Contra gente magra.
Porque eu estou grilada de estar gorda e fazer regime é um sacrifício imenso, caso você (magro) queira saber.
E também sou contra gente do cabelo liso e naturalmente bonito.
Meu cabelo, por ele mesmo, é sem graça e despenteado.
Tem pichains na frente.
Se eu não fizer nada, fico sempre com cara de desarrumada.
"Ah, mas você pode fazer luzes, escova, chapinha... não custa nada".
Custa sim.
Eu tenho um sono mortal de manhã, sou enrolada, preguiçosa, cabelo escovado suja rápido e me dá coceira.
E luzes sai mais de R$ 200 nos salões razoáveis.
Então, hoje, eu sou contra gente magra e do cabelo facilmente bonito.
É o meu dia de revolta, dá licença.
Caso você seja magro e com cabelão lindo, você vai entender que eu tenho inveja.
E você também tem direito de ser conta o que quiser.
Talvez você quisesse ser inteligente, por exemplo.
Ser branca.
Ser negra.
Ter pernas mais grossas.
É claro que você pode ser feliz sem isso.
Eu também posso.
Mas hoje eu não estou feliz com meu corpo e nem com meu cabelo.
E comecei um regime, vou voltar a malhar, vou tentar resolver meus problemas capilares.
Mas eu tenho todo o direito de não gostar de ter esses problemas.
Não é que eu não tenha outros, tenho, inclusive, vários outros.
Uma coleção repleta de problemas chatos e difíceis, de toda ordem que você possa imaginar.
Físicos, psicológicos, sociais, sentimentais, astrais... Problemas à vontade!
Mas são todos meus e vou levando como posso.
Peço ajuda ou não, empurro com a barriga ou resolvo, enfim, me viro.
É bem provável que eu evolua com o tempo e me torne uma pessoa melhor. Mais madura, mais segura.
Quem sabe, até lá, eu consiga ter uma relação mais saudável com meu corpo e cabelo.
Talvez eu esqueça as cobranças externas e consiga chegar ao nirvana de agradar só a mim mesma e mais ninguém.
E passear livre pelas casas de massa exibindo orgulhosa minha massa de fios desordenados na cabeça.
Mas, até lá, vou sofrer ao desistir do sorvete, do cheddar e de gastar uma fortuna nos salões.