quarta-feira, 10 de março de 2010

Dos ares

Então naquele ano os anjos desceram para dar presentes, pois o mundo (como é conhecido) estava mesmo prestes a acabar. Fui uma das agraciadas, não por beatice, santidade ou sorte, mas por preencher os requisitos. Eles viram que amo o universo e a beleza acima de todas as coisas, e, sendo de alma solitária, conseguiria guardar segredo. Foi me dado o dom de voar. Não por metáforas, nem como os pássaros, que precisam bater as asas num grande esforço. Me foi concedido voar como um vento, como pensamento. E meus limites seriam os mesmos de qualquer humano: o meu corpo. Eu não poderia sair da atmosfera porque lá fora não tem oxigênio, esse combustível que nos alimenta e consome. Também não conseguiria subir muito além das nuvens sem uma roupa apropriada para aguentar o frio, mas isso fui aprendendo aos poucos.

Ao me dar a graça, meu anjo contou que muitos humanos estavam recebendo dádivas, mas eu não poderia conhecê-los ainda. Alguns voariam, outros ficariam invisíveis, seriam mais fortes, leriam pensamentos, controlariam chuvas, encantariam serpentes e uma infinidade de poderes, mas que eles, os anjos, cuidariam para que nunca nos encontrássemos em ação. "Seria muito perigoso, a solidão é o único protetor contra a soberba", me explicou o anjo.


Nos primeiros vôos, planei sobre vegetações rasteiras, porque ainda não tinha coragem. Aos poucos, fui tomando altitude e explorando minha cidade e arredores, sempre nas madrugadas dos dias quentes. Arrumei uma roupa preta com capuz, para não ser vista. Essa era a principal regra: não ser vista voando por ninguém que pudesse estranhar tal fato. As pessoas normais se assustariam e saberiam, depois de descartadas as possibilidades da tecnologia, que eu voando era um sinal do apocalipse.


Quando comecei a ir mais alto e mais longe, achei que minha alma explodiria de encantamento. Como o mundo é belo, como é belo, e como as pessoas não veem? Acompanhei leitos de rios até o mar. Segui para os oceanos. Vi pulos de baleias, descansei em ilhas desertas, assisti a tanto nascer e por do sol que esqueci que o mundo estava acabando, sem nunca enjoar do ir e vir da luz do sol. Por cima da aridez, os desertos são sinfonias de cores e formas. Chorei ao ver pela primeira vez o Jalapão e, com algum esforço, cheguei ao Saara, para mais uma vez minhas lágrimas saírem dos olhos sem caírem no chão. Sentei no topo de pirâmides, fugi de tempestades de areia e voltei pra casa exausta.


Também explorei as maravilhas do mundo moderno. Tudo me dava muito trabalho de disfarces e horas e horas de observação até ninguém estar olhando, mas valeu à pena. Além das 7 da lista oficial, fui mais alto que qualquer turista na Torre Eiffel, Estátua da Liberdade, Big Ben e muitas outras que já não lembro o nome. Do alto, não se lê placas ou guias.


Américas e todos os continentes. As mais belas luzes das cidades. Antártica e Antártida. Prédios gigantes. Dubai. Amazônia. São Paulo, Goiânia, Palmas.. Cataratas do Iguaçu... E seriam longas páginas de memórias.


Depois de um tempo explorando a redondeza desse planeta, a solidão me era tão forte que queria gritar, queria levar alguém no colo, estava morrendo por não compartilhar. Mandei um email para meu anjo (sim, todos os caminhos são válidos), e ele apenas me respondeu com a principal regra em negrito. Passei uns dias sem vencer a gravidade, lutando para não blasfemar meu ente celeste e ver alguma solução. Foi numa noite tediosa que vi Belinha aos meus pés, dormindo, que pude compreender. Ainda de madrugada, a levei bem aquecida para correr nos morros e brincar com vacas que pastavam por lá. E passear com cachorro nunca mais foi apenas uma voltinha no quarteirão.


