domingo, 31 de maio de 2009
Balanço
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Wardah Festival 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Saber do perigo não te previne dele
Eu já parei de pensar nele todos os dias e o tirei do meu altar de adoração. Destruí os ideais românticos causados por aqueles olhos nos meus. Parei de sonhar e analisei friamente a realidade. Sei que, sem querer ou não, ele é um canalha filho da puta. Que adora a cara de boba que todas fazem. Que usa os corações partidos pra inflar seu ego. Que coleciona admiradoras. Sei de tudo, eu sei. Mas toda vez que o vejo, uma única certeza grita em meu peito : Eu quero ! Eu quero ! Eu quero !!!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
41 x 1 x ?
Hoje completei 40 árvores no Click Árvore http://clickarvore.com.br
No começo, essa paisagem aí era apenas um morro deserto, com sol insólito. Hoje já pode ser considerado um bosque, hein? Se estivessem todas juntas, já era uma pequena reserva. Mas funciona assim: eu vou lá no site e os patrocinadores doam 1 árvore para os projetos de reflorestamento pelo país.
Uma vez peguei uma muda que um shopping estava distribuindo e doei pra uma pracinha aqui perto do trabalho.
Eu não lembro de ter plantado alguma árvore pessoalmente (os feijões no algodão na escola não contam, né?), mas meu ativismo online e minha plantação indireta na pracinha já valem né? Indiretamente, já plantei 41 árvores. Escrevi um livro (que foi publicado por mim numa impressão caseira e encadernado numa xérox qualquer. Depois, foi passado de mão em mão entre família e amigos, um sucesso de público e crítica). Agora só falta o mininu.
Consegui não entrar em crise ao saber que uma pessoa está grávida e com a visita fofa da Fernanda com o João Gabriel. Mas estou absolutamente triste com os homens. Triste mesmo, cansada. E me disseram que a culpa é minha e deve ser verdade. Na falta de destreza, irmãs, oremos.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Quase maio
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Onde vende Bom Senso?
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Acordo
Mas era impossível não ver que Nara estava triste. Subir de novo naquele elevador era doído demais, e não fazia idéia de como seria ir até o sétimo andar, parar em frente ao 704 sem chave e tocar a campainha. Lembrou-se do dia em que ele lhe deu a cópia da chave, lembrava de ter entrado ali nos braços dele, das sacolas semanais de supermercado, das vezes que tocava a campainha pelo simples prazer de levantar a dúvida do "quem será", lembrava de tudo.
Parou à porta e pensou em descer correndo as escadas, mas respirou fundo e tocou a campainha. Nada. Tocou a segunda vez desejando ardentemente que nada continuasse, mas ele veio correndo e abriu a porta de toalhas. Ficou surpreso ao vê-la. "Você?", a expressão de total desentendimento era pior que uma surpresa desagradável.
_Você esqueceu?
_Ah, desculpe Nara, a gente tinha marcado?
Aquilo doeu mais que a separação. Marcaram há uma semana o encontro para assinar os últimos papéis que diziam deles marido e mulher. Ela passou a semana se preparando para isso, duas sessões de terapia, conversas de apoio com os amigos, artigos de revista e até um programa de tv que achou encorajador. E ele esqueceu.
Falando muito baixo para não demonstrar a confiança desmoronando, ela disse muito baixo:
_Os papéis.
Ele bateu na testa e pediu mil desculpas: Entre, entre.
Sentou como visita naquele sofá que ela comprara enquanto ele se apressou para vestir uma roupa. Devia estar entrando no chuveiro quando ela chegou, pois estava suado e com o cabelo em rebeldia.
Voltou pouco depois com uma bermuda e camisa amassada. Sempre tão desorganizado, como estaria se virando sozinho? Olhou ao redor e viu que a sala estava impecavelmente arrumada. Tinha um cheiro bom. Seus objetos estavam nos mesmos lugares. A decoração era exatamente a mesma e Nara imaginou que ele sempre gostou mesmo daquilo tudo e por que desmancharia uma sala tão bonita? Devia servir para encantar as mulheres que ele levava para lá. Seu apartamento virou um matadouro. Vacas, piranhas, cachorras... as imaginava entrando ali e aceitando um drinque. Ele falava qualquer coisa que ela não estava ouvindo, separando os papéis de uma pilha... a rescisão de contrato com o banco, a transferência do carro que ficara para ela, o acordo sobre o apartamento, algumas correspondências sem importância, um financiamento de uma chácara que ele agora iria assumir... enfim, o fim.
