terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A explicação que Newton não deu

Viver em sociedade é uma enorme responsabilidade, mas há quem sabiamente nem pense nisso. Você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas. Pode até achar que tem, mas não. O seu "olhar 43" pode ter funcionado nas horas que você precisou dele, mas não dá pra saber se aquele "alvo" foi conquistado com seu melhor olhar ou com aquela frase idiota que escapuliu na hora errada.

Aquele elogio que você fez pode ter deixado sua amiga neurótica tentando alcançar a perfeição e aquele fora monumental no chato feiosão deu o estímulo necessário pra ele querer provar seu valor. Hoje ele tá super feliz com uma pessoa muito mais legal e bonita que você.

Você nunca vai saber se fulano e fulana se apaixonaram naquele jantar romântico ou depois daquele tropeção no tapete de uma festa chique. Quem de nós não estranha, vez ou outra, um inesperado tratamento super simpático ou aquela grosseria vinda do além?
 
Te amam, te odeiam ou nem notam sua existência, e você nunca vai saber porquê. A roupa certa, o melhor vocabulário e uma dose extra de charme treinado na frente do espelho. Uma piada de mau gosto naquele boteco sujo. Uma crise histérica. Um sorriso. Uma música que tocou no rádio naquela hora de tédio. Um cheiro no pescoço. Aqueles segundo da sua atuação podem ficar pra sempre na memória de alguém ou serem esquecidos pra sempre, até mesmo por você.
A única certeza é que jamais haverá uma fórmula certa para ação e reação nas relações humanas. Mas esse mistério nunca vai deixar de me fascinar.

 

Top 5 - Coisas que não me arrependi de gastar dinheiro

 
1 - Melissa Doc Dog R$ 135,00 (mesmo modelo, mas vermelha)
Na verdade, essa eu ainda nem paguei. Mas ela provou todo o seu valor quando eu saí de casa muito (muito) poderosa com meus super sapatos (mesmo que oficialmente seja uma sandália). Dói o pé, é muito alta, é ruim de andar na calçada, mas me faz feliz.
 
2 - Um ano de Dança do Ventre
Foram 12 mensalidades + o lenço pra treinar + a roupa pra dançar no teatro + o véu + a gasolina e paciência de encontrar a loja para comprar o véu + ingressos pro teatro + ingressos pra ver outras pessoas dançando + etc.
Se eu somar tudo, capaz de ter gastado uma pequena fortuna. Mas não vou somar os valores. É algo que compensou e continua compensando. Tá ficando mais difícil, exigindo mais dedicação e cada vez mais dinheiro, e eu cada vez mais feliz!
 
3 - Viagens
Europa (wow), Porto Seguro, Argentina (wow), Recife, Goiás Velho, Pirenópolis... Não me arrependo de nem um centavo (nem da falta de mais dinheiro). Espero que meus financiadores também não se arrependam da ajuda fantástica que me deram.
 
4 - Kit engabelator de ladrão - Som para o carro
Mudou minha vida! Nada como dirigir feliz com minhas musiquinhas! Melhor ainda é descer do carro sem medo de voltar e não encontrar o som.
 
5 - Promoção Ponto Frio: Secador + Chapinha
Recuperador de auto estima e kit emergencial para saídas glamourosas não planejadas com a devida antecedência. 

domingo, 24 de fevereiro de 2008

É, andei sem postar esses dias. Mas é que ando mesmo desiludida e nenhuma fantasia inspiradora tem passado por mim. Acho que sou uma pessoa criativa e sonhadora, mas a realidade estéril me contaminou e fiquei assim, chata e reclamona. Tento não ficar falando disso, pois isso é chato pra caramba. E se não falo disso, não resta muito mais o que falar...

Estou cansada dos meus problemas e até hoje não sei como resolvê-los. Claro, na teoria a solução pra tudo é bem simples, mas eu me perco na prática, me embaralho dos fios da minha mente e sei lá por onde me perco. No fim, nada se resolve e continuo atolada no mesmo lugar, na mesma poça d'água que criei pra me afogar. Ninguém é culpado, não há vilões, a vida não é cruel. E já que é assim, não tenho direito a gritar por ajuda. Mas juro que sozinha eu não consigo mais.

