente. Fiquei uma meia hora rondando o carro, sem conseguir me aproximar. Uma dondoca gentil que passava até se compadeceu e perguntou eu tinha batido, eu falei que não, que tinha uma barata ali. Ela, é claro, fez cara de pânico e correu pra longe.
Depois de um tempo, a barata estava na lateral da porta, pensei em ser cruel e fechar com força a porta, mas no pânico de qualquer movimento fazer ela se aproximar de mim só consegui fechar a porta e, por Deus, o bicho caiu no chão.

Mas aí veio a paranóia. Tem outras lá dentro? Elas moram no meu carro? Tem um ninho lá dentro??? É, por pouco eu não chamei a polícia. Era uma invasão, podia ser uma máfia, o que podiam estar tramando contra mim? Admito que sou relapsa com a higiene do carro, que deixo papel, bolacha, roupas suadas, sapatos e etc jogados lá. Tá bom, eu sei, eu mereci. Mas ainda precisava voltar pra casa naquele carro. Depois de um tempo esperando a líder do movimento aparecer e fazer exigências pra devolver meu carro, nada aconteceu. Entrei no carro, fui pra casa e, graças a Deus, nada saiu da obscuridade pra me assustar. No outro ia, levei o carro pro lavajato imaginando o pior. Mas, aparentemente, aquela do shopping era uma barata solitária, que aproveitou minha carona pra invadir um espaço da elite e tirar onda de inseto burguês.

Em agradecimento por ter sobrevivido sem maiores traumas, prometi a mim mesma que lavaria o carro sempre. Não toda semana, porque é caro, viu? Mas juro que, todo mês eu faço esse investimento pela minha segurança sanitária e metal.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Drops

Atualizando rapidinho porque tô com sono.

* Pessoa anônima, nem sei se é menino ou menina, homem ou mulher e/ou etc e afins pra agradecer sua visita tão atenciosa. Li e reli seu comentário, prestei bastante atenção. Sobre "Dos Ares", doeria mesmo cortar, e mesmo pq ele é um dos únicos textos com grande sucesso de público e crítica por aqui ;)

* Meu aniversário foi ótimo. Ganhei presentes e um monte de beijos, abraços, palavras, pensamentos e afagos de todos os tipos (nem todos, mas vá lá). Muito obrigada a quem me viu, me ligou, escreveu ou só pensou em mim com carinho, mesmo de longe.

* Cambret, meu povo. Preciso aprender a fazer um cambret. É um movimento de dança (de várias danças, não só da árabe) onde vc dobra a coluna pra trás e vai com a cabeça pra baixo, braços quase lá no chão. Não precisa entender. É só, por favor, mandar energias positivas do cambret pra mim. Prometo postar uma foto assim que conseguir. Obrigada!


domingo, 4 de julho de 2010

Blablablá

Eu não sou coerente, não sou esperta. Já perdi as contas de quantas vezes cometi o mesmo erro e é muito provável que cometa de novo daqui a pouco. Porque meu cérebro parece dividido em setores independentes e a inteligência não circula livremente, fica presa nos setores inúteis enquanto outros parecem afundar na lama da burrice. E eu não estou de tpm, só pra esclarecer.
Sou otimista só enquanto vai tudo bem, aí começa a dar errado e eu desanimo, desespero, igual nossa seleção no segundo tempo com a Holanda (se bem que eles brigaram para dar certo muito mais que eu). Antes eu era uma boa amiga, agora tenho tanta preguiça das minhas proprias confusões que fico sem graça de não ter nada de novo pra contar, não ter glórias pra compartilhar, tenho vergonha do que ando fazendo com minha própria vida (que pode até se resumir a nada).
Eu tenho um suposto talento nas mãos e não tenho idéia do que fazer com ele, já que meus planos fracassaram e eu deixei vários bloqueios pequenos virarem Muros de Berlim, dividindo a alegria de tentar da atitude derrotada dos que acham que nada vai adiantar.
Eu pensei que pudesse, mas não consegui até agora abrir mão dos meus vícios, que tanto me prejudicam e confortam. É como se me cortasse pra passar o tempo, pra não ver tão de perto o que sai pelos olhos e não pelos poros.
E confesso que estou apavorada de fazer outro aniversário, como esse julho chegou tão rápido? E estou celebrando o que? Todas as chances que perdi? Tudo que sonhei e tão fácil desisti de conquistar? Sim, posso agradecer por várias e várias bençãos que recebi, pelo menos ingrata e não sou. Mas me falta aquela sensação que esse número da minha idade é só o tempo que levei pra chegar até aqui, o lugar onde estou, que não deveria ser tão distante de onde deve ser o meu lugar.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um ato de amor