Entendendo melhor a regra, dancei no ar para loucos incuráveis, crianças, velhos caducos e até ajudei bêbados e drogados a acharem o caminho de volta para casa. Num sonho, meu anjo apenas me pediu cuidado. Eu não tinha o direito de interferir no destino de nenhum deles. Mas ainda pude ser apenas um sonho, alucinação, história fantástica e "eu vi de verdade, mamãe, eu juro que vi uma mulher voando e ela dançou no ar pra mim, e me mandou beijos!" 


Já estou com os ossos desgastados pelas rajadas de vento, com olhos cansados de tanta luz e cor, e agora me resguardo um pouco e fico perto de casa, brincando com nuvens e acompanhando pássaros de vez em quando. Meu corpo envelheu, mas minha alma brilha como diamante ao sol. Saí do Centro-Oeste e comprei uma casinha perto da praia, porque decidi morrer ouvindo o barulho do mar. Sobrevoar as ondas me aliviava as dores da degeneração do corpo e nada como uma maré pra me trazer paz. Tenho hoje uma filha da filha da filha (já não sei a geração) da Belinha, que segue me acompanhando fiel e alegre.


Esses dias, perguntei ao anjo: Mas, e aí, o mundo não vai acabar? Ele apenas sorriu e continuou comendo as laranjas que colhi ontem numa terra não tão distante. O sol estava se pondo de uma maneira mais uma vez estonteante, mas ele não pareceu notar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Os outros

O astronauta que vê a terra por uma janela da nave. Minha prima magra que nem pensa em se preocupar com as calorias do que come. Alpinistas loucos por lugares muito, muito difíceis de ir (e de voltar). Gente que chuta cachorro. Gente que come cachorro. Minha amiga que nunca foi à caça numa balada porque sempre amou e foi amada de uma maneira natutal e segura. Alguém no poder que acha justo a verba de um açude virar o lago do haras particular. Paulistano que acredita, de verdade, que os nordestinos estragam São Paulo. A pessoa que consegue ouvir o som da banda Dejavú sem se incomodar. A pessoa gostar (meu Deeeeeeeeeeus) de Dejavú. Alguém que viu a banda Dejavú no comecinho e pensou: "Nossa, que ótimo, vou investir neles!". Alguém planejar meticulosamente conquistar e quebrar meu coração.
 
Me sinto tão, tão distante desse povo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Templos e Castelos

Não tema, minha amada!
As guerras, as pestes, as intrigas são coisas dos homens e sempre serão
A pequenez e a grandeza são humanas na mesma medida, não te assustes com a face crua dos iguais
 
Não temas a solidão, o frio, o escuro
Há luz em ti e sempre haverá
Sei que vês apenas a tocha que carrego, mas, não, te enganas
Esse brilho é tua aura, tua força
Te foram dados pelos deuses mais nobres
Pelos ventos mais puros e por estrelas que te amaram e já não existem mais
 
Reza por mim, bem aventurada
Não pelos monstros e perigos que encontro nesses caminhos tortuosos
Pois tenho peito forte, sou homem
Enfrento todos com a esperança da tua aldeia ser o passo seguinte
Mas reza por mim, toda noite
Porque sou humano, e posso me perder
Posso esquecer do que é puro, do que é divino
E não dosar os vícios, perder a coragem
Por isso, não te acanhes, e usa teu poder pra pedir por mim
sempre por mim
Que estarei pensando em uma vida aos teus pés
 
Não me condenes, querida
Sei que essa distância te rasga o peito
E jamais escolheria te fazer sofrer
Mas um herói precisa ter cicatrizes
Assim como os olhos sofridos te caem tão bem
Perdoe se não estou ao teu lado desde cedo
Mas sou o homem do teu destino
E preciso ter grandeza pra te merecer
 
Guarda-te pra mim, princesa
Não o corpo, que os tempos são outros e a carne precisa sempre de vento e fogo
Não o peito, que paixões e fúrias vão te alimentar a alma
Mas guarda pra mim, querida, essa febre crédula no amor
Guarda pra mim sonhos e histórias
Reserva o juntar das tuas mãos, que é onde devem estar as minhas um dia
Que pouco tarda, logo chega
Me espere, amada, me espere!
 