Mais uma segunda-feira está pra começar e eu só me sinto cansada.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O DIA QUE ELA ADMITIU 2*


No telefone: _Oi Lu! É o Cris!
_Oi. (seca)
Pausa pensativa dele (o que será que aconteceu dessa vez?).
_Escuta, o pessoal marcou de ir lá no Arpoador. Tá afim?
_Que hora?
_Fim da tarde.
_Fazer o que?
(putz, ela tá muito chata hoje)
_Ver o pôr do sol, conversar... essas coisas.
_Humn, vou não.
_Por que?
_Porque a Ludmila está com trinta e dois anos, Cristiano. Ela já cansou de ver o sol se pôr e nem tem mais idade pra ter "turma" (esse turma bem irônica).
_Ué, você adorava há uns anos atrás.
_ Há sete anos eu adorava mesmo. Mas ia lá só pra te beijar.
_O que?! (engasgo)
Suspiro. Ela, na verdade, está tão desiludida com a vida que até confessou um segredo de anos. Ia só pra beija-lo, mas só acontecia de vez em quando e ele nunca levou a sério. Ela acabou se casando com outro cara que nem gostava tanto e se acostumou a ser só amiga do Cristiano. Com os anos, se afastou da turma, mas continuou falando com ele de vez em quando. Há seis meses, ele está mais presente tentando ajuda-la a superar o fim do casamento.
Quebrando o silêncio, ele falou: _Escuta, aí do teu prédio dá pra ver o pôr do sol, não dá?
_Subornando o porteiro pela chave da casa de máquinas do elevador, dá sim.
_Então eu vou aí ver o pôr do sol do seu jeito, tá?
E ela se lembrou que sabia sorrir sem doer.


* O número 2 é porque eu já usei esse título num outro texto ainda não publicado.
* Ilustração chumbrega by me, modelo by me e foto by Ana Paula.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vou casar com o André

Uma viagem pra Recife serviu pra aumentar meu amor por Brasília. Pois é! Impossível não se apaixonar pela banda inteira e, principalmente, pelo vocalista da banda Móveis Coloniais de Acaju (DF). Eu e Ana Paula, que concorre comigo e com outras mil fãs ao cargo de primeira-dama da banda, apostamos que ele se chamaria Roberto. Hoje, minha primeira tarefa aqui no trabalho foi pesquisar o nome real do meu futuro marido. No site, ele avisa: "Não se enganem, André Gonzales é uma farsa". Por enquanto, pretendo pagar os ingressos dos shows pra ver...

Mudando de assunto...
Cheguei de Recife ontem (domingo) e tava super cansada. Foi impossível sair do sofá pra telefonar ou mandar emails/scraps pra alguém, ainda mais que porque na estava passando "Um Lugar Chamado Notting Hill", que eu nunca canso de ver. Hoje devo voltar à vida real e prometo tornar o processo de readaptação um pouco menos lento que o usual (e isso pq passei uma semana fora, imagine um mês...). Ah, e a viagem pra Recife/Olinda foi boa demais!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Habib

Aumentou o preço. Diminuiu o tempo. Agora, também posso pagar por aulas extra aos sábados. Mas acho que vou reclamar muito pouco. Ontem voltei à aula de Dança do Ventre. A técnica, as amigas, a música, tudo estava lá, no mesmo lugar, mas parecia melhor.
 
Estou um tanto desengonçada pelos meses sem prática. Meu "twist" (uma viradinha com o quadril) está um horror. Mas tudo bem, peguei umas variações novas sem dificuldade. Saí da aula tão empolgada que demorei a ter sono. Como é bom encontrar uma coisa que dá ânimo! Além de prazeroso, é lindo!
 
Volto aos palcos em junho (ha ha). Me aguardem!
 