Meu sonho é ter uma fazenda pra adotar cães e gatos que não deveriam ter sido abandonados. Enquanto não tenho, estou divulgando essas fotos de cães disponíveis pra adoção em Goiânia. São todos castrados, vacinados e vermifugados. Lá no Centro de Zoonozes tem outros bichinhos precisando de um lar também.

Não compre animais, adote!

Mais informações: 3524 3130

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Elétron

Meu coração parou de bater e ficou suspenso naquele choque surdo das notícias bombásticas. Mas foi só pra voltar a bater num ritmo mais compassado e forte, até meio chato, mas agora certo. Por que meu coração é criança pequena, ansiosa pelo Natal ainda no meio do ano. Coração que vê estrela e acha que tem fogueira, não sabe admirar luz fria e distante (que também é bonita, filha, aprende).
Tem que saber usar a força de forma contínua, pra que ela seja construtora e não destruidora. E se for pra destruir, que sejam os vícios, os muros altos, os medos e a cegueira. E deixar ir esse passado pesado, as mágoas encardidas, o que não foi nem mais será.
Deixa fluir tudo, mesmo que o choro ainda não tenha acabado, mesmo que a frustração ainda impere, transforma tudo em raiva e grita, bate bem forte até sangrar os punhos. Aí a vitória vai ser sua e não mais da sorte. Aí você vai poder, sim, ser um tantinho esnobe e muito orgulhosa de ter lutado por você. E ser seu prórpio prêmio, sua própria luz, cidadã reconhecida do planeta alfa que pisa macio sobre a Terra.

domingo, 6 de junho de 2010

Das tarefas e dos presentes

Depilar a perna, comprar filtro solar, decidir sobre o plano do celular. Pagar contas, entrar no vermelho. Decidir sobre o caminho espiritual. Abrir a cabeça na terapia. Manter o joelho saudável e a bunda pra cima com musculação. Correr pra emagrecer e ter fôlego. Levar Belinha pra tomar banho. Arrumar um jeito de ganhar mais dinheiro. Animar de estudar pra concurso. Alimentar um amor platônico, uma amizade colorida ou sexo por sexo. Aprender a rolar no chão equilibrando uma espada na cabeça. Pagar meus pecados. Criar intimidade com música árabe. Esquecer de ligar pra amiga com problemas. Ser abandonada a qualquer momento. Hormônios, problemas, angústias e tantas outras coisas que me enlouquecem. E você, que achava que minha vida era fácil.