Ele juntou a pilha e colocou na mesinha na frente dela. Saiu para buscar uma caneta, ainda tão desconcertado com a presença dela ali que não achava nada com facilidade. Ela perguntou, tentando ser casual:
_Não está trabalhando hoje?
Ele ficou ainda mais perdido. _Me atrasei agora à tarde, daqui a pouco vou lá.
Ela não teve o trabalho de imaginar com que ele se atrasara, tinha mais coisas para sofrer no momento.
Quando finalmente tinha a caneta e Nara se preparava para assinar os papéis, ouve uma voz lá de dentro: _Amor, viu meu celular?
E uma jovem estonteante entra pela sala seminua e ainda suada. Pior que o choque de ver o motivo de um atraso para o trabalho foi ver a intimidade que ela tinha na casa. Procurava nas gavetas e por cima da mesa, quando entrou no sofá, viu Nara e fez aquela cara de "Ué?". Marco Aurélio perdeu a cor. A moçoila pediu perdão, que não sabia que ele tinha visitas, que voltaria ao quarto, com licença, até logo, tchau.
Nara estava estática. Teve medo de começar a chorar, mas não precisou se controlar. Era um baque surdo que atingia seu estômago e a deixou paralisada. Levantou devagar e andou pelo ambiente. Não tinha notado os porta-retratos com o novo casal. Foi à cozinha e a comida era toda light diet naturella. Dela. Um batom jogado, uma bolsa ao acaso. Ela morava ali.
_Me desculpe, Nara, eu não queria que você tivesse visto isso. Não queria magoar você, poderia ter sido mais sutil.
Ela escorregou numa cadeira e falou: Tudo bem.
Ele se apressou: _Toma uma água, vai te acalmar, me desculpe.
Deu a ela o copo gelado e correu ao quarto, não para brigar pela inconveniência, mas para falar desculpa amorzinho, pensei que fosse ser mais rápido, te deixei esperando, beijinho, beijinho, já volto, te amodoro princesinha.
Encontrou Nara de pé no meio da sala de estar. Tinha uma faca na mão.
_Calma, Nara! O que é isso! Você não vai fazer nenhuma loucura, não é?
Ela indicou com a faca uma poltrona: Senta aí.
Trêmulo, ele obedeceu.
Ela pegou um objeto na estante. Caro, refinado, de bom gosto.
_Eu comprei isso aqui.
E pá, no chão. Ele tremeu e falou: Narinha, o que é isso?
_Narinha é sua avó e você vai ficar calado.
Pegou outro objeto e de novo pá. Pá pá pá pá pá. A estante inteira.
Ele quis correr, mas teve medo.
_Você deu uma desculpa esfarrapada de crise existencial pra acabar um casamento de oito anos e tem uma vagabunda da minha casa? Desfrutando da decoração que eu fiz? Do conforto do meu lar?
E destruiu a sala numa velocidade assustadora, quase ninja. Marco Aurélio correu pra acalmar seu benzinho assustado e pensaram em ligar para a polícia, mas ela tinha cortado o fio do telefone. O porteiro, mas o fio do interfone também.
O celular dele estava mais perto de Nara, era muito arriscado. O dela ela não achou.
Nara encarou o casal e mandou: Sentem aqui e fiquem quietos. Suas vidas não correm perigo.
Em pânico, obedeceram.
Ela foi à cozinha e quebrou tudo o que pode lembrar que ela mesma comprou, os pratos que lavou durante anos, a panela de fazer a farofinha do maridinho virou aço inox pela janela!
E quebrou no banheiro, no quarto e corredor tudo que ela tinha posto ali para decorar e ser útil ao lar feliz que achava ter construído.