 
Ps: Alguém em explica, como, meu Deus, como os melhores estúdios de design não estão me disputando aos tapas? Que ilustração fantástica feita em poucos minutos! Uau pra mim! hehehehehehe

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008





Ele chegou e disse enérgico: É hoje. Já pensei em tudo.
_O quê? Hoje!?
_É.
_Mas... você pensou bem?
_Pensei em tudo.
_Mesmo?
_Em tudo, cara! Pensei em tudo! Não há nada que possa acontecer que eu não tenha pensado.
_Se der errado?
O resoluto sorriu desdenhoso. _Ora, meu caro, pode dar errado, pode dar certo. Não me importa mais. Qualquer coisa que acontecer eu já pensei, e nada poderá me surpreender.
Impressionado com tamanha certeza, o amigo deu de ombros. _Que seja!

Pouco mais tarde, ele chegou e disse de uma vez:
_Mariana, estou apaixonado por você.
E ela não fez cara de surpresa ou espanto, não achou ruim, não fez cara de quem já sabia, não achou estranho, não pôs a mão no coração e achou lindo, não disse oh, não me diga, não saiu correndo, não disse que já tinha outro, vamos ser amigos e nem caiu em seus braços dizendo que seria sua pra sempre. Ela sorriu.
Sorriu!
De uma maneira tão nova, tão pura e bela que fez as pernas dele tremerem.
Sem saber o que dizia, ele falou: _Na verdade, eu te amo.
E isso ele não tinha pensado.

É certo que ninguém gosta, mas eu detesto me sentir burra. Não sei o que é gateway padrão, não sei a diferença entre um modem homologado e outro não homologado. Sei que existe, mas não sei mesmo como funciona o tal do IP, que é como o RG do computador (acho). E ontem desligaria o telefone xingando até a avó do atendente que me tratou mal, mas fiquei mesmo desoncertada por ser tratada como estúpida. Eu, que costumo me sentir o máximo em informática porque resolvo dois ou três problemas aqui da redação, tive minha "auto-estima tecnológica abalada". Sorte que meu computador sabe que fazer feliz, apesar de ser um idoso caquético. Reiniciei e tudo voltou ao normal. O tal atendente burro da GVT pode continuar com sua estupidez: eu ainda tenho minha boa fé e meus santos bites protetores.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Procurem a cabeça de burro!

Não sei se essa expressão existe fora de Goiás. Por aqui, costuma-se falar que um local deve ter uma cabeça de burro enterrada quando ele, de alguma forma, dá errado. Seja em diversas falências comerciais, seja pela vida de quem mora lá ou qualquer outra zica. Pode-se culpar a tal cabeça de burro por tudo que é ruim por ali.

Há anos morando no Setor Oeste, passo sempre em frente ao condomínio Porto Ferrara, na mesma rua onde moro. Esse prédio foi um dos muitos edifícios que ficaram inacabados na massa falida da Encol, aquela construtora que foi a maior da América Latina e deixou milhares de pessoas na rua da amargura, literalmente. O Porto Ferrara passou anos com as obras paradas. Os compradores esperaram em vão por uma solução da Justiça. Perderam muito dinheiro, já que o apartamento é de luxo, e quase perderam a esperança e paciência. Por fim, os já lesados cidadãos desenbolsaram mais uma fortuna para terminar a obra do prédio, que andou devargazinho, mas foi concluída.

Passando sempre pelo local, notei que a ocupação foi tímida, mas, por fim, o prédio parecia ter entrado nos eixos e deixado o passado amargurado pra trás. Mas esqueceram da cabeça de burro por ali.

Infelizmente, 2008 começou de uma forma muito triste no Porto Ferrara. Na noite de 04 de janeiro, uma criança de apenas 3 anos morreu ao cair do 12º andar do edifício. Parece que foi uma simples olhada curiosa na varanda do apartamento que causou a tragédia. Não sei como os moradores reagiram, não passei por lá no dia do acidente. Acompanhei a notícia pelos jornais e não me interessei em repercurtir o caso na tv. Não tinha muito mais o que falar. Uma criança cair de uma varanda é realmente muito triste.