Esquentar no sol num dia frio. Ter momentos de iluminação com livros, conversas, sonhos ou só de olhar pras nuvens. Ganhar atenção inesperada. Amar e ser amada. Esperar com calma o que ainda vem. Fazer viagens fantásticas. Descobrir a melhor sorveteria do mundo. Ser desejada de calça jeans, de biquíni ou com nada. Deixar saudades. Ter talento de verdade. Morar na mesma cidade que uma das melhores bandas do mundo. Rir muito de muita coisa. Nunca ficar doente (e desconsiderar os "de vez em quando"). Nascer numa família fantástica. Ser filha da minha mãe. Ser irmã do Pedro. Olhar pras árvores da imensa janela do trabalho.  Ter ido num show do Muse. Ter carro.  Amigos bobos, cults, divertidos, inteligentes, sumidos, chatos, estranhos, mas todos verdadeiros e incríveis. Conhecer a Europa e o universo paralelo do interior do Piauí. Ter esperança. Belinha. Músculos facilmente alongáveis. Ter uma fã número 1. E um fã número 1 . Ver a lua nascer da varanda. Estar em paz, mesmo que nem sempre. E eu, que pude ver o quanto minha vida é maravilhosa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Segunda-feira

É a vida normal, mas são quatro piscinas maravilhosas, de água azul, e nenhuma criança nadando. Ninguém batendo os pés na água e refrescando um pouco os dedos do dia puxado, do sapato apertado, da falta de prazeres simples. Tanta gente ainda de ressaca dirigindo seus carros, acendendo os faróis, comprando pão pro lanche, que já não se faz mais jantar em família. E é só um dia normal, uma segunda-feira com contas e compromissos e o peso da semana inteira pela frente. O final de semana está muito longe, aqueles dias que todo mundo é obrigado a vestir uma roupa melhor e aproveitar horrores, cair na farra, tropeçar de bêbado e pegar a maior quantidade de saliva dos outros possível. Os dias programados pra máxima diversão.

É engraçado na sexta e sábado, mulheres enfurnadas em salões queimando os cabelos e sangrando as cutículas, ansiosas para não caberem em vestidos de luxo e esperando na esquina por homens que não fazem a gentileza de dar a volta no quarteirão pra buscar as namoradas que se sacrificam em saltos pontiagudos. É, não é engraçado.

Aí eu vejo aqui do 11º andar as piscinas, o fim de tarde, o céu e sei lá, fico com inveja das pombas, aquelas acusadas de sujarem a cidade e espalharem doenças. Mas são elas que tem acesso aos terraços dos prédios. Pra que pagamos tão caro se os terraços não são visitáveis? Eu queria ser pomba nessas horas. Comer pipoca nos parques e voar pelo planejamento desfuncional da cidade. Queria finais de semana mais longos ou dias da semana menos chatos.

E não é que estou reclamando. Grande parte da minha ocupação de hoje fui eu mesma que escolhi, faz parte das buscas pessoais para ser um ser humano mais completo ou, simplesmente, uma mulher mais feliz. Mas quis o destino que eu morasse num lugar alto, e uma pessoa contemplativa com uma varanda para contemplação vai sempre questionar o vai e vem ali de baixo como se não fizesse parte dele.


(foto tirada agorinha, pra mostrar a vista que estou falando. O céu é assim mesmo, não tem outro truque de edição além de uma boa câmera e uma boa fotógrafa)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Designo

Se eu pudesse te dar uma coisa, entre as tantas boas que desejo, seria o seu nome. É um presente estranho, já que seus pais pensaram tanto e escolheram como te chamar, e a vida confirmou que seria assim mesmo que as pessoas iam se referir a você. Um nome comum, fácil de pronunciar. Mas tão lindo, tão forte, tão completamente seu que me parece mesmo uma afronta outras pessoas andando por aí com o mesmo nome que você atende. Tanta gente pelo mundo, com outras caras, outras formas, vidas alheias à sua e o mesmo som que te designa. Não, não, isso com certeza não é certo.
Que se chamem Aloízio, Rodolfo, Galopante, Meteoro de Pégasus, Astolfo, Astrogildo. Ou até números, estações do ano, meses do calendário ou gestos, tanta gente que nem por gestos merece ser chamada!
E a junção de letras, as poucas síladas que se transformam em sons e num instante já está ali, uma vibração de cordas que impressioa os ouvidos presentes, que imediatamente a ligam à imagem tão bem formada que só pode ser única: você.