Deixou o resto porque estava mesmo velho, e ela não queria mais os lençóis que dormiram abraçadinhos e não queria mais nada além do dinheiro dele. Uma viagem, uma lipo, um amante. Ele ia pagar tudo, jurou.
Voltou à sala ele estava explicando para o 190 o que estava acontecendo. Ela pegou o celular dele e jogou pela janela. Ainda viu de relance que a foto na tela era dos dois juntinhos.
_Escute aqui, imbecil: eu não assino papel nenhum e você agora fala com meu advogado. Prepare o bolso. Quero até o último centavo.
Saiu batendo a porta e teve uma crise de riso no elevador. Foda-se a terapia, foda-se o consolo dos bons amigos. Ela agora era vingança, ganância e sede de viver. Isso merecia um Bloody Mary. Libertador.
*texto de outubro de 2007. Reencontrei por acaso. Minha tia adorou =)
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Semana Santa
Paulo Biagi, coordenador do programa Brasil Sem Homofobia, morreu ontem em um acidente perto de Sobradinho, entorno de Brasília. Para fazer uma nota divulgando o ocorrido, fui pesquisar sobre Biagi e achei o site da campanha. Tem um formulário que você pode assinar em apoio ao Projeto de Lei 5003/2001, que torna a discriminação crime. Apoia? Vai lá: http://www.naohomofobia.com.br/
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Logo depois, um carro atrapalhava todo mundo fazendo curvas erradas e freando em momentos impróprios. O preconceito provoca: "aposto que é mulher!". Sim. Mas um detalhe mudou tudo para mim: ao lado dela, um cachorro operado. Um simpático rotweiller com aquele imenso cone na cabeça.
E por falar em novela...quarta-feira, 25 de março de 2009
Volts
segunda-feira, 16 de março de 2009
Plano

sexta-feira, 13 de março de 2009
Por onde andei?

terça-feira, 10 de março de 2009
A Hora do Planeta
Então olha só: próximo dia 28 uma galera do mundo vai desligar as luzes pra pensar no planeta em que vivemos e, a saber, é o único disponível pra gente morar. Então se você odeia as eco-coisas, so sorry. Mas se vc acha o máximo uma mobilização mundial, vê lá no site se vale a pena se empolgar com essa. Até dia 28 decido. E quem sabe até lá aprendo algo sobre html.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu tinha parado de ler e acreditar em horóscopo. Não por desaceditar na astrologia, a falta de crédito era dos sites e jornais. Aí uma amiga me falou do Esotérico do Terra. E agora leio as previsões para meu signo e ascendente todo dia. Se for tudo falso, tudo bem. Os conselhos são muito bons. Em uma semana, o horóscopo já me sugeriu parar de procurar pêlo em ovo, buscar mais minha espiritualidade, ficar perto de amigos queridos e manter os pés no chão. Por astros ou bom senso, tenho tentado seguir.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Pedidos de Natal para uma quarta-feira
* Casa auto-limpante
* Confort food que não engorda
* Colo da mamãe
* Um filho, um marido, sei lá... outra vida
* Mais esperança no futuro
* Determinação em cápsulas
* Vento aqui na sala ou internet lá no vento
* Delete das memórias ruins que andam me assombrando
* Tecla sap pros sonhos
* Conversar com a Lídia
* Uma companhia pra um vinho na varanda
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
De terça pra quarta-feira
mas tem dias, tem fases lunares, tem hormônios e tem um monte de coisa que você não sabe lidar. Tem a idade dos documentos que não combina com a do seu cérebro. Tem a sensação de cansaço. E mesmo sabendo que é você que faz seu mundo girar, queria que alguém viesse te resgatar.
vá escovar os dentes e reconheça as dádivas que tem. o amor da sua mãe que nunca falha. o telefonema inesperado de quem você achou que não se importava. a ajuda preciosa da sua melhor amiga. os olhos sábios e o carinho da que chamam de irracional. a cama grande que vai te acolher e a capacidade de sonhar, mesmo que não seja agora.
boa noite!
domingo, 8 de fevereiro de 2009
De luz e de sombra
_Não há mais vida, ele a disse por final. Assim se falaram pelo que parecia a última vez.