A história ficou na minha cabeça e hoje pensei na cabeça de burro. Vasculhem as fundações, deve ter alguma coisa. Um prédio que deveria ser celebrado pela sua ótima localização e pelo maravilhoso apartamento de luxo não deveria ter tanta tristeza reunida em sua breve história.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Post chato de uma doninha de casa

Ontem, fui ao supermercado e levei meu companheiro mp3 player. Sem ele, fica muito difícil fazer compras em paz, principalmente naquele antro. Estava eu escolhendo cenouras quando vi uma pequena aglomeração em torno de um home theather: Celine Dion berrava a plenos pulmões "I´ll be waaaaaaaaiting for youuuuuuuuuu". Eu, com Arnaldo Antunes no ouvido, olhei para os que assistiam ao show de Celine e pensei "pobre humanidade"!
*
Por falar em supermercado, estou quase me convencendo que o Extra não é caro. Pelo ambiente que se encontra lá, talvez seja até barato. O problema é que eu não topei pagar, então fui no Moreirinha (Gente da Gente, 100% Goiano - que maravilha se slogan!). Olha, podem me chamar de fresca e preconceituosa, mas aquilo ali é tétrico, um horror!
 
Para se chegar às verduras e frutas, você atravessa jeans, dvd´s, perfumaria e um tantão de coisas promocionais amontoadas e pega uma escada rolante que, apenar das placas de "sobe" de um lado e "desce" do outro, tem um funcionário pra controlar o trânsito. As verduras estavam sofríveis, mas isso quase não me incomodou. Nas outras seções, uma coisa não se liga à outra com muita facilidade, e achei meu queijo cottage graças à plaquinha que indicava "Gordurosos".
 
Gente, alguém me explica como um supermercado coloca uma plaquinha de "Gordurosos"???? Ok, a manteiga, queijo e etc são mesmo gordurosos, mas precisa lembrar o cliente? Não sei como venci o preconceito e entrei mesmo assim no temido corredor.
 
Os caixas ficam expremidos e quase não se encontra-os, já que no meio do supermercado tem uma lojinha de presentes (expremida, é claro). Não sei se é minha memória induzindo as coisas, mas tenho a impressão que a iluminação ali é péssima. Quando chegou minha vez de passar as compras, três crianças brincavam na barra de ferro que separa os caixas. Pedi licença pra passar o carrinho e fui solenemente ignorada. Minutos depois, passei o carrinho por cima de pés e esbarrando naquelas mãozinhas, mas ó, a tia avisou. A mãe achou ruim, mas não fez mais que me olhar feio.
 
Chegando no estacionamento, as rodas do carrinho faziam um barulho infernal pelo atrito com o piso, que era tanto que meus braços tremiam. Quando finalmente (ufa!) guardei as compras no carro, uma grata surpresa: o guarda do estacionamento prontamente pegou meu carrinho para guardá-lo.
 
Não sei se os 60 reais que gastei no Moreirinha seriam 80 no Extra (meu preferido) ou 70 em outros supermercados da capital. Talvez ficasse a mesma coisa, não sei e não quero comprar. Mas tenho certeza que não volto no supermercado onde "meu dinheiro não sai de Goiás" tão cedo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Por que o leão é considerado o rei dos animais?

Procurei no Google e não encontrei uma resposta satisfatória, mas acredito que o Leão mereça esse título porque: 1 - O Leão macho não caça nem cuida dos filhotes: sua maior função é defender o território; 2 - Apesar de serem capazes de caçar muito bem, raramente vão a luta porque a juba superaquece seus corpos, o deixando exaustos em pouco tempo (ufa, mona!); 3 - Em um grupo que pode chegar a até 40 membros, a maioria é de fêmeas subservientes a um único macho; 4 - a maior parte das vezes que vemos um leão macho ele encontra-se relaxado, se não estiver a dormir. (fonte: Wikipedia)
 
Tudo isso me parece bastante com a vida real dos monarcas que conheci nos livros de História e nas páginas de Caras.
 