(Medieval feelings)
(Erros de conjugação e concordância aos montes, mas foi o que me "soou" melhor.) 

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Polaroid

Clarisse é uma menina alegre
Dança, conversa, namora e vive rindo
Teve problemas de saúde, pega ônibus, o pai sumiu
Mas nunca passou pela cabeça dela
Estar errada nesse mundo

Milena sabe de tudo
Das cotações, da novela, do parafuso do pneu do carro
Analisa tudo, mede, compara, condena
Até ouviu uns conselhos, mas ainda não consegue
Relaxar

Sandra é forte
Lutou pra subir na vida, é respeitada, tem status
Levou golpes da vida e nunca se esmoreceu
Mas até hoje não pode
Perdoar

Léia é dona do mundo
Do alto de seus saltos e nariz empinado
O mundo está a seu serviço
Quem está mal é por preguiça de vencer
Jura que sempre vai se dar bem
Nunca pensou em temer

Mara é ponderada
Uns dias bem, noutros deprê
Tomou os remédios indicados
E agora faz acompanhamento regular
Trabalha, paga contas, tem amigos
Ainda quer desaparecer

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Das Horas

Eis que meu coração dispara às 13h14. Mais uma promessa, mais um lampejo da vibração que eu não posso resistir. Mas eis também o meu maior desafio: saber esperar. Se tudo der certo, não é pra agora, não é pra já. Se der errado é nunca, e isso é ainda pior que tudo. Nas horas do dia, só uma me acalma. A de pisar com força no chão, mesmo não podendo. A de contrariar a prudência e forçar o fôlego. Aquele suor denso que me suja, aquele é o meu prêmio. São os males que jogo fora, pra bem longe do meu corpo. É o peso que eu finalmente não quero mais carregar.

E é só depois, cansada, satisfeita e de missão cumprida, que posso olhar ver na vida um compasso paciente e sábio. Sei que tudo tem sua hora, mas eu ainda preciso correr.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Saiu


Mudar requer um esforço sério e constante, mas também há mudanças que eu nem sei que estão acontecendo e, de repente, eu mudei. Num calor alucinante em Goiânia, vesti ontem uma saia que era quase um uniforme. Nem sei quanto tempo fiquei sem usar, talvez uns seis meses. Faltou uma blusa pra combinar, estava mais cheinha, não era apropriada pro novo local de trabalho, enfim... fui deixando de canto. E ontem, apesar da saia servir perfeitamente, de estar calor, de ter blusa, de estar tudo certo, alguma coisa ali já não combinava mais comigo. Não era a moda, não o manequim. Ainda não sei o que é, mas a saia vai pra doação.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ondina

Eu tinha um monte de coisas pra escrever aqui, mas entrei no mar e Iemanjá ficou com todas as idéias. Me desculpem a ausência, levei a sério o conceito de férias. Não tenho feito um monte de coisas que chamo de minhas, e tem horas de me surpreendo andando de biquini como se briga com espelho não fosse uma coisa desse universo meu.

É uma delícia estar de férias, principalmente de mim mesma. Tenho me permitido mais, preocupado menos, pensado mais, apreciado bem mais. E por que não sou assim sempre? Bem, acho que ter o mar por perto realmente ajuda. Aí vem um plano de morar numa cidade com praia. E ando aproveitando bem muito, bem do jeito que gosto essas férias, pra essa sensação de bem estar e agradecimento à beleza do mundo se apoderar de vez de mim e viajar comigo pro Centro Oeste e pra onde mais eu for.