Lorraine foi agarrar sua felicidade e Miguel se arrastou pelo tempo, chorando, mal comendo, pouco falando, carregando aquele pesar como uma cruz. Até que, aos poucos, foi voltando ao rapaz calmo e alegre, embora sem aquele brilho e vitalidade típicos da juventude.
Foi Lua Clara que lhe iluminou de novo a vida, jogando seus raios de amor com resignada paciência até lhe amolecer a couraça da desilusão. Começaram a namorar e ele parecia finalmente feliz depois de todo esse tempo. Faziam planos, piqueniques e eram a coqueluxe da cidade. "Que casal bonito!" "Ah, Miguel, como é bom te ver assim!"
E os dois seguiam de mãos dadas e corações cheios.
Lorraine ficou sabendo das boas novas e se disse aliviada, enfim ele me esqueceu. Mas aquilo mexeu com seu ego, pois perdera o posto de para sempre amada. Estava feliz como Senhora Feitosa, sim. Mas ter um eterno apaixonado era um luxo que acostumou-se a ostentar.
Mesmo se a cidade fosse grande, é certo que o mundo é pequeno e os ex-namorados acabaram por se encontrar casualmente. Miguel voltava para casa pelas margens do bosque e Lorraine saia da casa de uma tia. Pararam, se olharam e ele concluiu que a educação era suficiente para segurar a pontada da dor que andava esquecida.
_Bom dia, Lorraine!
Sem calcular a medida da maldade, ela se armou de seu melhor sorriso, aquele que sempre o fez fraquejar nas pernas:
_Bom dia, Miguel. Que bom te ver!
_Digo o mesmo. Como vai?
Sim, ele ainda se abalava, mas um pouco menos do que ela esperava.
Conversaram um pouco sobre amenidades, as famílias e o cotidiano. Como ele ameaçava se despedir, ela não pode perder a chance e provocou:
_Soube que você está namorando e incrivelmente apaixonado.
Conhecendo bem aquele tom, ele fechou a cara e foi sutilmente ríspido.
_Sim, estou muito bem com ela. Espero que você e seu marido estejam felizes.
_Ah sim, obrigada. Não vês, Miguel, eu te disse...
_Perdão... como assim?
E com um afetado jeito debochado, ela falou:
_Eu te disse que você estava exagerando quando terminamos. Que dramático você me dizer "não há mais vida"!
Muitos nunca se conformaram de só poder imaginar o início dessa conversa. O desfecho virou um clássico da cultura local que cada testemunha tratou de acrescentar detalhes exclusivos. Enquanto esganava Lorraine, Miguel gritava enlouquecido palavras confusas. Entre elas, puderam entender "como ousas, vil desalmada" e a promessa de que ela iria conhecer o inferno. Muitos diziam que foram proferidos os nomes mais feios do mundo. Era mesmo difícil entender algo com ele aos berros, ela grasnando e outras pessoas que gritavam em vão que ele a largasse e, ao não conseguir, "socorro, acudam!" Foi com a força de quatro homens que livraram Lorraine da morte e Miguel da cadeia.
Quando os separaram, Lorraine custou a respirar, mas juram que haviam um quê de sorriso em seus lábios. Ao desistir de se queixar com o delegado, parecia ter algo a mais que bondade em seu gesto nobre.
Arrasado e jurado de morte, Miguel arrumou suas malas e fingiu não ouvir as acusações que lhe gritavam. Profundamente envergonhado de si, procurou Lua Clara esperando sua condenação, mas ela ouviu toda a história e, muito calmamente, juntou uma trouxa e segurou a mão do amado. Nunca mais foram vistos, mas por cartas mandava sempre boas notícias.
Lorraine ficou famosa na cidade. Alguns diziam ver as marcas das mãos de Miguel em seu pescoço por anos, outros diziam que a violência do amor lhe engrandecera. O certo é que a paixão violenta lhe deu status de musa, e até seus netos a olhavam com uma admiração nova quando ouviam a história. De vez em quando, a viam pensativa e suspirando "coitado", mas ninguém lhe pedia explicações. Sua alma dramática fora alimentada por uma vida e sua plenitude não podia ser descrita por palavras, apenas percebida com o olhar.