(assunto bobo né? Essa dúvida me passou pela cabeça ontem a noite... Ando sem tempo/oportunidade pra escrever porque estou sem meu quarto e, consequentemente, sem meu computador.)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Lá de lá

Hoje o dia teve um sentido absurdo de irrealidade. De repente, é como se meu passado nunca tivesse acontecido. E não pude lembrar o cheiro ou gosto das pessoas que beijei. Não lembrei o timbre exato da voz da minha melhor amiga de tempos e tempos atrás. Eram imagens em preto e branco que alguém me deu, mas não fui eu que colecionei. E assim meu amor aos que estão distantes se tornou maior, do tamanho do universo. Eu sou o mundo. Eu sou o amor.


Minha irmã mais nova, querida Faena, tornou-se uma arquiteta. Meu primo tá se formando em Fortaleza. Minha prima vai casar. Outros dias ficaria triste por estar tão longe, mas hoje tenho certeza que sobreviveremos a distância e nossas vidas não se perderão umas das outras. Temos o orkut, temos as fofocas de família, temos as voltas que o mundo há de dar. O tempo certo vem.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Ele simplesmente não está a fim de você


"Doeu? É para doer mesmo. Foi forte demais? A intenção era essa."

Nunca li esse livro. Não sei se é bom, não tenho a intenção de comprá-lo. Mas sua capa me ensinou muito (vejam que desastre de marketing, o consumidor aprende ao ler a capa e não compra o produto!). Toda vez que me interesso por um carinha, fico armando mil estratégias pra encontrá-lo, traduzo os sinais (dos mínimos aos óbvios) como provas do interesse dele, me encho de esperança e... bem, na maioria das vezes, nada acontece. O "Sr. Fulano Bola da Vez" simplesmente não faz nada, ou continua fazendo pequenas gracinhas, sem o tal passo "a mais".

Para as moralistas de plantão que me conhecem, afirmo que o "Sr. Fulano Bola da Vez" não é aquele que faz-gracinhas-mas-tem-namorada. E também não vou dizer quem é porque não há nada pra dizer. Hoje, a frase título desse post caiu como uma luva para responder a falta de notícias dele. E, é claro, como percebi isso, eu o odeio.

Ok, odiar é forte demais. Eu não o odeio e nem me odeio por ter me interessado por ele. Mas o desperdício de energia, tempo e pensamentos é algo a se lamentar. Se eu pudesse pedir algo ao cosmos, pediria pra só me interessar por sujeitos que valessem a pena. Tá... sei que é demais. Mas queria mesmo não me interessar pelo primeiro que me trata bem e me dá um quê de atenção especial. Eu, que sou uma mulher razoavelmente inteligente, não entendo como posso sempre entender tudo errado. Então aquele abraço não significou nada? Aquelas perguntas sobre um assunto que só eu gosto, aquele sorriso ao me ver, aquele aperto brincalhão, as especulações sobre o que se passa no meu coração... Tudo era nada? Não consigo entender.

Será que interesse mútuo é algo raro demais pra acontecer comigo? Quais sinais realmente indicam que ele "tá querendo"? Como separar uma brincadeira inocente de um comentário com segundas intenções? Juro que trocaria algumas de minhas habilidades (são muitas) para entender um pouquinho mais desse assunto. Estar sempre perdida nessa área é realmente cansativo e o pior: nada produtivo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Por esses dias...

Humpf. Hoje vou ter que ficar o horário todo no trabalho. É engraçado como uma coisa tão normal há poucos dias já parece martírio. Há quase um ano, eu trabalho por aqui de 8h às 17h. Mas há pouco passei a trabalhar só até as 14h. Hoje tenho que substituir uma amiga e o fim do expediente nunca me pareceu tão longe. Mais café, por favor.
 
#
 
Essa semana foi muito especial pra mim. Terça e quarta, mostrei o resultado de quase um ano de dança do ventre no palco do Teatro Goiânia. Estive tão envolvida com isso que agora estou com saudades. Estava cansada, mas fiquei muito feliz. Meus amigos queridos foram me aplaudir e meu irmão ficou todo orgulhoso. Como eu mesma comentei ao ver o vídeo: Eu danço demais, uhu!
 