Pequenas observações sobre Pernambuco:

* Deus quem fez o Bolo de rolo, uma delícia regional;
* As rádios aqui não conseguem tocar duas músicas boas em sequência. As boas estão espalhadas pelas estações em horas bem diferentes, o que te faz procurar outra sintonia a cada 3 minutos e ouvir apenas trechos de músicas bacanas.
* O povo é muito simpático, pelo menos todo mundo que conheci por aqui.
* O sotaque é completamente contagiante. Não faço mais idéia do que é falar goianês. Virei gêmea de voz da minha prima. E tô achando lindo, visse?
* Ah, e esse erro de conjugação acaba ficando bem simpático com esse sotaque. Tu fosse? Voltasse que horas? Já jantasse? Delícia.
* Apesar da malemolência esperada de nordestinos, o povo aqui fala rápido e anda rápido. Tão com pressa, é? Danou-se!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Presentes

Querido Papai Noel,

O senhor atua apenas no Natal? É que eu comecei a fazer uma lista de desejos e vi que é impossível ganhar tudo até o Natal. Alguns estou quase ganhando, outros demandam planejamento e esforço. Meus pedidos são para todo o ano de 2010. Caso o senhor não atenda fora da época natalina, favor encaminhar minha cartinha às autoridades competentes.

Obrigada e Feliz Natal para o senhor também. Alguém teve a delicadeza de lhe desejar? Pois eu desejo, viu como sou legal?



1) Um namorado
Pois é, esse é clichê, mas é bem verdadeiro meu desejo de ter um homi pra chamar de namorado. Considerando o imenso fracasso sentimental desse ano de 2009 (não vamos falar dos meus outros quase 30 anos por agora, ok?), acho que mereço, né? Sou uma boa moça, pago minhas contas (com algum atraso, mas pago), trato bem a maioria das pessoas e só destrato quem merece, cuido bem da Belinha, amo minha família, amo meus amigos, assisto a bons filmes, leio bons livros, faço uma dança sensual, cuido do cabelo, passo creminho na pele... O senhor há de ver o meu esforço, hein?! Mereço mesmo um bom namorado.

2) Um bom lugar pra morar
Esse item tá fácil. É só o contrato que eu tô negociando dar certo, ok? Fizemos quase tudo, falta só o toque final.

3) Dinheiro
É, Papai Noel, eu sei que esse é um item complicado. Mas juro que estou correndo atrás. O senhor pode providenciar pra mim uma comissão para dar uma sustância ao meu salário, ou mais projetos bem pagos como (obrigada, Meu Deus!) tem aparecido, ou novos rumos empregatícios, uma iluminação pra eu prestar um concurso, uma Mega Sena (que acumulou ontem, quarta eu jogo, combinado?). São muitas maneiras legais e honestas de fazer mais dinheiro chegar na minha mão, pode escolher. Com mais dinheiro, pode deixar que eu cuido do item 2 e 4.

4) Uma viagem internacional
Eu tentei, mas não consegui criar a tradição pessoal de viajar pra fora do país todo ano. Foram dois sim e dois não. Agora podemos voltar ao ano sim em 2010, né? Sugestão: Portugal, EUA, Chile, Peru... mas estou aberta a propostas.

5) Mais viagens por Goiás e Brasil
É que eu realmente adoro viajar. E tem muito lugar pra conhecer e outros pra matar saudades.

6) Beatles Rock Band
Como o jogo não roda no videogame que tenho disponível, esse vai ter que vir com um novo video game. Prometo fazer valer a pena!

7) Mais Melissas
Sou doida por essas coisinhas de plástico!

8) Um joelho saudável
Ah, Papai Noel, eu sei que isso depende do meu esforço em malhar, fortalecer, alongar... Mas o senhor não pode me dar um joelho novo? Aí eu poderia fazer tudo que acho divertido como exercício (Jump, chutar sacos de pancada, correr, dançar...) e usar os saltos que tanto amo.

9) Roupas Novas
Que valorizem minha cintura.