Além de cumprir direitinho uma tarefa que me propus: aprender e apresentar uma coreografia, foi interessante fazer parte da preparação do espetáculo. Ver um micro cosmos todo voltado à dança é algo bonito de se ver. Participar, então, é quase uma honra, se eu não lembrasse o tempo todo o quanto cada aluno paga para ter o título de dançarino. Ano que vem pretendo fazer tudo de novo.
 
#
 
Ontem quis ser Chuck Norris. Fui estacionar o carro na garagem e um reluzente Classe A preto (placa JGN-6629 Brasília) impedia minha passagem. Depois de um tumulto para estacionar em outro local, fiquei de plantão ao lado do invasor e resolvi escrever um bilhetinho desaforado. Mas, mal acabo de pegar caneta e papel, chega o belo condutor e me olha torto. Segue-se a cena:
Eu: _Esse carro é seu?
Belo condutor: _É.
Eu, apontando para a garagem bloqueada: _Olha, fiquei sem entrar aqui por sua causa.
Belo condutor com óculos escuros: _Ah, isso aqui é uma entrada? 
Eu (mão na cintura e braço estendido, de revolta): _É uma garagem, não deu pra perceber???
Belo condutor abre a porta do carro, senta, põe o oculos no alto da bela cabeça e exclama: _Ai ai ai... (traduzindo: ai ai ai... tenho que aguentar essa plebéia irritante questionando meu nobre direito de estacionar onde bem entendo!).
O Belo foi fechando a porta e eu: _Olha, eu te desculpo, apesar de você não ter pedido.
E a beleza foi embora, sem dizer nada, sem ao menos me falar um nome feio. Como se pudesse mesmo ignorar minha existência.
Ah se eu fosse Chuck Norris...

domingo, 28 de outubro de 2007

O shampoo que eu sempre uso acabou. Faltou tempo, disposição e, confesso, dinheiro pra ir ali comprar outro (ele não é caro, mas...). O fato é que lavei o cabelo com outro shampoo e meu cabelo ficou uma bosta. O fato corriqueiro é fácil de corrigir, basta ir comprar o de sempre e pronto, posso voltar a ser feliz (parcialmente, pq é difícil uma mulher realmente feliz com seu cabelo). Mas o que me incomoda é que meu cabelo, do jeito que eu conheço e gosto, não é meu! Ele é daquele shampoo e creme, que agem em conjunto e dão o aspecto que eu gosto aos meu conjunto de fios. E só eles, até agora, conseguem fazer isso sozinhos, sem o auxílio de secador, creme de pentear, chapinha e mil outros recursos. Não é revoltante que uma única marca de shampoo detenha o poder exclusivo sobre mim? O outro shampoo que tenho é superior ao outro em marca, qualidade e preço, mas simplesmente não serve! O cabelo que eu gosto não é meu, é daqueles dois imperadores! Dependo da presença deles para não me preocupar demais e deixar pra semana que vem aquele banho de creme ou qualquer outro tratamento salvador. Isso é anti a liberdade de escolha! Protesto! Mas vou já ali comprar o conjunto que se apoderou da minha identidade capilar. Afinal, antes presa a uma coisa boa que ter a liberdade de escolher os efeitos ruins.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Acordo

Ela se olhou no espelho do elevador e retocou o batom. Precisava parecer um pouco mais alegre, precisava tornar a máscara da mulher bem resolvida convincente. "Sem ressentimentos, Marco Aurélio, sem ressentimentos. Claro, podemos ser amigos", repetia mentalmente a frase para ver se poderia se tornar um pouco mais verdade.

Mas era impossível não ver que Nara estava triste. Subir de novo naquele elevador era doído demais, e não fazia idéia de como seria ir até o sétimo andar, parar em frente ao 704 sem chave e tocar a campainha. Lembrou-se do dia em que ele lhe deu a cópia da chave, lembrava de ter entrado ali nos braços dele, das sacolas semanais de supermercado, da reforma interminável, dos jantares românticos, lembrava de tudo.

Parou à porta e pensou em descer correndo as escadas, mas respirou fundo e tocou a campainha. Nada. Tocou a segunda vez desejando ardentemente que nada continuasse, mas ele veio correndo e abriu a porta de toalhas. Ficou surpreso ao vê-la. "Você?", a expressão de total desentendimento era pior que uma surpresa desagradável.