10) Força
Ok, sei que é uma coisa meio genérica. Mas é que tem muita coisa que eu quero e sei que EU tenho que ir atrás. Equilíbrio, paz, felicidade, emagrecer, achar um rumo na vida, realização profissional, aproveitar meus talentos, resolver os meus conflitos e um monte de outras coisas. Nesse campo de autoconhecimento, acho que evoluí bastante em 2009 e vou continuar nessa busca em 2010. O que preciso mesmo é de força nesse caminho que é árduo, mas tem valido muito a pena.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Se um dia existir justiça social, terapia será declarada utilidade pública e alguns terapeutas ganharão títulos de benfeitores sociais. Eu e as pessoas que participam do meu pequeno cosmo poderão comprovar isso, sim, sim. Ontem tive uma aula de objetividade muito boa. Bem difícil, é verdade. Mas ótima. A tarefa agora é aplicar na vida real.

Também na lista dos benfeitores está o Diamante Negro. Ontem comprei um pequenininho por um real, acho que valia R$ 10. E como era muito pequeno, não tinha culpa entre os ingredientes.

*
E mais um capítulo de Agatha e a Implicância com o Mundo...

Gente, quem pensou nessa promoção da Garoto? Você ganha uma viajem pra Nova Iorque pra... pra... ver um show do Roberto Carlos!!! Meu Deus! Fiquei até com medo de concorrer, ganhar e ser obrigada a ir no show.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Caso seja um caso de nunca, não nessa vida, não pra mim, eu sei que vou agüentar. Vou levar para a maturidade plena e velhice esse olhar meio triste, meio perdido, de todos os momentos que não foram, das pessoas que não amei, das palavras que não disse e das idéias românticas que nunca realizei. E continuarei sendo semi feliz.

sábado, 28 de novembro de 2009

Fáilte agatha!!
Agora você sabe como dizer "Oi" em irlandês!

O Flickr não é um amor?!
Minhas fotos lá: http://www.flickr.com/photos/agatha/

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O pop das Sereias



Pra quem não tem cultura, ta aí a prova. Sim, tem sereias na história do Peter Pan. E é por isso que hoje à noite estarei lá, de roupa prata e flor no cabelo dançando no espetáculo "Peter Pan e Michael Jackson na Terra do Nunca".

Michael?! Pois é, essa parte eu não sei explicar. A escola achou oportuno homenagear o astro pop dentro de um espetáculo do Peter Pan. Ok, quem sou eu pra discutir?! O espetáculo de hoje a noite mistura ballet, jazz, dança do ventre, street dance etc. Uma confusão divertidíssima que gera uns diálogos engraçados nos ensaios, tipo:

* Professora: Quem puxa as sereias no encerramento é o Capitão Gancho, vocês vão reconhecer no dia.

* Figurinista: A roupa de vocês vai ficar linda com as asas.
Eu: Ahn?! Mas nossa roupa não tem asas!!!
Figurinista: Claro que tem, e são lindas!
(apreesão geral)
Eu: Mas a gente é sereiaaaaa!
Figurinista me olha apavorada: Ah, é mesmo... Confundi.
(acho que ela correu pra tirar as asas da nossa roupa.)

* Diretora: Gente, não conversa enquanto luta com espadas. Presta atenção!

* Capitão Gancho pra mim: Pode pegar sem medo, tá firme.

Gente, quem critica não sabe o que tá perdendo de diversão e magia. Me divirto ultra desses ensaios e fico, sim, muito feliz de fazer parte de uma escola de dança. Depois posto umas imagens aqui, talvez um vídeo. Dessa vez eu cumpro a promessa. Desejem-me sorte ou merda, já que é teatro.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Amor e Tempo

Quero muito agradecer a um amigo meu que, não sei o quanto nem por quanto tempo, me amou. Quando ele deu uma indireta de que gostava de mim, eu não fiz nada. E meus amigos falaram que eu fui idiota. Mas, caros, há um moralismo aqui. Ele tinha uma filha e uma mulher, no papel ou não. Ele não tentou me beijar, me agarrar, não tentou nada. Numa frase meio atravessada, meio triste e conformada, falou que era eu quem ele queria. Depois, mandou uma letra de música que mal pude ler. Eram aquelas janelas de chat que fecham automaticamente se a pessoa fica offline. Não lembro se msn ou icq. Faz um tempo isso. Mas pude traduzir rapidamente que ele me amaria profundamente e silenciosamente.