_Você esqueceu?

_Ah, desculpe Nara, a gente tinha marcado?

Aquilo doeu mais que a separação. Marcaram há uma semana o encontro para assinar os últimos papéis que diziam deles marido e mulher. Ela passou a semana se preparando para isso, duas sessões de terapia, conversas de apoio com os amigos, artigos de revista e até um programa de tv que achou encorajador. E ele esqueceu.

Falando muito baixo para não demonstrar a confiança desmoronando, ela disse muito baixo: _Os papéis.
Ele bateu na testa e pediu mil desculpas: Entre, entre.

Sentou como visita naquele sofá que ela comprara enquanto ele se apressou para vestir uma roupa. Devia estar entrando no chuveiro quando ela chegou, pois estava suado e com o cabelo em rebeldia.

Voltou pouco depois com uma bermuda e camisa amassada. Sempre tão desorganizado, como estaria se virando sozinho? Olhou ao redor e viu que a sala estava impecavelmente arrumada. Tinha um cheiro bom. Seus objetos estavam nos mesmos lugares. A decoração era exatamente a mesma e Nara imaginou que ele sempre gostou mesmo daquilo tudo e por que desmancharia uma sala tão bonita? Devia servir para encantar as mulheres que ele levava para lá. Seu apartamento virou um matadouro. Vacas, piranhas, cachorras... as imaginava entrando ali e aceitando um drinque. Ele falava qualquer coisa que ela não estava ouvindo, separando os papéis de uma pilha... a rescisão de contrato com o banco, a transferência do carro que ficara para ela, o acordo sobre o apartamento, algumas correspondências sem importância, um financiamento de uma chácara que ela agora iria assumir... enfim, o fim.


Ele juntou a pilha e colocou na mesinha na frente dela. Saiu para buscar uma caneta, ainda tão desconcertado com a presença dela ali que não achava nada com facilidade. Ela perguntou, tentando ser casual:

_Não está trabalhando hoje?

Ele ficou ainda mais perdido. _Me atrasei agora à tarde, daqui a pouco vou lá.

Ela nem se perguntou o motivo do atraso dele, estava mais ocupada em sofrer no momento. 
Quando finalmente tinha a caneta e Nara se preparava para assinar os papéis, ouve uma voz lá de dentro: _Amor, viu meu celular?

E uma jovem estonteante entra pela sala seminua e ainda suada. Pior que o choque de ver o motivo de um atraso para o trabalho foi ver a intimidade que ela tinha na casa. Procurava nas gavetas e por cima da mesa, quando entrou na sala, viu Nara e fez aquela cara de "Ué?". Marco Aurélio perdeu a cor. A moçoila pediu perdão, que não sabia que ele tinha visitas, que voltaria ao quarto, com licença, até logo, tchau.

Nara estava estática. Teve medo de começar a chorar, mas não precisou se controlar. Era um baque surdo que atingia seu estômago e a deixou paralisada. Levantou devagar e andou pelo ambiente. Não tinha notado os porta-retratos com o novo casal. Foi à cozinha e a comida era toda light diet naturella. Dela. Um batom jogado, uma bolsa ao acaso. Ela morava ali.

 _Me desculpe, Nara, eu não queria que você tivesse visto isso. Não queria magoar você, poderia ter sido mais sutil.

Ela escorregou numa cadeira e falou: Tudo bem.

Ele se apressou: _Toma uma água, vai te acalmar, me desculpe.

Deu a ela o copo gelado e correu ao quarto, não para brigar pela inconveniência, mas para falar desculpa amorzinho, pensei que fosse ser mais rápido, te deixei esperando, beijinho, beijinho, já volto, te amodoro princesinha.

 Encontrou Nara de pé no meio da sala de estar. Tinha uma faca na mão.

_Calma, Nara! O que é isso! Você não vai fazer nenhuma loucura, não é?

Ela indicou com a faca uma poltrona: Senta aí.

Trêmulo, ele obedeceu.

Ela pegou um objeto na estante. Caro, refinado, de bom gosto.

_Eu comprei isso aqui.