Não sei se já acabou, não o vejo há muito tempo. E não me acho no direito de perguntar nada pra ele. E se doer? E se for pertubador? E se ele nem lembrar disso? Há que se ter cuidado ao revirar velhas lembranças guardadas lá no fundo do armário.

 

Demorei muito tempo pra entender essa história. Na verdade, me culpei muito tempo por não ter feito nada. Hoje, acho que poderia ter ligado pra ele e tentado conversar. Mas eu não sabia mesmo o que fazer, eu era mais nova, um pouco mais boba, enfim... Foi por esses dias que consegui lembrar de tudo de uma maneira boa e ser grata. É muito bom ser amada.

 

Uma coisa ficou comigo: os nossos abraços. Antes de eu saber de qualquer coisa, já reconhecia o imenso carinho que ele tinha por mim e eu por ele. Quando ele me abraçava, meu Deus, como era bom! Ele me dava uns abraços apertados e longos, eu fechava os olhos. Quando tava cansada ou triste, não tinha melhor remédio. Tenho certeza que aquele abraço me transmitia amor, e mesmo sem saber dar nome, eu percebia que havia uma dádiva ali. Impossível lembrar sem sentir saudades.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só mais uma madrugada

Tem dor que dói todo dia, mas piora em alguns. Perder um amigo sem saber porque, por exempo, ou uma amiga, no meu caso. Foi de ver uma pessoa passando pelo mesmo que reavivou o sentimento e porque hoje é hoje. Aí cá estou mais uma vez falando nisso porque eu não superei, não esqueci. Um dia, quem sabe...

*
Eu faço vários planos e não executo quase nada. Hoje parece mais claro admitir que, no final das contas, é porque não me sinto capaz de muita coisa. Pode ser que isso seja um distúrbio psicológico, daqueles clínicos reconhecidos, com nome e tudo: melancolia. Veja bem que melancolia é diferente de tristeza. É um sentimento de incapacidade arraigado lá dentro, pelo que eu entendi. Tô lendo um livro pra tentar entender. E, sim, com acompanhamento profissional.

Ah, e desculpa pelo desabafo aqui, sei que vocês estão cansados. Olha os desenhos lá embaixo que é mais legal.

Janelas




quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Machines

(pra quem disse que esse cotiano é só da Agatha, falo da cidade no final do texto :P)

Um viva à tecnologia! Uhu! Nem queria, mas descobri meio por acaso que podia adicionar uma janelinha do twitter aqui. Agora tá ali embaixo, à direita. Futilidades atualizadas =D
*
Por falar em twitter, descobri que gosto mais do orkut. Gosto muito mais ainda é de blogs mesmo. Na dúvida, vou mantendo todos.
*
Tenho me divertido com essas coisas que nem são mais high tech, mas ainda estou aprendendo a mexer. Achei que celular com câmera era uma bobagem, mas tem sido bem útil. Minha câmera oficial, minha maravilhosa companheira de alguns anos, está com problemas de bateria que eu ainda acho que posso resolver sozinha. Enquanto não consigo, o celular registra encontros de amigos, momentos inusitados, shows, céus bonitos...
E esse mesmo celular é o som do carro, com uma pequena caixinha de som que não faz feio. Aqui em Goiânia, o índice de roubos de som de carro é de quase 100% (alguns amigos são sortudos, mas é quase certo aqui que o seu som vai ser roubado). Por isso eu continuo feliz com meu celular.
*
Era pra ser tudo mais bonito com transferência de arquivos by bluetooth, mas meu pc resolveu que não reconhece mais o drive e pronto. Mas tudo bem, conectar um cabo não é tão sofrido assim.
*
Ontem fui ao Atacadão, sabe? Tem em quase todas as cidades. O daqui é loooonge da minha casa, mas como era um favor, lá fui eu. Agora estou apaixonada pelo supermercado. Pensa um lugar que todos (to-dosssss) os caixas tinham pessoas atendendo? E eram vários (vá-ri-osssssss!). Eu estava em uma pequena (minúscula) fila e um atendente já me orientou a ir a um caixa livre. Foi tão rápido, uau! Acho que nunca fui tão bem tratada em um supermercado!
No final, meu irmão reparou que estávamos em um caixa preferencial. Mas foi o carinha que me indicou... ué, será que eu pareço grávida, deficiente ou idosa? Preferi acreditar na agilidade de atendimento dos clientes (preferenciais ou não).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

The roof, the roof is on fire!



Eu sei que não tenho mais idade (e que sou preconceituosa com a minha idade), mas adoro sair pra dançar. Me descabelar, suar, me acabar na pista, céus, é bom demais. Tenho feito pouco isso por 1014 motivos, mas isso não vem ao caso agora.

Na época aurea de sair pra balada, quando eu era mais nova e ainda precisava mostrar a identidade pra provar que tinha mais de 18, nenhum lugar era mais legal que o Café Cancun aqui de Goiânia, no shopping Flamboyant. Animadíssimo, lotado de gente bonita, camarada com os pobrinhos que chegavam mais cedo pra pagar mais barato.

O dj tocava as "bombadas" do rádio e, de repente, uma rumba invadia o ambiente, os garçons subiam no balcão e se formava uma fila da tequila. Todo mundo entrava no trenzinho e passava abaixando pela cordinha (é, você tinha que fazer por merecer a tequila grátis!).

Foi nesse ambiente que me diverti demais, subi nos puffs pra jogar Birinight pra bocas abertas, dancei salsa quente com estranhos, beijei alguns, fugi de chatos, tomei porres inmemoráveis... Teve uma época que os seguranças perguntavam por mim se vissem uma amiga sem minha companhia por lá.

Ah, bons tempos...

Hoje, há muito afastada do Café, me deparo com a notinha numa coluna de jornal:
"Depois de muito sucesso nos shoppings Flamboyant e Buena Vista, a boate e restaurante Café Cancun não resistiu à concorrência e baixou as portas. A noite goianiense lamenta!" jornal Diário da Manhã.

Não resisti e mandei uma resposta indignada:

Olá!
Eu sou do tempo que o Café Cancun "bombaba" no Flamboyant. Adorava a boate lá! Mas depois que passou pro Buena Vista, a qualidade só caiu. Tentei continuar frequentando, mas não dava. Uma mania tenebrosa da boate: deixar a fila se alongar só pra parecer que tinha mais gente. Nessa, o horário da cortesia passava e o desconto não valia mais. Sacanagem, né? O dj era desatualizado, mau humorado e não se importava se a música que tocava animada a pista ou não. Ficava lá de braços cruzados e cara de mau. Por isso parei de ir lá.
Depois, ouvia comentários que só ia puta por lá, mas isso eu não sei. Mas achava estranho passar lá e sempre ter carro de polícia.

Então, se o Café Cancun fechou as portas, não foi por não aguentar a concorrência, mas por sacanear o público e não manter a qualidade. Falência merecida.


Lá em cima, foto de 10 de maio de 2005. Não encontrei uma foto da época do Café, já que nem câmera digital eu tinha (o mundo já foi pior, hein?). Mas essa com o Luiz é um bom exemplo de foto na balada. Desenterrada de um antigo fotolog, num post que eu comentei "Luiz, o Felipe, eh a melhor companhia que se pode ter em boates, festas, shows e coisas afins. Tbm eh otima companhia pra tudo mais e ate mesmo pra nada". Graças a Deus, perdi essa mania de escrever "eh". O vestido da foto e o amigo eu ainda tennho, ainda bem! =) Já do Café Cancum, ficou a saudade...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Palafitas



As pessoas sonham com um lugar assim, mas quem mora lá não está realizando sonhos. Vivem, simplesmente. A casa foi construída para suportar os alagamentos de verão, e o planejamento exagerado do velho Ern só deixou a vista mais bonita e uma impressão falsa de fragilidade. 80 anos de pé e três proprietários. As águas da praia abaixo do morro só fazem o som constante que embala a vida por ali, sem nunca terem subido pra perturbar ninguém.