E pá, no chão. Ele tremeu e falou: Narinha, o que é isso?

_Narinha é sua avó e você vai ficar calado.

Pegou outro objeto e de novo pá. Pá pá pá pá pá. A estante inteira.

Ele quis correr, mas teve medo.

_Você deu uma desculpa esfarrapada de crise existencial pra acabar um casamento de oito anos e tem uma vagabunda da minha casa? Desfrutando da decoração que eu fiz? Do conforto do meu lar?

E destruiu a sala numa velocidade assustadora, quase ninja. Marco Aurélio correu pra acalmar seu benzinho assustado e pensaram em ligar para a polícia, mas ela tinha cortado o fio do telefone. O porteiro, mas o fio do interfone também.

O celular dele estava mais perto de Nara, era muito arriscado. O dela ela não achou.

Nara encarou  o casal e mandou: Sentem aqui e fiquem quietos. Suas vidas não correm perigo.

Em pânico, obedeceram.

Correu o resto do apartamento e quebrou tudo o que pode lembrar que ela mesma comprou, os pratos que lavou durante anos, a panela de fazer a farofinha do maridinho virou aço inox pela janela! Quebrou tudo que ela tinha posto ali para decorar e ser útil ao lar feliz que achava ter construído.

Deixou o resto porque estava mesmo velho, e ela não queria mais os lençóis que dormiram abraçadinhos e não queria mais nada além do dinheiro dele. Uma viagem, uma lipo, um amante. Ele ia pagar tudo, jurou.

Voltou à sala ele estava explicando para o 190 o que estava acontecendo. Ela pegou o celular dele e jogou pela janela. Ainda viu de relance que a foto na tela era dos dois juntinhos.

_Escute aqui, imbecil: eu não assino papel nenhum e você agora fala com meu advogado. Prepare o bolso. Quero até o último centavo.

 Saiu batendo a porta e teve uma crise de riso no elevador. Foda-se a terapia, foda-se o consolo dos bons amigos. Ela agora era vingança, ganância e sede de viver. Isso merecia um Bloody Mary. Libertador.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Reflexão

De repente ela está ali
Parada
Me olhando
Essa mulher não é de todo mal
Só me parece um tanto infeliz ou cansada, nem sei
Não tenho nada contra ela
É só que ela deveria se parecer um pouco mais comigo
Mas nem a conheço
De modo algum a imagem que vejo é proxima a que sempre imagino
E ela, parada, me olha de volta
Parece alheia ao que sinto
Não lhe causa estranheza me olhar daqui? pergunto
Ela se entristece
Não sendo eu, não pode ser ela
Porque ela sou eu no espelho
Mas eu não sou ela
 
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Segunda-feira

* Meu despertador estava programado para 6h45
 
* Passei 15 min na "soneca".
 
* Nos últimos 5 minutos da soneca, meu cérebro e corpo, cansados e precisando de umas horinhas a mais de sono, me fizeram sonhar que eu já tinha perdido a hora e não adiantava mais me apressar.
 
* Convencida pelo sonho, desliguei o despertador.
 
* Acordo meia hora depois achando que já eram umas 08h30. Mas o relógio marcava 7h26. Deve ter sido uma parte responsável do meu cérebro. Tive que me arrumar em 5 minutos para não perder o ponto.
 
* Agora estou aqui, no meio da manhã, cansada, sem produtividade alguma, com cara de sono e mal humorada. Mas o ponto, parâmetro absoluto do bom trabalhador, foi "batido" às 8h06 da manhã.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Tédio na Hora do Almoço

Primavera

8h05 da manhã, uma gordinha entra na cantina com cara de desanimada e suspira. A "tia do lanche" pergunta:
_Uai Fulana, o que foi com você?
A gordinha responde: _Ah, fiz 30 anos né? Vou fazer o que?
E outro suspiro.
 
Eu, que estava no cantinho aproveitando meu café com pão, respondi em pensamento:
 
_Uai filha, vai continuar vivendo, né? Ou se mata, porque aí vão dizer que você morreu jovem!
 
É cada uma que eu escuto, vou te contar...