Billy, o marido de Marie, comprou a casa do filho do velho Ern. Tinha morado ali a vida inteira e quis ficar mais perto dos netos na vila quando estava pra morrer. Agora já faz 30 anos que o casal envelhece ali. Ele se distrai cortando madeira de dia e vê o noticiário à noite. Ela começou a costurar depois que se aposentou do hospital. Era enfermeira e viu muitas dores, mas também embalou muitos sonos tranquilos e transmitiu a paz de maresia que embargava seus olhos aos libertos da maca. As aposentadorias cobrem as contas básicas e sobra um tantinho pra uma poupança que Billy gosta de engordar aos poucos. Com o troco que ganha costurando, Marie acabou de comprar uma namoradeira nova para a varanda do lado. É dali que ela escuta as histórias que Billy traz da cidade e ri dele reclamando da política.

Os dois filhos foram morar no continente e mandam presentes engraçados para facilitar a vida dos dois. Um cortador de legumes automático, uma furadeira mais leve e mais rápida, tocadores de música, câmeras e fotos, as únicas coisas que saem dos embrulhos para enfeitar as paredes de madeira.

Um dia desses, andando na praia, o casal recebeu uma proposta de venda milhonária da casa. Um grupo empresarial de renome ofereceu o sonho de construir ali um hotel paradisíaco, com piscinas gigantes, quartos monumentais e serviços refinados. Marie não ouviu direito, estava olhando um barco a vela que passava na linha do horizonte. Billy agora se diverte esticando o prazo pra pensar e prometendo um dia ir jantar na vila com o empresário, um menino magrelo que parece sempre sufocar pelo nó da gravata de seda.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pra ver

Com a grande repercussão do caso de sangue e penas na pracinha, posto aqui algumas fotos da cena do crime e da Belinha como coisa fofa da mamãe. Queria fazer legenda em cada foto, mas a configuração aqui ficou estranha e não consegui.





segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Ê menina, você anda preguiçosa, hein?"
Isso a tia Isabel tinha me dito faz tempo, e eu nem melhorei. Mas não é preguiça de escrever, é que ando achando meu texto meio "nhé". O que é isso? Bem... não é que ele esteja ruim, mas falta aquele toque especial, aquele feeling, a pegada textual. E é por isso que ando passando pouco por aqui. Mas vou me esforçar mais, quem sabe o tal tchan-nan-nan do texto volte com a frequência da escrita, né? Veremos.
*
"A pombinha está morrendo... Coitadinha!" (moradora da Vila dos Alpes)
.
Ontem fiquei surpresa porque Belinha matou uma pomba na pracinha. Causou uma comoção geral, ficamos com imagens de monstros selvagens ou mal educadas (eu por tabela, dona da criatura mortal). Mas fiquei pensando... Ninguém deveria se surpreender. Gente, cachorro é quase um lobo, o ser humano que fica achando que o bichinho é de pelúcia e é só a coisa fofa da mamãe. Caso eu estivesse sozinha com Belinha e as pombas gordas que sujam a cidade, teria morrido de nojo e repulsa, mas ia deixar a caçadora comer a caça. Afinal, ela mereceu! Correu, foi mais esperta, usou os instintos e abocanhou a presa. Mas quando eu me assustei e gritei, ela soltou a moribunda e ficou me olhando com cara de "ué".
Capaz que ela achou que eu ia ficar feliz. "Olha mãe, peguei um jantar gostoso pra gente". Porque cães caçadores (acreditem ou não, Belinha é naturalmente especialista em pegar texugos alemães e, aqui no Brasil, pacas) não destroem a presa com a mordida. Entregam fielmente ao dono e esperam o seu bocado.
Mas, por convenções sociais, deixamos a cena do crime desrespeitando aquela lei da selva que diz que o caçador só abate o que for comer (ou coisa que o valha).